Calendários na parede

por Mauro Beting em 04.fev.2009 às 15:53h

Há mais de anos o futebol brasileiro precisa adaptar as suas datas e jogos ao calendário europeu.

Mas é o caso de acabar como estaduais? Não seria melhor diminuí-los? Ou, quem sabe, usar resultados das competições nacionais valendo também para os estaduais?

Nem tudo que está escrito abaixo eu concordo. Ainda prefiro as férias para os nossos atletas no meio do ano. Mas fecho 101% na questão de que é preciso debater e discutir.

ESCREVE MAURÍCIO VARGAS

http://jornalismoesporteclube.blogspot.com/

Em épocas de Estaduais, pré-temporadas curtas e início de Libertadores e Copa do Brasil, o mesmo assunto sempre vem à tona: o inadequado calendário do futebol brasileiro. O assunto não é novo nem mesmo neste blog, mas se depois de trinta anos os pontos corridos finalmente foram adotados, por que não discutir o tema à exaustão até que se chegue a um consenso?A proposta é simples: o calendário brasileiro deve ser adequado ao europeu. Mas como conseguir incutir na cabeça do torcedor as temporadas que começam em um ano e terminam em outro? A idéia seria readequar as competições.

Primeiro ponto: os Estaduais precisam acabar. Rivalidades regionais existem e são centenárias, e não deixarão de as ser com o fim desses campeonatos, que convenhamos, só existem no Brasil e não fazem mais o menor sentido. Será possível que com isso os clubes pequenos acabem? Esta é uma regra do próprio sistema que rege o futebol, capitalista como é – quantos clubes grandes, como Santa Cruz, Guarani e Bahia, já não foram ultrapassados por outros de menor tradição, mas maior aporte financeiro e mais bem estruturados? O protecionismo não pode ser conivente com a incompetência.

Assim, com o fim dos estaduais, o Brasileirão poderia começar em fevereiro, deixando janeiro para a pré-temporada. Um campeonato bem estruturado em quatro divisões pode comportar os times pequenos que atualmente só disputam os regionais e mantê-los ativos por todo um semestre – que é o que acontece com a maioria atualmente.

Três divisões nacionais com 20 times, como acontece atualmente, e mais uma quarta divisão nos moldes europeus: regionalizadas na primeira fase, que pode durar um semestre e envolver dezenas de clubes, classificando os melhores para a fase nacional no segundo semestre, com 20 ou 40 clubes, classificando 4 para a Terceirona do ano seguinte. Assim, os pequenos continuariam existindo.

Por fim, Libertadores e Copa do Brasil são competições completamente distintas. Não é justo que uma equipe que dispute uma, não participe de outra. Nesse caso, os grandes europeus jamais disputariam suas copas nacionais – este sim o local adequado para os pequenos receberem os grandes.

A idéia é separar: Copa do Brasil em um semestre, competições internacionais em outra. Libertadores e Sul-Americana disputadas juntas podem permitir o mesmo que UCL e Copa Uefa: os terceiros colocados ainda têm chance de serem campeões de um torneio menor. Obviamente, neste caso seria necessária uma adequação de todo o calendário sul-americano – e para a Conmebol não é interessante ter as mesmas competições, por envolver contratos de patrocínio e exposição na mídia. Sem contar que clubes como Boca e River têm vaga vitalícia na Sul-Americana – procedimento que precisa ser abolido. Quem joga uma, não joga outra.

Enfim: campeonatos de fevereiro a novembro, férias em dezembro, pré-temporada em janeiro. Dá até para abrir 15 dias de descanso em julho.

Não é difícil, nem complicado de se chegar a essa fórmula

ESCREVEU MAURÍCIO VARGAS

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  • Luiz Filho

    A) Temporada a européia: agosto-maio.

    B) 1ª, 2ª e 3ª divisões nacionais com 20 clubes caem 3 sobem e com os terceiros e quartos piores da primeira e melhores da segunda fazendo um quadrangular no inicio da temporada para uma vaga. O mesmo valendo da segundona para a terceirona.

    C) Quarta divisão regional organizada por ligas regionais de clubes: Sudeste, Centro-oeste, Norte, Nordeste e Sul, como se fosse 1ª e 2ª divisões dos estaduais. Os dois melhores de cada região fariam um torneio de pontos corridos para acesso à divisão superior com 3 vagas (para a terceirona).

    D) Os estaduais virariam regionais e só participariam os clubes de divisões inferiores do futebol nacional. Os clubes de 1ª, 2ª, e 3ª divisões não participariam (já explicado acima). Acabariam assim os estaduais privilegiando uma melhor estrutura e os torneios nacionais. Os regionais sul, sudeste, norte, nordeste e centro-oeste seriam classificatórios para a fase de pontos corridos classificatória para a terceirona. Como já expliquei, os dois melhores de cada região do país se classificariam para uma fase de grupos com 10 equipes indo três para a divisão superior. Utilizaria a fórmula do Carioca para fazer as classificatórias dos regionais. Turno e returno e mata-mata. Todos jogariam contra todos com mata-mata no meio.

    E) Copa do Brasil juntando os clubes da primeira divisão em bloco único (mata-mata) que só entrariam em uma fase avançada. Seriam misturados aos clubes das outras divisões em quartas-de-final (iria ter grande se descabelando). Cinco da 1ª divisão e 11 das outras, sem cabeças de chave, ou seja, poderiam se enfrentar logo nesta fase dependendo do sorteio.
    Dos 20 da primeira divisão só ficariam 5, pois já se enfrentariam. Na fase das quartas de final encontariam os outros 11 clubes das outras divisões. Os clubes da segunda e terceira divisão mais os quatro melhores da quarta divisão anterior.

    F) Não existiria pré-libertadores. Libertadores iniciando em outubro com 8 grupos de cinco clubes, ida e volta e os dois melhores se classificando para as oitavas. Após já na terceira semana de janeiro começaria a nova fase de grupos da “Libertas” com sorteio direto de 4 grupos de 4 equipes apenas separados por dois primeiros e 2 segundos de cada grupo em cada chave, sem distinção de país ou tradição. quartas-de-final adiante em mata-mata. (ou por um possível inchaço do calendário mata-mata direto sem uma segunda fase de grupos).

    G) Sul-americana também iniciaria em outubro e com fase de grupos como na copa da UEFA, 20 clubes divididos em 5 grupos de 4, com os dois melhores se classificando para a fase oitavas-de-final e, seriam reaproveitados os seis melhores terceiros dos grupos da libertadores. Oitavas em nova fase de grupos com 4 grupos de 4 equipes classificando-se os dois melhores. A partir das quartas-de-final até a final mata-mata. (ou por um possível inchaço do calendário mata-mata direto sem uma segunda fase de grupos).

    H) Vagas na libertadores só para os melhores do brasileiro (5 ou 6) e para a sul-americana com campeão e vice da Copa do Brasil e mais duas do brasileiro. (nesta minha nova fórmula).

    I) Estas fórmulas dariam mais rentabilidade aos clubes brasileiros inclusive à todos sul-americanos, dando grande visibilidade aos clubes, pois haveria um período maior com as competições internacionais.
    J)Com a renda das federações distribuídas aos clubes, estes sairiam menos desfavorecidos.

    K) No Brasil a regra principal para 1ª e 2ª divisões: Gramados impecáveis sob pena de transferência de jogos pelo estado do gramado, o espetáculo melhoraria. Não se vê na libertadores gramados ruins fora do Brasil. isso já era!

    L) As melhores campanhas nos pontos corridos seriam privilegiadas e assim acabaria a vaga na libertadores pela Copa do Brasil. A CB já tem um modelo solidificado e portanto não necessitaria mais vaga na libertadores e sim na sul-americana.

    Considerações finais: continuariam os mata-matas e os clubes brasileiros em geral seriam forçados a ter uma melhor estrutura, pequenos, médios e grandes. Seria o fim dos estaduais; a copa do Brasil só daria vaga para a sul-americana; privilegiaria as estrutura. Sei que no momento atual é praticamente inviável isso tudo, mas gostaria de saber a opinião de vocês sobre cada item.

  • http://www.diariodojequi.com.br/index.php?category=35 Danilo Otoni

    Eu acho que vocês esquecem que não tem como tirar férias em Julho e jogar em Dezembro/Janeiro por aqui. Muito calor atrapalharia os jogos (além do horário de verão) que seriam às 16h por imposição dos canais de televisão. Na Europa o povo descansa no verão e joga no inverno, como aqui. Mas como somos inversalmente proporcionais nos trópicos…

  • Marcos Palmeirense

    Adequar-se ao calendário europeu é uma bobagem na minha opinião. Em um pais com clubes fracos, as janelas de transferencias na Europa sempre afetarão o nivel tecnico dos campeonatos locais. Mas fazer um semestre com copas internacionais e outro com a copa local eu acho muito benvindo

    Acho interessante termos duas intertemporadas. 15 dias treinando entre um campeonato e outro ajuda e muito aos times.

    Discordo, porém, que regionais sejam bobagem. Megalomania à parte, acho que isso é diminuir o potencial do Brasil. Nossa capacidade técnica permite fazer estaduais com nivel tecnico semelhante a diversas ligas europeias. E o nacional deveria ter um peso ‘internacional’, nao ser apenas algo que ‘dá vaga na Libertadores’.

    em termos de rivalidade, o ideal é que todo time tenha o seu rival a poucos quiilometros de distancia. Isso, sim, cria essa atmosfera de rivalidade, e não esses jogos de Libertadores onde, por exemplo, discute-se tabus entre o brasileiro X e o argentino Y, baseando-se em 4, 5 jogos na historia. Em resumo, tabus entre Ponte e Guarani são muito mais legais que o tabu do River Plate sempre levar a melhor sobre o Corinthians, por exemplo.

    Abraços

  • Sidney

    Concordo com quase tudo no texto. Só não concordo com o fim dos estaduais, poderiam ser disputados apenas pelos times pequenos e os campeões ganhariam vaga para disputa dos regionais, que na minha opinião deveriam retornar como torneiro de tiro curto com no máximo 14 times e que serviria para complementar a pré temporada…

  • Brunno Seneguini

    Beting, respeito muito sua opinião e por este motivo gostaria de saber sua opinião sobre uma idéia minha.
    Não sei se já foi discutido anteriormente, eu nunca ouvi falar. Mas o que você se o regulamente dos campeonatos regionais, obrigasse todos os clubes escalar no mínimo 4 jogadores formados pela base do time?
    Não acha que seria uma boa oportunidade interessante para forçar os clubes investirem em suas categorias de base e revelar mais jogadores?
    Grande abraço.

  • Alexandre

    Concordo com o Maurício em relação à questão da Copa do Brasil e da Libertadores. Mas discordo em relação à “adequação” ao calendário Europeu, simplesmente porque as estações no hemisfério norte são invertidas em relação às nossas. Concordo com o Mauro que os estaduais ainda merecem ser disputados, mas com menos rodadas. Pessoalmente, acho que deveria haver um limite de 19 “datas” para os estaduais.