Museu vivo

por Mauro Beting em 28.jan.2009 às 19:12h

Entre tantas frases repetidas à náusea (inclusive a própria ad nauseam) no futebol, das mais infelizes são:

– Eu não tenho mais nada a provar a ninguém.

– Quem vive de passado é museu.

Se nem Pelé dizia a primeira, se nenhum profissional de qualquer área pode dizer o mesmo para qualquer chefe em tempos tão competitivos, não será qualquer atleta que poderá bater no peito e empinar o queixo. Claro que há um desrespeito crônico do brasileiro para com os vencedores. Cobramos craques com as dívidas dos craques. Nem por isso, porém, qualquer um pode se eximir de ser cobrado. A isenção ainda não chegou a esse nivel.

A segunda frase volta à tona e ao tema depois do novo atacante vascaíno ter dito que fará história em São Januário. Ao mesmo tempo que deita falação, todo Pimpão, o próprio resolve pisar na língua ao esquecer glórias vascaínas como Romário e Dinamite. Aliás, presidente que o paga, como se não bastasse, dizendo que não quer ser comparado com mitos da história, e coisa e tal…

Sei que o Pimpão gosta de falar – até estudou para ser dentista. Mas essa de renegar a história, de desconhecer o que passou, de não querer saber de nada a não ser do nada que se é, isso irrita demais. E não falo só de Pimpão.

O triste é que não é só jogador metido que pensa e que fala. É tudo quanto é gente que insiste em não dar pelota ao que foi.

Àquilo que nos fez do jeito que somos.

É esse tipo de profissional que precisa provar tudo a todos. Para que um dia possa entrar no museu. Aliás, só os gênios dizem renegar o passado, ou desconhecê-lo.

Ao que se sabe, não se vê gênio por estes campos. Ou eles ainda vão ter de provar muito a tantos.

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  • ZéV

    Mauro,
    O brasileiro não reverencia seus ídolos. Pelo contrário.
    Dois exemplos dos dias atuais.
    Ronaldo Nazário é um dos maiores atacantes que o futebol brasileiro produziu. Participou de 4 Copas do Mundo. Três como protagonista principal. Duas vezes campeão do mundo. Três vezes eleito o melhor do Mundo por técnicos e capitães de seleções nacionais. Um craque. Uma história. Como jogador e como ser humano, haja visto os mais de dois anos de inatividade, as duas cirurgias anteriores no seu joelho. E o que ele representa hoje no Brasil? Uma piada. Tanto por parte da torcida como da imprensa. Principalmente porque vai jogar no time errado. Quase todos torcendo contra. Poucos eu ouvi dizer “tomara que o Corinthians perca de 4X3 com 3 gols dele”. Era o mínimo que se poderia esperar pela sus história.
    Rogério Ceni, goleiro de qualidade duvídavel se comparado com Marcos, Dida, Taffarel, Gilmar, Leão, Waldir Peres, etc.
    Batedor de falta com baixo índice de aproveitamento.
    Símbolo de 10 anos de vacas magras da história do seu time.
    Falsa humildade, pois nunca, mas nunca mesmo, assume uma falha.
    É colocado por torcedores do seu time como maior jogador de sua história, esquecendo de Leônidas, Zizinho, Canhoteiro, Pedro Rocha, Careca.
    É assim que o brasileiro cultua sua história.