O melhor Chile

por Mauro Beting em 07.set.2008 às 10:23h


Até um gol de “chilena” (o modo como os sul-americanos chamam a nossa bicicleta) foi marcado pelo melhor Chile dos últimos 20 anos, na vitória sobre a Bolívia. Eles estão bem das bolas não apenas pela condução competente e ousada de Marcelo Bielsa – que fez da Argentina de 2000 até a Copa-02 a melhor seleção do continente dos últimos anos (ou a que jogou o mais bonito futebol). Mandam bem porque têm os melhores valores em tempos. Ao menos da proximidade da área até Suazo, forte e veloz atacante, ambidestro, que sabe sair da área e preparar lances, e tem letal jogada em que dribla pra esquerda e enfia um “zurdazo” – um canhão de canhota – potente.


Além de Suazo, Bielsa deve optar por uma linha de três ótimos meias, mantendo-se fiel ao 3-3-3-1 (variável para um 3-3-1-3) que tanto gosta: Alexis Sánchez (hábil, ágil, abusado e técnico meia aberto pela direita), possivelmente Valdivia (que além de jogar a bola que sabe, ainda quer mostrar serviço para provar que não deveria ter ficado um ano longe da seleção – por indisciplina) e Matías Fernández (um destro meia por dentro e pela esquerda que seria referência chilena se não fosse tão qualificada a concorrência). Além deles, Bielsa tem Mark González (meia canhoto de tiro potente, rodado mesmo jovem, que abre bem o jogo pela esquerda) e o forte porém pouco técnico Beausejour (habituado a ser o “winger” canhoto da linha de três meias de Bielsa).

Neste domingo, especula-se um 3-2-2-3 para o Chile. Será?
A linha de frente teria Sánchez, Suazo e Mark ou Beausejour. Na linha de armação do quadrado do meio, Matías e Droguett, pela esquerda. Algo melhor para o Brasil.
Morales pode ser um dos volantes. Sabe também sair para o jogo. O outro nome ainda é uma incógnita. Mas deve ser o hábil e versátio Vidal.

O meio, porém, pega pouco. Só um volante realmente marca (se for o 3-3-3-1). Muito pouco para defender três zagueiros com problemas crônicos pelo alto (fora o gigantesco Figueroa, dos maiores zagueiros de todos os tempos, a bola aérea é pavor chileno);
também por baixo eles não são grande coisa. Batem muito. E tem problemas de posicionamento. Por vezes jogam com a linha de três muito alta, na intermediária, para encurtar o campo; por vezes estão muito afundados na própria área, dando a entrada dela ao adversário. Também por isso foi concedida anistia ao experiente Contreras, outro da esbórnia de Puerto Ordaz, em 2007, que volta para dar mais milhagem à zaga. Deve ser um dos stoppers (Fuentes o outro), com Ponce na sobra.
Outra alternativa é atuar com Medel, Jara e Estrada. Dois zagueiros-laterais que sabem apoiar e pegar bem na bola, e um central que não é lá grande coisa.

Algo que pode ser muito bom para o contragolpe brasileiro. Sobretudo se Dunga optar pela formação mais ofensiva, com Robinho e Ronaldinho Gaúcho servindo Luís Fabiano. Desse modo, praticamente se elimina a sobra da zaga chilena. Aumentando as chances de um (difícil) bom resultado no Chile.


TOQUES

Bielsa foi direto e abusado como seus times: “Se atacarmos o Brasil, obrigaremos eles a fazer o que menos gostam”. Isto é, defendermos. É o que o Chile deverá fazer em Santiago. Irá atacar. Não como os brasileiros atacam, (ou atacávamos). Mas como um Chile de bons meias e atacantes pode atacar uma seleção penta mundial.

O que não pode é o Brasil se fechar em Copas como no Paraguai, e ainda perder horroroso. Desse modo, perderemos a Copa. Ou corremos algum risco. A Argentina está melhor e vai. O Paraguai é competitivo. Sorte nossa que são quatro vagas, e mais um chorinho pela repescagem da quinta. Eles melhoraram. Nós pioramos. Mas ainda tem todo um turno e mais um pouquinho.


CUIDADOS

O Brasil precisa evitar faltas. De média e de curta distância, Matías pega bem de direita. Se jogar, Estrada bate escanteios e faltas com precisão e força, de canhota. Como o volante Carmona tem um canudo de direito.


Eles gostam de marcar em cima, sufocando a saída de bola. Jogo para lançamentos no contragolpe para a velocidade e habilidade de Robinho e Ronaldinho. Como eles gostam de tabelar por dentro e não são de inverter muitas bolas, concentrar a marcação no meio e sair rápido na retomada é o melhor jeito de aproveitar a fragilidade defensiva chilena. Até porque, eles têm se animado com a fase e com o estilo agressivo e deixam ainda mais exposta uma zaga insegura.



  • otávio

    Wingers? “Stoppers”? Vamos voltar no tempo num pedantismo bobo? Zagueiros, beque (o anglicismo digerido), alas e laterais não nos servem mais?

  • ERIK

    SERÁ Q PODEMOS CONFIAR NESSE TIME DO CHILE HJ?

  • ++++MAURO BETING RESPONDE+++++

    Otávio. concordo que estrangeirismos são dispensáveis.
    mas não há taticamente nenhuma definição cabível para o winger atual.
    stopper ainda acho possível definir como zagueiro-direito ou esquerdo.
    mas stopper é mais conciso. e preciso.

    qual o problema de ser preciso, Otávio?

    não é tecnicismo tolo.