Espanha, a favorita

por Mauro Beting em 29.jun.2008 às 12:03h


Antes de tudo: como Beting, sou bisneto de alemães. Torço sempre pela Alemanha (e pela Itália, por ter dupla nacionalidade).
Hoje, pela camisa, Deutschland.
Mas, pela bola, sou Espanha. A melhor que vi jogar desde 1974.

A equipe mais notável da Euro. Disparada pelos números: melhor ataque (11 gols, segunda melhor média – 2,2 -, e a quemais gols marcou de fora da área, também); time que mais finaliza (20 por jogo); seleção que mais ataca (20, em média); que mais e melhor passa (81% de eficiência); segunda melhor média de gols sofridos (0,6); e o goleiro menos acionado (1,8 defesas por partida).

Pelas contas oficiais da Uefa, a Espanha ataca mais pela direita (normalmente com S.Ramos, Iniesta e Torres caindo por ali) e um pouco menos pela esquerda (com Capdevilla, Silva e quem mais aparecer). Por dentro, os números são inferiores. Mas ainda melhores que os rivais.

A Espanha fica 54% do jogo com a bola aos pés. Só perde para Portugal, que ficou 55%.

Nas faltas cometidas, a Alemanha é a mais disciplinada do torneio – apenas 14 por partida; a Espanha cometeu 19 (e sofreu o mesmo número). A equipe mais faltosa foi a da Polônia, com 22. A seleção que mais apanhou foi a Suíça, com 23 faltas – vai entender…

A Espanha lidera no número de passes e no acerto deles. Também faz mais passes longos e de meia-distância, e acerta bem mais que os rivais. Só nos passes curtos perde para a tradicional escola holandesa. E por pouco.

O time de Luis Aragonés tem o artilheiro da Euro (Villa, com 4 gols marcados em 345 minutos), tem o assistente da competição (Fábregas, com 3 passes para gols em apenas 289 minutos em campo), e o volante que mais bateu: Marcos Senna cometeu 14 infrações em 403 minutos.

Na interessante relação de passes entre dois jogadores, fora as trocas de bola laterais entre zagueiros e as jogadas entre volantes, a Espanha aparece na primeira posição mais ofensiva, com o volante Xavi passando a bola para o winger David Silva por 36 vezes na Euro. Seguem o winger Podolski para o meia Ballack por 27 vezes, e os meias Van der Vaart e Sneijder, por 26 oportunidades.

LUIS ARAGONÉS – Meia-atacante, atuou entre 1957 e 1974, quando pendurou as chuteiras no Atlético de Madrid, onde marcou 123 gols em 10 anos. Jogou 11 vezes pela Fúria. Zapatones era um especialista em cobranças de falta. Foi Pichichi em 1970.
Começou a carreira de treinador no mesmo Atlético, onde ganhou o apelido “O Sábio de Hortaleza” (local em que nasceu, em Madri). Exceto o Real Madrid (onde chegou a atuar na base, como atleta), dirigiu todos os grandes clubes espanhóis. Desde 2004 comanda a Espanha. Após a Euro, irá substituir Zico, no Fenerbahçe.
Aos 69 anos, enfim acertou a mão com a Seleção, fazendo um time que combina jogo bonito, criatividade, sede por gols, eficiência defensiva. E com potencial para crescimento nos próximos anos.
Aragonés deixou fora da lista craques-bandeira como Raúl. E foi feliz. Até a criticável defesa faz ótima Euro. Baseado em algo parecido a um 4-2-3-1 tipicamente espanhol, faz variantes táticas interessantes: os bons laterais podem aparecer à frente, garantidos pela excelente fase de Marcos Senna na cabeça da área; eventualmente, Xavi dá um pé mais atrás, pela esquerda. Mas, normalmente, o catalão sai para o jogo, juntando-se ao meio-campo formado pelos wingers Iniesta e David Silva, que trocam de lado constantemente.
Mais à frente, Villa forma dupla com Torres. Ou formava, porque, machucado, perderá a final.
illa é um meia-atacante que fica pouco atrás do Niño do Liverpool. Algo como um 4-2-2-1-1. Extremamente ágil e dinâmico, pela qualidade dos componentes do esquema.
No espetacular segundo tempo contra os russos, definido por Franz Beckenbauer como “o melhor que vi nos últimos 10 anos”, o excelente Fábregas (o melhor jogador revelado na Espanha nos últimos anos) foi um quarto homem de meio. O esquema se transformou num 4-1-4-1.
M.Senna foi o volante, uma linha de quatro com Iniesta, Fábregas, Xavi e Silva se formou atrás de Torres. E deu show.


CASILLAS – Não é muito alto (1,85m). É muito jovem ainda (27). Puxado por Hiddink para o time de cima do Real Madrid em 1998, já conta 311 partidas merengues. Foi o mais jovem titular de uma final de Champions League. E tem tudo para quebrar vários recordes até o final da brilhante carreira. Assinou um contrato “vitalício” com o Real Madrid atré 2017, clube onde começou com 9 anos. Na seleção, ainda está atrás de Zubizarreta, que jogou 126 partidas. Mas deve superá-lo, como já o venceu sob os paus. Sereno, dono de ótima colocação e impulsão, melhora a cada ano. Faz excelente Euro. Catou dos pênaltis contra a Itália encerrando o trauma de cair nesse tipo de disputa. Além de já ter ganho tudo que é possível pelo Real Madrid, foi campeão europeu sub-15 e sub-17 pela Espanha. E campeão mundial sub-20, em 1999. Será essencial contra o jogo aéreo alemão.

SERGIO RAMOS (15) – Lateral-direito do Real Madrid, 22 anos, 1,83, pode ser zagueiro e volante, como foi no Sevilla. Faz ótima Euro. Marca com correção e apóia na boa. Terá problemas com a boa fase de Podolski, que corta em diagonal – fora o apoio de Lahm. Interessa ao Manchester United, mas deve permanecer na Espanha.

PUYOL (5) – Zagueiro-direito e lateral do Barça, capitão blaugrana, o raçudo e rápido jogador é amado pela torcida, e não muito pelos rivais. No mano a mano, se perde fácil. Na infância, era goleiro. Teve problemas nos ombros e virou atacante. Virou zagueiro na base do Barcelona. Como profissional, pelo Barça, atua desde 1999. Na seleção, desde 2000. Terá sérios problemas contra Klose. Mas ele e o time parecem iluminados.

MARCHENA (4) – 1,83m, 28 anos, o experiente zagueiro-esquerdo e volante do Valencia faz ótima Euro. Está na minha seleção da competição. Uma surpresa para mim e para a torcida espanhola. O miolo de zaga era a grande preocupação e, hoje, tem a segunda melhor média de gols da Euro. Desde 2002 atua pela Espanha. Outro que terá problemas contra Klose e Schweinsteiger, quando pintar em diagonal. Atuou na temporada ruim do Valencia mais como volante que como zagueiro.

CAPDEVILLA (11) – Melhor lateral-esquerdo do Espanhol pela Villarreal, 1,85m, 30 anos, pode atuar como winger. Foi o zagueiro que mais gols fez na Liga espanhola 07-08. Bom no apoio, tem melhorado na defesa, e feito boa Euro. Será essencial na contenção a Schweinsteiger e no combate ao jogo aéreo alemão. Desde 2002 joga pela Espanha.

MARCOS SENNA (19) – O brasileiro de Caieiras, São Paulo, tem 31 anos, 1,75m. Jogou pelo Rio Branco de Americana, América de Rio Preto, Corinthians, Juventude e São Caetano até ser vendido para o Villarreal, em 2002. Em 2006, naturalizou-se espanhol e jogou a Copa. Mas nunca jogou tanto como agora. Melhor volante da Euro, é o único de fato e de ofício de Aragonés (que o idolatra). Marca duro, e não faz feio com a bola aos pés. Pelo que tem jogado, poderia até atuar pelo Brasil – de Dunga. Mas não antes. Nem depois.

XAVI (8) – Volante ou meia do Barcelona, 28 anos, 1,70m, é veloz, tem boa habilidade, chega bem à área e, pela esquerda, ajuda Marcos Senna na contenção. Um meio-campista que sabe fazer de tudo, e bem. Há 10 anos atua pelo time de cima do Barça. Se Ballack vier para o jogo, será o back-up de Senna na contenção ao meia alemão. Caso contrário, inicia o jogo do time, pelo meio. Com a Fúria, recupera-se de uma temporada ruim com o Barcelona.

INIESTA (6) – 24 anos, 1,70m, no Barça onde joga desde 2002 já foi ponta-direita, ponta-esquerda, meia e volante. Na seleção, é o winger pela direita. E também pela esquerda. Deverá fazer belo duelo com Lahm. Joga, arma e marca. Outro que sabe fazer muitas coisas em campo. O Real Madrid pensa nele. Mas Andrés já declarou que, ao se aposentar, quer seguir ligado ao Barcelona.

FÁBREGAS (10) – A maior perda do B

  • Domingos Novela

    Não tenho comentário a fazer, mas gostaria de saber qual é nacionalidade do Iniesta para que seleção joga.

    Obrigado