Vaia-versa

por Mauro Beting em 05.fev..2016 às 10:22h

Leandro Almeida não é Roman safra 2012. Nem Darinta modelo 1981. Mas pode virar nada disso e muito menos se Marcelo Oliveira insistir em escalá-lo. Tem hora que é melhor tirar o time de campo. Ou não colocar o cara que a torcida ama odiar. Até por respeito à pessoa. A torcida não vai com a bola dele. Não é fácil. E fica ainda pior quando ele quer sair jogando como se fosse Luís Pereira e erra dentro da área. E fica ainda pior quando ele entra no lance com maturidade de Teletubbies e leva o belo drible de Morais. 

O Palmeiras em 2015 dava mais chutões em um jogo que o Audax nos últimos três anos. Talvez por isso Leandro quis sair jogando. E por isso não deve mais sair jogando nas próximas partidas. 

Questão de preservação da espécie. Treinador bom como Marcelo sabe a hora de escalar um jogador. E sabe as semanas em que não deve escalar. 

O que eu também sei é que mesmo assim eu não vaiaria Leandro Almeida. Bola rolando? Nunca Apito final, posso atear fogo no estádio. Mas, com ela rolando, nem Darinta. 

Não funciona. Não dá certo. Só prejudica. Parece o Leandro Almeida dos últimos jogos.

Parece o Wallace, no Flamengo. Lucão, no São Paulo. 

E eles não se parecem. Lucão tem mais potencial que Wallace que joga mais que Leandro Almeida. Mas todos dão pesadelos para as arquibancadas, espelhos de más escolhas para as tribunas de imprensa. 
Merecem o escárnio pela escolha? Ou a responsabilidade é de quem escala, não deles que só jogam isso. Ou aquilo que a gente acha que eles não jogam?
Repito que respeito merece ser repetido. Sempre. Escalação de quem está em má fase ou é apenas mau zagueiro, isso não se pode repetir. Ou mesmo respeitar pela teimosia. 
Paciência é sempre virtude. Não vaiar com bola rolando deveria ser lema. 

Mas é que justamente paciência tem tanto limite quanto zagueiro vaiado e visado. 

Dá-lhe Colorado!

por Mauro Beting em 03.fev..2016 às 17:44h

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Dá-lhe!

Ele foi campeão da América em 2010. Foi campeão da Sul-Americana em 2008. Da Recopa Sul-Americana em 2011. Da Copa Suruga em 2009. Ganhou o Gaúcho no ano seguinte à sua chegada no Beira-Rio, vindo do Zaragoza. É pentacampeão estadual desde 2011. “Eles” não o venceram desde 2008. Na final de 2010, o time alternativo colorado não tinha D’Alessandro em campo. Nem nos 0 x 5 do BR-15 para o rival.

D’Ale não estava no gramado. Apenas torcia. E por isso poucos na história colorada são tão idolatrados. Não apenas pelo muito que conquistou, pelo tanto que a canhota nada canhestra cativou. D’Alessandro torcia na cancha. E se retorcia no gramado quando atingido – ou “atingido”. Cavava faltas como desafetos das outras cores. Irritava rivais e árbitros, adversários e jornalistas, de tanto que reclamava – e jogava. De tanto que jogava – e reclamava.

Chato de ser marcado. Chato de ser tolerado. Chato de jogar contra ele e com o time dele. Dá-lhe a dribles! Dá-lhe bola enfiada do outro lado. Caños e canetas. Cacetadas na goleira alheia, cacetadas na própria perna. Não era Pelé, mas peleava como se fosse. Não foi Diego, mas D’Ale!

O do drible de La Boba. Pisa na bola, mete no meio das pernas e sai para o jogo. Ainda existem bobos no jogo. Eles caíam feito patos na milonga. Você sabia que ele faria a jogada. E ele fazia a jogada do mesmo jeito. Insolente. Irrefreável. Inter.

Colorado de sangue. A banda roja no peito do River amado borrou e tomou todo o manto vermelho gaúcho. A má vontade contra o azul e amarelo bostero virou o prazer de vencer o azul, o preto e o branco Tricolor. No Gre-Nal quase sempre cresceu. E nos Gre-Nais deixou cada vez mais estreita a sua relação com a torcida.

Dos gols que marcou no clássico, muitos saíram de patadas de longe. De sem-pulo ou depois de dribles. No ângulo ou batendo no gramado e encobrindo o goleiro rival. D’Alessandro encurtou distâncias no gramado. E trouxe para dentro dele um senhor jogador. Armador fino da estirpe de outros tempos. Por isso também fica em todos os anos do Inter. Mas vai um tanto além por ser mais sanguíneo que o maior de todos – Falcão. Não foi tão emblemático como Fernandão, capitão na acepção, cabeça fria e testa de titânio para os momentos de paúra e de poder, em 2006. Mas D’Ale é um pouco mais colorado por ser um tanto mais torcedor. Não aceita perder. Nem jogo e nem os tantos campeonatos que conquistou. Ele não gosta de perder a bola, um lance, uma decisão do árbitro. Irrita. Enerva. Incita. Inter!

Ele é um tanto gaúcho, é muito argentino, e virou totalmente Internacional. O cara que todo torcedor quer ver no seu time: bom de bola e de briga. O jogador que nenhum rival quer ver perto – também por isso.

Ele não jogou mais que Falcão – ninguém pode discutir. Ele não foi mais ídolo que Fernandão – há como levantar questões. Mas não há como imaginar o Beira-Rio sem ele. Ídolos não vão, ficam. O Inter não acabou sem Falcão – embora não seja campeão brasileiro desde então. O Inter não morreu com a perda de Fernandão – ele está sempre vivo no Beira-Rio. O Inter pode fazer um bom 2016 com Valdivia, Sasha e novas e velhas figuras à disposição de Argel, e com mais espaço dentro e fora de campo sem o imperador do vestiário. Talvez D’Ale esteja de volta depois de um ano de River Plate. Acho até que não. Mas mesmo se não der para ele voltar, não importa o que digam, D’Ale sempre levará com ele a camisa vermelha.

O Gigante vai seguir esperando D’Ale pelado em Buenos Aires. Não é poesia e nem de muita prosa na canção da arquibancada. É concreto. Prova viva como o novo Beira-Rio que o futebol moderno e profissional ainda comporta nomes como ele. Jogadores como ele. Torcedores como nós.

D’Alessandro volta para o berço dele. Mas o lar segue montado em Porto Alegre.

Reciclável

por Mauro Beting em 01.fev..2016 às 7:52h

Oi Messi eu quero uma camisa sua da Argentina mas meu pai não tem dinheiro e ele me fez essa camisa de saco de mercado e eu gostei muito ficou muito bonita mas ela dói um pouco de usar e é chato jogar com ela que já rasgou um pouco aí eu quero uma camisa da verdade meu pai disse que não pode me dar e aí ele fez aquela cara de que queria me dar mas não pode e aí ele fez essa que eu gostei muito e acho que ele não gostou muito que eu já vi ele chorando quando eu tô com ela e aí eu queria saber se você pode me dar uma não precisa ser nova eu só queria que fosse igual essa que meu pai me fez aí mas manda a camisa pra minha mãe que meu pai acho que vai ficar chateado de ver que eu vou ganhar a sua camisa e não vou usar a que ele deu e daí eu gosto muito de você e você é meu fã eu sou o maior ídolo que existe de você você é o melhor do mundo você e o meu pai né

  

Corinthians 1 x 0 XV de Piracicaba

por Mauro Beting em 01.fev..2016 às 7:24h

O grande hexacampeão brasileiro sofre sem Gil (Tite precisa de um zagueiro mais experiente), sem Ralf (que pode ser bem substituído como já foi por Bruno Henrique em 2015), Jadson (Marlone é boa mas diferente opção), Renato Augusto (Giovanni Augusto ou Guilherme são diferentes), Malcom (Lucca ou GA podem substituir) e Vagner Love (Luciano e André podem fazer os mesmos gols, mas vão ter de se sacrificar mais também no combate). Isso tudo se Elias permanecer. 

Sofre o corintiano o que o cruzeirense sofreu há um ano. Não tem como. Não tem jeito. Tem de armar outro time. E não é de uma hora para outro euro. Demora. E nem sempre dá liga. Copa ou campeonato. 

A estreia do Corinthians no SP-16 é uma amostra que não mostra tudo – como qualquer outra estreia. Mas é o que tem para o momento. Paciência. 

Ah! O gol de Romero – um que em 2016 tem sido o que só foi contra o São Paulo nos 6 a 1: gol legal. No primeiro momento ele está em posição de impedimento “passivo”. Não participa do lance. A jogada é com Elias. Apenas a posição de impedimento não constitui irregularidade. E, para min, depois da disputa de Elias (que toca na bola) com o goleiro do XV, Romero está atrás da linha de bola. No segundo lance a posição é legal. Só seria de fato irregular se Elias não tivesse tocado na bola. Aí sim o paraguaio teria se aproveitado da posição adiantada e da rebatida do adversário. 

Lance complicado como a própria regra que não é tão simples. Mas lance legal. 

Segue o jogo. 

O Barça. Faça sempre com um adulto para auxiliar. 

por Mauro Beting em 01.fev..2016 às 7:11h

Vejam como o Barcelona de Guardiola joga. Estudem. Tentem aprender. Mas não tentem copiar. É impossível. 
Era o que dizia Carlos Alberto Parreira a respeito do maior time que vi jogar, desde 1972. É o que quase se pode dizer do Barça de Luis Enrique. Ainda com um Messi messiânico. E até com mais ataque que o de 2008 a 2012, com Neymar sendo Pedro, e Suárez o que foi Villa. Ainda sou mais o de Guardiola, por ser de Pep, e por ter Xavi. Mas o atual também faz história. E deverá continuar fazendo com muito mais de Neymar. Apesar do sonho merengue, que pode ser Real, a vontade do craque brasileiro é permanecer onde ele quis jogar, desde o primeiro assédio há 10 anos, e desde o último ataque, em 2013. 
Se não há como outra equipe brilhar como a do MSN, e também por ter Busquets e Iniesta, além da segurança de Piqué e de Mascherano, e da profundidade de Daniel Alves, algumas ideias podem sim ser clonadas. Não são novas. Não são patenteadas no Camp Nou.

A mais clara, e que fica ainda mais cristalina ao vivo, é a amplitude de jogo que tem o Barça com a bola. Quando parte ao ataque (todos os jogos e quase todo o jogo), Messi cola na linha lateral direita e Neymar, na esquerda. Isto é: o campo de jogo culé tem 68 metros de opção. Com dois pontas. E que pontas. Gênios que entram em diagonal. E Messi, com e por Suárez, indo cada vez mais gerar jogo por dentro, com Rakitic (mais) e Daniel (menos) abrindo então pela direita. 

  
Com dois pontas, e mais um goleador como Suárez, quatro e até cinco rivais são obrigados a ficar lá atrás. É simples. É matemática. E é muito futebol. O campo de jogo fica maior para os talentos do Barcelona. Sem a bola, muitas vezes fica menor pelo arrastão defensivo comandado por Piqué. É ele quem grita e dá a ordem de “atacar”. No sentido de defender. Os outros três zagueiros saem ao bote. Adiantam-se quase até a intermediária, sufocando os rivais. Correm riscos da bola longa às costas. Claro. Mas bem treinados e entrosados, e com a ajuda do goleiro quase linha, esses botes salvam vidas e riscos de naufrágios. 
É tudo muito simples na receita da culinária culé. Os ingredientes é que não estão no mercado. Ou custam muro caro. 

Primeira Liga: Atlético-MG 0 x 2 Flamengo

por Mauro Beting em 28.jan..2016 às 19:51h

ESCREVE DANIEL BARUD —- @BarudDaniel

No Mineirão, o Galo de Diego Aguirre estreiou na Primeira Liga diante do Flamengo de Muricy. Após ter vencido a Flórida Cup, o Galo vinha embalado, enquanto o Fla havia perdido nos pênaltis o amistoso diante do Ceará e perdeu também para o Santa Cruz.

Mas ali era para valer. E o jogo valeu a pena, principalmente para o lado para a torcida rubro-negra. O clássico estadual não poderia começar diferente. Intenso, disputado e muito movimentado. O Galo começou tomando a iniciativa, pressionando logo no início, propondo o jogo com mais intensidade, com toque de bola rápido, triangulações, tentado furar as linhas rubro-negras. O Fla buscava as saídas rápidas nos contra-golpes.

Primeira Liga CAM X FLA_POSICIONAMENTO 1

Organização tática das equipes para a partida. (Tactical Pad)

O Galo se organizava no 4-2-3-1, com Pratto na frente, como referência, se movimentando, buscando o jogo, saindo da área, fazendo o pivô. Na linha de três meias,  Dátolo centralizado, Patric nadireita (no lugar de Luan) e Giovanni Augusto na esquerda. Rafael Carioca e Leandro Donizete faziam a transição defesa-ataque atleticana.

PRESSAO CAM

Intensidade no início de jogo. 5 atleticanos no campo de ataque.

Já Muricy levou a campo o mesmo time que disputou o amistoso contra o Santa Cruz. O 4-3-3/4-1-4-1 com Márcio Araújo no entre-linhas. Willian Arão e Éverton eram os interiores, enquanto Sheik e Gabriel eram os extremos, com Guerrero na frente. Defensivamente, setores compactos, negando os espaços. As principais chances rubro-negras eram pelo flanco direito com Rodinei, Gabriel e Willian Arão.


Com 10minutos de partida, após cobrança de escanteio carioca, o Galo saiu em rápidez com Dátolo, que carregou a bola até a entrada da grande área adversária, tocou para Lucas Pratto que cruzou rasteiro e achou Giovanni Augusto que bateu rasteiro. Márcio Araújo tirou em cima da linha. Quase gol do Galo.

Sem título

Flagrante do contra-ataque atleticano. Dátolo tocou para Pratto, que deu belo passe para Giovanni Augusto, que perdeu chance clara.

A etapa final foi diferente da primeira. Muricy aproveitou o intervalo e o Fla voltou melhor. Diferentemente da etapa inicial, o Fla mudou a postura. Marcando em cima do Galo e seguro na defesa, deu trabalho para a equipe mineira.

Logo aos 22’min, Paolo Guerrero abriu o placar e saiu do jejum. Em um contra-ataque rápido, Marcelo Cirino (que havia entrado aos 18’min da segunda etapa) na direita, acionou o peruano na entrada da área, que bateu firme, no alto, sem chances para Victor. Acabou o caô! O jejum terminou!

E aos 42’min, veio o segundo! Sheik deixou Guerrero sozinho, a zaga atleticana deixou o atacante rubro-negro sozinho ele carregou a pelota, ficou frente a frente com Victor e bateu firme, rasteiro. Fla 2 a 0.

Enfim, depois de duas derrotas em amistosos, o Fla venceu a primeira do ano. Ainda é cedo para falar muito, pois é início de temporada, fase de entrosamento, ritmo de jogo, adaptação.

ESCREVEU DANIEL BARUD —- @BarudDaniel

Primeira Liga: Fluminense 0 x 1 Atlético-PR

por Mauro Beting em 28.jan..2016 às 15:41h

ESCREVE DANIEL BARUD —- @BarudDaniel

Primeira Liga

Enfim, a Primeira Liga, se iniciou. Finalmente, começou a temporada 2016 para valer! O Fluminense de Eduardo Baptista e o Atlético-PR treinado por Cristovão Borges deram o pontapé inicial pelo Grupo A do torneio, em Volta Redonda.

O jogo começou movimentado. Com o Flu propondo o jogo, tomando a iniciativa, com mais posse de bola, mas sem levar vantagem com a bola no pé, com dificuldades para criar espaços no campo de ataque, sem conseguir romper as linhas atleticanas.

Eduardo Baptista mandou a campo o Flu no 4-2-3-1 com movimentação do trio ofensivo, recuo entre os zagueiros de Cícero ou Edson para fazer a saída de 3 e muitas bolas longas para a velocidade de Scarpa e Felipe Amorim. Edson era responsável por marcar Vinícius. Faltava penetração/infiltração no sistema defensivo paranaense. Muitos toques de lado, sem objetividade. Ora ou outra, acionava Felipe Amorim ou Scarpa pelos flancos. Foi pelos lados que saíram as principais chances do Tricolor das Laranjeiras, principalmente com Wellington Silva pelo flanco direito, visando Fred na área.

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Organização tática das equipes para o início da partida. Ambos no 4-2-3-1, com Cícero pelo Flu e Otávio fazendo a saída de três. (TacticalPad)

O Atlético de Cristovão também no 4-2-3-1 habitual, apostava na velocidade de Marcos Guilherme pela esquerda. Crysan era a referência na frente. Deivid era o responsável por marcar Danielzinho. O trio de meias do clube atleticano era composto por Anderson Lopes pelo lado direito, Marcos Guilherme pela esquerda e Vinícius centralizado. Defensivamente, fechava duas linhas de 4 (com Anderson Lopes e Crysan na frente), compactas, no campo defensivo, esperando o Fluminense, alternando em blocos altos e médios. As chances do Atlético foram criadas nos contra-golpes, principalmente com Marcos Guilherme.

O Flu começou a etapa final assim como iniciou a partida, com a posse de bola, mas sem traduzir-la em chances de gol. Aos 8’min, Fred agrediu Léo do C.A.P e os dois foram expulsos. Erro nítido do juiz que, longe da jogada, não viu que apenas Fred deu uma cotovelada no lateral atleticano.

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Fred perdeu a cabeça e foi expulso no início do 2T. (Foto: Hector Werlang)

Aos 25’min da etapa final, depois de jogada pelo lado direito, Eduardo cruzou e Vinícius, ex-Flu, tocou pro fundo das redes. O Flu se manteve com a bola, tentando criar chances, mas não achava espaços na defesa atleticana e falhava na transição defesa-ataque. No fim da partida, o Flu ainda teve um pênalti a seu favor, cometido pelo lateral Eduardo, em Marcos Jr., que Cícero cobrou no canto direito de Wéverton, que defendeu. O Atlético aproveitava os espaços deixados na transição ataque-defesa do Flu.

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Vinícius, ex-Flu, comemora com seus companheiros o gol da vitória sobre os cariocas. (Foto: Hector Werlang)

Ainda é início de temporada, mas com falhas de posicionamento e erros de passe, Eduardo Baptista vai ter trabalho para organizar melhor defensivamente este Fluminense e ofensivamente, ser mais objetivo, buscar mais o gol.

ESCREVEU DANIEL BARUD —- @BarudDaniel

Flórida Cup: Atlético-MG 1 x 0 Corinthians

por Mauro Beting em 18.jan..2016 às 12:40h

ESCREVE DANIEL BARUD —- @BarudDaniel

É inicio de temporada. E o torneio da Flórida, nos Estados Unidos é mais do que preparação. É intercâmbio, expansão das marcas, mídias internacionais, etc. Tudo se ajeitando, entrosando. Times ainda sem o preparo físico ideal. Mas o amistoso entre Atlético-MG e Corinthians foi bem interessante.

Sem as peças principais do time campeão brasileiro, Tite colocou em campo o Corintians no 4-1-4-1, com Bruno Henrique entre as linhas de defesa e meio-campo. Na linha de 4, Elias à direita, Rodriguinho à esquerda, como interiores. Nas extremidades, Malcom pelo flanco esquerdo e Romero à direita.

Já o Galão da Massa, comandado por Diego Aguirre, entrou em campo no tradicional 4-2-3-1, com praticamente a mesma equipe do ano passado: Na proteção da zaga, Rafael Carioca e Leandro Donizete. Na linha de três, Thiago Ribeiro pela esquerda, Dátolo centralizado e Luan na direita. Lucas Pratto na frente.

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Jogo começa movimentado, bem disputado. Atlético com mais posse de bola, mais organizado, criando as melhores oportunidades, sempre pelos flancos, principalmente pelo lado direito com Marcos Rocha. Lucas Pratto se movimentando bastante, saindo da área, buscando o jogo, fazendo o pivô. Muita movimentação/mobilidade do quarteto ofensivo. Linha ofensiva mais móvel. Pressionando a saída de bola corintiana em blocos altos, triangulações e trocas de passes no campo de ataque. Além, das jogadas aéreas com Lucas Pratto e Leonardo Silva.  Dátolo se movimentando bastante, armando o jogo, jogando entre as linhas. Thiago Ribeiro fazendo o facao pelo lado esquerdo. Defensivamente, 4-4-1-1 com Lucas Pratto e Dátolo na frente, blocos médios, compactos, negando os espaços, encaixes curtos, marcação alta no início com pressão na saída de bola.

Corinthians com bastante movimentação do quarteto ofensivo. Arriscando chutes de média distância. Saindo rápido nos contra-ataques. 4-1-4-1 com muitas mudanças, ainda sem o entrosamento ideal. Mesmo assim, criando oportunidades, trocando bastante passes, boa organização defensiva, aplicação tática, compactação curta em blocos baixos, como pede o futebol moderno. Alternava pressão alta na saída de bola, quando adiantava as linhas, e blocos baixos.

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Flagrante do 4-1-4-1 corintiano. E vale destacar também a aproximação de Dátolo e Rafael Carioca na saída de bola atleticana para fazer a transição ofensiva.

Na etapa final foi de substituições e novidades. No Galo a principal mudança foi a entrada de Juan Cazares, equatoriano, 23 anos, habilidoso, driblador, chuta bem de fora da área, tem muita movimentação e velocidade. O único gol da partida começou com ele, tocando em profundidade para Lucas Pratto, que só rolou para Hyuri abrir o placar. Eduardo, Lucas Cândido, Carlos, Patric e Erazo também entraram na segunda etapa.

Pelo lado do Corinthians, Edilson, Yago, Guilherme Arana, Marciel, Moisés, Cristian, Mendoza, Lucca e Marlone entraram. Tite ainda precisa de reforços, caso de Guilherme que está bem encaminhado.

Ainda é cedo para analisarmos a fundo as equipes. É fase de adaptação, entrosamento, preparação. Nas primeiras observações, o Galo larga na frente, com um entrosamento melhor e base mantida.

ESCREVEU DANIEL BARUD — @BarudDaniel

HISTÓRIA EM JOGO – Copa-70 – Brasil 1 x 0 Inglaterra

por Mauro Beting em 14.jan..2016 às 18:36h

JALISCO, GUADALAJARA

7 de junho de 1970. 12h.

Segundo jogo do Brasil na Copa do México

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Ingressos do Brasil na Copa de 1970. O de 7 de junho é o de Brasil x Inglaterra. ACERVO IFD.COM.BR

 

 

 

 

 

Abraham Klein (Israel) apita

66.843 pagantes.

 


 

 

1970. BRASIL 1 X 0 INGLATERRA_4231 X 433

Brasil de Zagallo repete o 4-2-3-1 da estreia, mas com PC Caju no lugar de Rivellino, recuado para fazer a função do lesionado Gerson; Inglaterra de Alf Ramsey só mudou a lateral-direita da estreia com vitória contra a Romênia. Também por motivo de lesão. Wright foi o titular. Equipe variou do 4-3-3 ao 4-4-2.


 

PRÉ-JOGO – O Brasil era uma incógnita até para os brasileiros antes da brilhante estreia com goleada contra a Tchecoslováquia. A Inglaterra tinha um time mais encorpado e mais entrosado que o polêmico campeão mundial em 1966 (LEIA MAIS A RESPEITO NO MEU LIVRO “AS MELHORES SELEÇÕES ESTRANGEIRAS DE TODOS OS TEMPOS”, 2010, da Editora Contexto). Banks, Bobby Moore, Bobby Charlton, Ball, Hurst e Peters continuavam na equipe que sabia jogar. E atuava mais bonito e solto que em 1966. O Brasil sabia o que tinha pela frente. E respeitava muito a então campeã mundial. Sem Gerson (que mesmo tomando cortisona não conseguiu vir a campo), Rivellino foi recuado para ser um segundo volante que poucas vezes foi na carreira. Mas foi brilhante ao lado do não menos Clodoaldo. Jogou muito. Como também jogou mais que o Brasil a Inglaterra. A Seleção que melhor atuou contra o Brasil em 1970. Mas que acabou sendo a segunda varrida pelo Furacão de nome Jair. Na única boa jogada em 90 minutos da dupla Tostão e Pelé na tarde de muito calor no México.

 

1970 1 x 0 anotando futbol

Capitães campeões mundiais: o de 1966, o zagueiro-esquerdo Bobby Moore, um dos maiores da história do futebol; o que viria a ser em 1970, Carlos Alberto Torres, um dos maiores laterais-direitos. Abraham Klein (Israel) apitou e tirou o toss no Jalisco. ACERVO ANOTANDO FÚTBOL


MELHORES MOMENTOS

 

 


 

 

1970 brasil 1 x 0 inglaterra

Carlos Alberto (Santos), Brito (Flamengo), Piazza (Cruzeiro), Félix (Fluminense), Clodoaldo (Santos) e Everaldo (Grêmio); Jairzinho (Botafogo), Rivellino (Corinthians), Tostão (Cruzeiro), Pelé (Santos) e Paulo César Caju (Botafogo).

 

Teams from England and Brazil line up prior to their World Cup match in the Jalisco Stadium in Mexico, June 7, 1970. (AP Photo)

Que times. Que jogo. Os campeões de 1966 (que estavam melhores em 1970) com os campeões que 1970 (que foram os melhores de todos os campeões desde 1930). Teams from England and Brazil line up prior to their World Cup match in the Jalisco Stadium in Mexico, June 7, 1970. (AP Photo)

 


COMEÇA O JOGO (com muito calor, ainda mais iniciando ao meio-dia).

1min – O meia pela esquerda Peters arrisca de longe e Félix faz boa defesa.

2min – Inglaterra fica mais com a bola trocando passes na defesa para fugir do calor. Brasil deixa apenas Tostão na frente cercando a saída dos zagueiros rivais. De fato, o craque mineiro está do grande círculo para trás, com Jairzinho e Paulo César Caju ainda mais atrás esperando os ingleses.

3min – Brasil faz muita ligação direta buscando Jairzinho. Quem dá o “kick and rush” (chuta e corre) é o Brasil, não o time inglês.

6min – Lee se mexe muito no ataque. Avança pela direita e cruza no segundo pau. Félix se atrapalha todo com a bola e ela quase entra. Saída bizarra do goleiro brasileiro.

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Félix, o discutido titular brasileiro no México. Contra a Inglaterra, fez uma defesa espetacular e também cometeu falhas bisonhas. ACERVO BAÚ DOS CAMPEÕES

 

7min – Brasil sempre procura Pelé. Mas o volante Mullery está sempre na cola dele. Até o Cavaleiro da Rainha Sir Bobby Charlton dá uma encaixotada no Rei.

8min – Segunda chance inglesa. Peters cruza da esquerda e Hurst chegou tarde. Bola aérea é perigo contra o centroavante que marcou três vezes na final da Copa-66.

10min – Invertida espetacular de bola de Charlton. Como jogava! Vi pouco (em vídeo, claro) do fantástico ponta-direita Stanley Matthews. Vi bastante Keegan, Lineker, Beckham, Owen, Lampard, Gerrard, Rooney. Não vi nada parecido com Charlton. Ambidestro. Craque. Aliás como outro: Bobby Moore, dos maiores zagueiros do mundo.

11min – Primeira e única chance do Brasil no primeiro tempo. Carlos Alberto espeta mais uma bola longa para Jairzinho que passa pelo lateral-esquerdo Cooper e cruza no segundo pau para Pelé subir no quarto andar e cabecear de cima para baixo no canto direito de Banks. O que fez o goleiro inglês não se viu antes na Copa de 1970. E nem depois.

 

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GORDON BANKS faz a defesa da história das Copas no Jalisco. A única grande chance brasileira na primeira etapa, depois da cabeçada de Pelé ACERVO O GLOBO

 

“Quando eu toquei na bola não sabia onde ela iria parar. Quando vi que ela saiu respirei aliviado”

 

1970 banks anotando futebol

O milagre de Banks deixa Bobby Moore e Labone de boca aberta. ACERVO ANOTANDO FÚTBOL

 

“Eu fiz essa defesa por sempre ter treinado muito durante toda a minha carreira”

 

 

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Tostão, como Pelé, já celebrava o gol quase certo não fosse o mítico Banks fazer a defesa das Copas. ACERVO RESENHANDO FC

 

“Quando o Jairzinho cruzou, eu estava voltando em direção ao meio do gol. Ao ver a trajetória da bola, tive certeza que ninguém alcançaria. Foi aí que vi Pelé, saltando de uma maneira impressionante para alcançar a bola.”

 

PELÉ:

 

Quando eu subi de cabeça eu senti que seria gol. Comecei até mesmo a começar a pular para celebrar o gol. Quando olhei para a rede e não vi a bola dentro não acreditei. Até hoje não acredito que o Banks tenha feito aquela defesa.

 

13min – Ritmo mais lento, Brasil bem pior do que na estreia.

14min – Boa tabela de Tostão com PC Caju, que pega de pé direito à direita de Banks.

14min – Lee deixa a perna em Everaldo na lateral esquerda. Torcida vaia a entrada feia do atacante inglês.

17min – Brasil melhora um pouco. PC sai da esquerda e deriva mais pela direita.

18min – Passes errados de lado a lado. Inglaterra tira um pouco o pé do acelerador.

18min – Jairzinho recua menos para pegar a bola. Está mais espetado. Brasil fica um pouco mais com a bola. Rivellino, assim como PC, sai mais da esquerda para atuar pela direita.

19min – Lance espetacular de Bobby Charlton. Deixa Clodoaldo no chão e depois Rivellino! Que jogador! Mas, na hora de bater em gol, isolou. Uma pena.

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Cerebral craque do Manchester United de 1954 a 1973, Sir Robert Charlton conquistou quatro campeonatos ingleses. A primeira Liga dos Campeões venceu pelo clube (1968), e liderou a Inglaterra na merecida conquista da Copa de 1966. Ballon d’or no mesmo ano, é um dos 100 maiores dos 100 da Fifa. O MELHOR INGLÊS QUE VI JOGAR. ACERVO DAILY MAIL.

20min – Rivellino sente tornozelo esquerdo ao cair no gramado depois da finta de Charlton. Ele coloca as mãos sobre as peculiares meias cinzas do Brasil em Guadalajara.

21min – Terceira chance deles. Lee manda o chute que rebate e sobra para Félix, depois de linda tabela.

22min – Jogo mais equilibrado. Everaldo vai se soltando mais pela lateral.

23min – Quarta chance deles. Lee cruza, zaga bobeia pelo alto, e Peters cabeceia por cima.

24min – Brasil também pega duro. Jair atinge feio Peters.

24min – Tostão vem buscar o jogo, dá opção, mas erra muito. Brasil não está legal.

24min – Chute fraco e ruim de Pelé. Nem Ele. Nem ele…

28min – Carlos Alberto se solta mais, dá um drible sensacional no meio, mas a bola para na forte marcação inglesa.

29min – Que jogador é Bobby Moore. Antecipa-se absurdamente, sai para o jogo, e bate indistintamente com as duas pernas.

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BOBBY MOORE ergue a Jules Rimet em 1966. De 1958 a 1974 foi West Ham. Mais três anos no Fulham, e duas passagens pelo futebol norte-americano. No cinema fez papel no absurdo FUGA PRA VITÓRIA, de 1981. Em campo, foi um artista. Dos maiores zagueiros de todos os tempos. Morreu de câncer aos 51 anos, em 1993

29min – Jair pega a bola lá atrás e entra em facão e tromba bisonhamente com Tostão e acaba perdendo a bola no meio. Brasil irreconhecível.

30min – Rivellino tenta cavar a falta e estádio vaia. Brasil mais se joga no gramado que joga bola.

31min – Erros de passes vão se avolumando dos dois lados. Ritmo mais lento. Calor mais forte.

31min – Lee entra de cabeça para abrir o placar e Félix faz defesa sensacional. Ao ficar com a bola em definitivo, leva um tiro de canhota do atacante inglês no rosto. Brasil deu mole no meio-campo, Mullery recebeu livre e abriu para Wright crescer para cima de Everaldo e cruzar. PC não acompanhou o lateral inglês. Piazza foi chargeado por Hurst, e Brito se postou sobre a linha. Confusão formada depois da agressão de Lee. Árbitro deveria ter expulsado o atacante inglês. Ou ao menos amarelado o faltoso.

 

1970 opiniao do david

O instante em que Lee vai acertar o rosto de Félix, depois de defesa espetacular do goleiro brasileiro. ACERVO BLOG OPINIÃO DO DAVID

 

1970 lee porrada r7

Lee encheu o rosto de Félix. Ele já tinha acertado Everaldo. Foi desnecessária a pancada no goleiro brasileiro. Merecia mais que o amarelo que recebeu de Abraham Klein. E, digamos, mereceu a porrada que levou em seguida de Carlos Alberto (outro que deveria ter recebido cartão vermelho. ACERVO R7

 

34min – Não deu três minutos e, na primeira vez em que Lee partiu com a bola dominada… Carlos Alberto entrou no meio dele. Era para amarelo. Ou vermelho. O árbitro amarelou. O Brasil se safou de perder o capitão que capitaneou, talvez, a mudança de espírito da equipe que era dominada pela inglesa.

36min – Pelé se atira de novo no gramado. Não foi nada.

36min – Piazza bobeia, mas Hurst dá um tiro ridículo. Outra falha individual e também coletiva do Brasil. Empate sem gols até agora é ótimo negócio.

39min – Pelé divide com Mullery e se atira bisonhamente na área. Brasil continua cavando faltas de modo ridículo. Torcida mexicana, que está na torcida pela Seleção, vaia.

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Contra FATOS E FOTOS há argumentos. Não foi nada além de simulação Real na dividida entre Pelé e Mullery. Sempre desconfie de fotos. Contra fatos há argumentos no futebol

40min – Jair sofre falta e exagera na queda e também na reclamação. Muito chata a atitude dos brasileiros, que são vaiados.

42min – Sexta chance inglesa. Charlton, livre, bate à esquerda depois de rebote brasileiro.

43min – Jair vem pela direita e se atira de novo no solo…

44min – Torcida grita ENGLAND. Normal. Brasil joga mal, e se atira a todo momento no gramado. Ingleses trabalham melhor a bola, chegam mais na área rival, e mereciam melhor sorte. Única chance brasileira foi a sensacional defesa de Banks.


 

INTERVALO – Zero a zero. E está bom demais.

NOTA BRASIL – 5

NOTA INGLATERRA – 8

NOTA JOGO – 7

Melhor do Brasil: Félix (7); piores: Tostão, Pelé e Piazza.

piazza 1970

PIAZZA, um senhor volante, um zagueiro eficiente na Copa. Em pouco mais de um mês o cruzeirense foi a referência que Zagallo não via em Joel Camargo e Fontana. Vacilou na partida contra os ingleses, como todo o Brasil, mas não comprometeu exercendo outras funções. Baita jogador. Grande figura. Aqui no álbum de figurinhas. ACERVO BLOG DO VICTOR

 

Melhores da Inglaterra: Charlton, Moore, Banks, Mullery, Ball


 

PLACAR VIRTUAL – BRASIL 1 X 6 INGLATERRA


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BRASIL demora para voltar a campo, no Jalisco. Ingleses sentam no gramado enquanto esperam. Atitude reprovada pelo treinador Alf Ramsey, comandante inglês na Copa-66. No intervalo entre os 2 a 2 em Wembley e a prorrogação que acabaria com dois gols para a Inglaterra contra a Alemanha, o técnico exigiu que o time dele permanecesse em pé no gramado. “Para não passar ao adversário a sensação de cansaço”. No calor das 13h no México, quatro anos depois, não teve como.

 

RECOMEÇA O JOGO – O Brasil que jogue o jogo da estreia. Por que os ingleses estão jogando mais do que em 1966. A questão é saber se o calor da uma da tarde não vai torrar os europeus.

2min – Paulo César Caju recua um pouco pela esquerda, e Rivellino se solta mais para armar. Pode dar jogo.

3min – O lateral-esquerdo Cooper se solta um tanto mais. Ele era winger antes. Vai tentar fazer pelo lado dele o que Wright fez muito bem pela direita na primeira etapa.

3min – Félix quebra a primeira bola no jogo. E quebra o ataque brasileiro com reposição fraca e torta.

3min – Primeira oportunidade inglesa no recomeço. Lee aparece livre e chuta para boa defesa de Félix.

3min – Tostão tenta driblar todo mundo e perde mais uma bola. Pelé e Jair também abusam do individualismo. Pouca tabela e aproximação brasileira. Não parece o mesmo time da estreia. Mérito também da sólida marcação rival.

4min – Pelé volta cada vez menos. Tostão combate no meio. Jogo um pouco mais igual. Brasil saindo um pouco mais ao ataque.

5min – Belo lance de PC, que da ponta esquerda corta pro pé direito e Banks espalma para escanteio.

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PAULO CÉSAR. PAULO CÉSAR LIMA. PAULO CÉSAR CAJU. PC SHOW. PC. Chame como quiser. Só não o xingue como tantas vezes foi em São Paulo e no Rio Grande do Sul. Tempos de muuuuuuito bairrismo e clubismo. E ele também contribuía com declarações polêmicas. Mas era um senhor jogador. Ponta-esquerda ou meia, com o pé direito fazia muita coisa ótima. Foi muito bem na segunda etapa contra os ingleses. ACERVO PCO.ORG.BR

5min – Se todas as bolas brasileiras estão passando por Rivellino, todas e mais algumas passam por Charlton. E ele começa a espetar na frente, mesmo com o pé direito que não é tão excelente. Brasil segue dando muito espaço, acima da média de tempos em que não se marcava tanto por pressão.

8min – Jairzinho recebe livre na frente mas perde a bola. Ele se desgarra mais da ponta.

9min – Rivellino lança Jair, que é claramente puxado por Moore. Juiz nada marca. Torcida vaia. Narrador da BBC inglesa ri da falta de visão do ótimo árbitro israelense.

10min – Outro passe errado brasileiro numa cobrança de falta… Tá osso…

11min – Sensacional lançamento de Pelé para Jair, que divide fora da área com Banks.

12min – Resposta deles. Charlton mais uma vez livre, da entrada da área, manda sapatada que raspa travessão. Grande tabela de Lee com Ball, outro remanescente de 1966, que não faz segundo tempo tão bom.

12min – Muita bola longa para Tostão e Jair… É o caso?

13min – Grande arrancada de Pelé. Passa por três na velocidade e na força e é travado na direita do ataque brasileiro. Jair estava por dentro. Turma da frente se mexe mais. Rivellino também cai mais à direita. Brasil melhora. Jogo, também.

13min – Terceira chance na segunda etapa. Riva vai pela direita, limpa lindo dois, e manda a patada atômica. Grande defesa de Banks.

14min – Jogo alucinante. Lá e cá.

15min – Tostão quer jogo. Domina da entrada da área e bate na zaga a bola que explode e ele vai buscar para realizar seu primeiro lance na partida… O lance que vemos abaixo.

 

1970 - Brasil 1 x Inglaterra 0 - Antes o gol brasileiro

Tostão vai abrindo a zaga inglesa na sensacional jogada do golaço brasileiro. O único lance digno do craque que era no Jalisco. ACERVO O GLOBO

 

1970 BRA 1 x 0 ING - 1970 15 amor e paixao

Tostão vai cortar pra trás e cruzar com o pé direito para Pelé ajeitar para Jairzinho abrir o placar. ACERVO BLOG AMOR E PAIXÃO

 

15min – GOL. BRASIL 1 X 0. JAIRZINHO. BOMBA de pé direito depois de lance genial de Tostão, que Pelé dominou e tocou para o Furacão encher o pé. Golaço.

 

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Jairzinho fuzila Banks e marca o golaço da vitória brasileira, quando a Inglaterra atuava melhor, em Guadalajara. AGÊNCIA O GLOBO

 

 

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FATOS E FOTOS mostra o golaço de Jairzinho, na mais difícil partida do Brasil na Copa-70

 

O gol definiu o placar. Mas o que definiu mesmo a vitória brasileiro no Jalisco foi a saída do craque abaixo.

 

1970 conexao jornali

Bobby Charlton, sobrevivente do desastre aéreo de Munique em 1958 que matou seis companheiros de Manchester United. O maior jogador inglês de todos os tempos. Inexplicável a sua saída na segunda etapa. Ele e Clodoaldo fizeram um grande clássico. ACERVO CONEXÃO JORNALISMO

 

16min – Estádio pega fogo. Duas torcidas gritando. Mas o apoio para o Brasil parece mais explícito agora.

16min – Quinta chance do Brasil. Linda arrancada de PC a partir da esquerda. De novo Pelé passa com mel para Jair, desta vez, mandar por cima.

18min – MUDA A INGLATERRA – Sai inexplicavelmente Charlton e entra Bell-19 para articular; sai Lee (outro que estava bem, apesar de violento, e entra o pirulão Astle-22).

1970. BRASIL 1 X 0 INGLATERRA_2T - 18 OUT CHARLTON

BRASIL com Riva mais solto e PC mais preso, e mais atrás depois do gol. INGLATERRA repete parte do repertório mais limitado de 1966, com duas torres na frente (Hurst e Astle), e Ball e Bell tentando armar. Não gostei das duas mexidas de ALF RAMSEY

 

16min – Charlton quase empata na sequência, batendo de canhota à direita depois de mais uma desatenção brasileira. Jogaço!!!

18min – Furada feia de Peters depois de bola cruzada na área brasileira. Eles agora estão forçando a barra pelo alto. E estão ganhando muitos lances.

18min – Jair e PC recuam cada vez mais.

18min – Roberto começa a se aquecer com Admildo Chirol.

 

Roberto Miranda

Roberto, centroavante do Botafogo, do timaço bicampeão carioca em 1967-68 que tinha Jairzinho, ele, Gerson… Zagallo o conhecia muito bem. Gostava da presença de área e também da saída dela

 

18min – Terceira bola cruzada seguida e Félix precisa dividir com Hurst, mas não consegue mandar para muito longe.

19min – Brasil perde belo e raro contragolpe depois do gol.

19min – Astle perde gol absurdo depois de horrorosa falha da zaga brasileira, com direito à furada e canelada no mesmo lance. Gol feito!

21min – Bomba de Cooper, boa defesa de Félix.

22min – Pelé cava outra falta. Sem sucesso. “Que ator!’, corneta locutor inglês.

23min – MUDA BRASIL. ROBERTO-13 x TOSTÃO. Função tática a mesma. Técnica diferente. Partida pálida do craque celeste.

1970. BRASIL 1 X 0 INGLATERRA_22 ROBERTO X TOSTÃO

ROBERTO entra para ser a referência na frente. Entrosamento com os botafoguenses Jairzinho e PC ajuda

25min – Brasil amuado, mas toca um pouco mais e melhor a bola. Mas era um time que não se preocupava tanto em administrar o placar. Tentava o jogo, ainda que mais atrás.

28min – PC Caju fecha mais o jogo, dando um pé a Rivellino e Clodoaldo. Roberto sai bem da área e protege melhor a bola que Tostão – na partida.

29min – Wright e Cooper cruzam da intermediária. Ball também se solta mais. Mas as torres da Inglaterra não chegam no tempo certo. Ou a bola passa longe deles. Cansaço e calor pesam para os europeus. Horário do jogo favorece o Brasil, além do excepcional preparo físico daquele time de Admildo Chirol, Claudio Coutinho (técnico do Brasil na Copa-78) e Carlos Alberto Parreira (treinador em 1994 e 2006).

30min – Wright bate lateral dentro da pequena área. Félix sai bem.

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Félix passou o segundo tempo inteiro brigando com as torres inglesas pelo alto. Ganhou todas. A bola que tebateu errado, eles fizeram ainda pior. ACERVO FATOS E FOTOS

31min – TRAVESSÃO! Bomba de Ball depois de rebatida explode sem chance para Félix. Sorte de Zagallo. Sempre.

32min – Paulo César faz grande jogada pela esquerda mas chuta de pé direito para lateral!!?

34min – Clodoaldo faz grande segundo tempo na cabeça da área. E simplesmente sai driblando quatro jogadores pelo lado direito. Que jogador. E tem apenas 20 anos.

37min – Ball isola depois de mais um chuveiro da esquerda, em jogada que começou com uma saída errada de Félix.

 

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Carlos Alberto x Bobby Moore. ACERVO CANÁRIO CENTENÁRIO

38min – Mais uma sensacional arrancada de Clodoaldo pela esquerda. Parece que só tem 20 anos pela força e velocidade. E tem mesmo! Parece que tem 30 anos pela categoria e frieza. E não tem!

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Partidaça de Clodoaldo. Apenas 20 anos.

 

45min – Cansaço pregou os ingleses. Pelé resolve fazer das Dele e quase marca golaço por cobertura, da entrada da área. A bola raspou o travessão inglês.

ACABOU – Primeiro tempo inglês, segundo tempo mais equilibrado. Placar só é injusto quando há erro de arbitragem. Não houve. Brasil teve mais sorte.


 

PLACAR VIRTUAL SEGUNDO TEMPO – BRASIL 6 X 7 INGLATERRA

PLACAR VIRTUAL TOTAL – BRASIL 7 X 13 INGLATERRA

(observação. No HISTÓRIA EM JOGO DE BRASIL 1 X 7 ALEMANHA, NA COPA-14, O PLACAR VIRTUAL FINAL FOI BRASIL 7 X 12 ALEMANHA. ISTO É: PELOS CRITÉRIOS DO BLOG, A INGLATERRA CRIOU MAIS CHANCES EM 1970 QUE A ALEMANHA DE 2014… E O BRASIL, O MESMO NÚMERO DE OPORTUNIDADES DE GOL…


 

1970 jogis das copas

Mitos. PELÉ E BOBBY MOORE trocam camisas depois do clássico em Guadalajara. ACERVO JOGOS DAS COPAS

 

 

1970 memoria globo

Tostão, Jairzinho e o lesionado Gerson celebram a grande vitória brasileira no Jalisco. A Inglaterra merecia melhor sorte. ACERVO MEMÓRIA O GLOBO

 

1970 1 x 0 ingl placar

A edição especial de PLACAR depois do jogo sensacional. Partida que os ingleses poderiam ter vencido.

 

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Anúncio de jornal da programação da TV Globo. Geraldo José de Almeida era o narrador da emissora no pool de televisões que transmitiam a primeira Copa do vivo para o Brasil. João Saldanha, treinador do Brasil até março de 1970, era o comentarista. A imagem da fotografia era do jogo em que o Brasil se classificou para a Copa, em 1969, eliminando o Paraguai, no Maracanã.


NOTA DO JOGO – 8

NOTA DO BRASIL – 7

NOTA DA INGLATERRA – 8


 

NOTAS DO BRASIL (7)

Félix (7) – Alguns lances bisonhos que intranquilizavam alguns companheiros e muitos torcedores. Mas uma defesa fantástica na cabeçada à queima-luvas de Lee. De fato, de queimar as mãos do goleiro que atuava sem luvas.

Carlos Alberto (6) – Peters não atuava tão aberto. Ele poderia ter avançado mais. Porrada em Lee mostrou quem mandava no gramado. Mas ele poderia ter sido expulso. Ou melhor: deveria.

Brito (5) – Muita dificuldade no jogo aéreo contra Hurst, autor de três gols na final da Copa-66. Por baixo também não esteve tão bem.

Piazza (5) Falhou em lances pontuais e teve dificuldades pela esquerda, onde a Inglaterra mais e melhor atacou.

Everaldo (5) – Lee, o lateral Wright e Ball atacaram muito pelo setor. Na segunda etapa se soltou mais e foi melhor.

Clodoaldo (8) – Como todo o Brasil não foi bem no início. Na segunda etapa, e também pela saída de Charlton, foi muito melhor, até mesmo arrancando à frente.

Rivellino (8) – Improvisado mais atrás na função de Gerson, foi muito bem. Melhor ainda com a bola. Quando rodou mais foi o melhor brasileiro.

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RIVELLINO fez muito bem as funções de Gérson na vitória contra a Inglaterra. Orelha e o Papagaio sempre se deram bem. ACERVO VEJA

 

JAIRZINHO (7)  – Um golaço, e melhorou com todo o Brasil na segunda etapa. Teve de se virar para acompanhar o avanço de Cooper depois do intervalo.

PELÉ (6) – Obrigou Banks a fazer a defesa de todas as Copas no primeiro tempo. No segundo tempo, uns dois lances Dele. E só.

PAULO CÉSAR CAJU (7) – Bem como ponta, bem armando, bem dando um pé atrás. Sempre buscou o jogo e o gol.

TOSTÃO (6) – Notável pela jogadaça no gol brasileiro. Sacrificado pelo recuo excessivo brasileiro. Partida muito abaixo do excepcional nível dele.

ROBERTO (6) – Entrou bem no jogo e fez o que foi pedido, segurando a bola e dando opção na frente.

ZAGALLO  (7) – Mais pelo placar que pela atuação brasileira. Apostou em Rivellino mais atrás e foi muito bem.

 

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O futebol de botão da Inglaterra que perdeu para o Brasil – ainda que atuando muito bem. ACERVO BOTÕES E ESQUADRÕES

 

INGLATERRA (8)

Banks (8);

Wright (7), Labone (6), Bobby Moore (8) e Cooper (6);

Ball (7), Mullery (7), Bobby Charlton (8) [Bell (5)] e Peters (6);

Lee (7) [Astle (4)] e Hurst (4).

Alf Ramsey (7)


HISTÓRIA EM JOGO é a sessão inspirada por ANDRÉ ROCHA com os arquivos de GUSTAVO ROMAN


 

31 Oct 2000: Gordon Banks (left) and Pele celebrate the years of Wembley during the AXA Sponsored Photocall held at Wembley Stadium, London. Mandatory Credit: Clive Mason/ALLSPORT

BANKS E PELÉ. 31 Oct 2000: Gordon Banks (left) and Pele celebrate the years of Wembley during the AXA Sponsored Photocall held at Wembley Stadium, London. Mandatory Credit: Clive Mason/ALLSPORT

 

 

Corinthians campeão do mundo

por Mauro Beting em 14.jan..2016 às 18:22h

A Fifa falou tá falado. É cartório. Cumpra-se. Celebre-se.

Você pode discutir se é Mundial o primeiro Mundial da Fifa, em 2000. Mas a frase já fala tudo. É Mundial. É Fifa. Ponto. É campeão mundial de direito e de fato. Eram dois sul-americanos. Eram dois europeus. Foi um torneio mais difícil que aqueles que foram disputados desde a unificação dos Mundiais, desde 2005.

Você pode discutir os critérios para os convites. Teve time que esteve no torneio de 2000 por ter conquistado o continente em 1998. Teve equipe que garantiu a classificação um mês antes do Mundial, no Rio.

Por questões de lógica comercial e esportiva (necessariamente nessa ordem), tinha de ter um clube do Rio, do local da final – Maracanã. Por isso se justifica e se explica o campeão da Libertadores-98 no Mundial de janeiro de 2000 – Vasco. Também era necessário um clube brasileiro na sede de São Paulo. Poderia ter sido o campeão da Libertadores-99 – Palmeiras. Ainda mais pela decisão da competição da Conmebol ter sido em junho de 1999. E a decisão pela presença de um clube paulistano foi anunciada na véspera da final sul-americana… Poderia ter sido procrastinada para ver se o Palmeiras seria o campeão que de fato foi.

Mas o próprio Palmeiras aceitou a imposição da CBF. Também da Conmebol. E, principalmente, da empresa organizadora do torneio. A Traffic que intermediara o acerto da HMTF com o Corinthians, meses antes. Traffic que tinha todo interesse em ver o Timão “dela” jogando no Morumbi o Mundial da Fifa. O argumento da empresa de marketing esportivo era válido. O Corinthians era o campeão nacional do país-sede, título conquistado em dezembro de 1998. E ainda seria bicampeão brasileiro em dezembro de 1999. Justo esportivamente. E excelente para a mídia, que teria um colosso de audiência em campo (e também de torcida na arquibancada).

Não ganhou a Libertadores o Corinthians? Mas mereceu conquistar o Mundial de 2000.

Sim. Teve um gol contra o Raja Casablanca (campeão africano em 1999) que a bola não entrou. Mas foi 2 a 0. Sim. Dida fez milagre contra o Real Madrid (campeão do Mundial de 1998) no Morumbi. Mas o empate foi justo. Sim. Como seria a apertada vitória contra o Al-Nassr  (campeão da Ásia em 1998), na partida que definiu a classificação alvinegra.

Sim. Os times de Marrocos e da Arábia Saudita tinham a maioria dos atletas jejuando durante o dia no período do Ramadã. Sim. O Manchester United foi obrigado pela federação inglesa a disputar o Mundial depois de ter vencido o Interclubes no Japão contra o Palmeiras, um mês antes. Os ingleses mais tomaram sol, caipirinha e outras coisas que jogaram bola no Maracanã no grupo do Vasco. Sim. O Real Madrid não foi aquele. Mas claro que tentou ser mais uma vez vencedor. Não conseguiu. Jogou antes que o Corinthians que sabia quantos gols precisava fazer na última rodada para se classificarf. E fez o suficiente o time alvinegro contra a equipe saudita. Por um gol a mais no saldo foi para a final.

Acontece com qualquer clube de país mandante. Vantagem normal.

Sorte do Corinthians. Competência do campeão mundial em 2000.

Oswaldo de Oliveira optou por fechar a equipe e jogar por uma bola que não aconteceu. O Vasco, outro timaço, também não fez aquele jogo. As equipes vinham extenuadas de temporada cheia. Ainda mais o Corinthians, que foi campeão brasileiro pouco antes do Natal. Mal teve férias e já veio a campo. No Maracanã, plantou-se atrás esperando um Vasco que pouco conseguiu criar chances. A que teve, Juninho Pernambucano preferiu escolher um companheiro melhor colocado que ele – que estava sozinho à frente de Dida…

Não deu no tempo normal. Foi nos pênaltis. E foi no tiro para fora de Edmundo que Dida saiu andando como se fosse a coisa mais normal do mundo que, naquele chute errado do Animal, era todo do Corinthians. Do “todo-poderoso Timão” que o Maracanã ouviu durante o tempo todo entoado por nova invasão corintiana no Rio. Não em tamanho e emoção como em 1976. Mas que, desta vez, valeu o mundo.

Foi há 16 anos. Por mais não sei quantos ainda os rivais, adversários, antis e futebolistas discutirão.

Torneio de Verão! Não é Mundial! Onde já se viu ter dois Mundiais e uma Libertadores? Nunca serão! E toda a ladainha que os corintianos também têm contra os adversários. É do jogo. É da zoeira. É do torcedor.

Mas quando a entidade máxima põe a sua assinatura, não tem como discutir.

É.

Cumpra-se.

Celebre-se.