Ouça o que elas têm a dizer



O evento do final de semana não foi um grande clássico estadual. Não foi a definição das finais com confrontos gigantes. Um espetacular jogo entre seleções? Não! Na minha visão, também não foi um erro de arbitragem, um público, nem uma contusão. O fato do final de semana foi a declaração, em diversas vozes, de que algo bastante errado se passa muito perto de nossos olhos.

O #DeixaElaTrabalhar é um marco, um grito, um clamor. Pense bem, não dá para relativizar. Elas sentem, infelizmente de forma literal, na pele. Não é para ser assim e não dá para ser assim.

Sou um jornalista de estádio. Trabalho nos estádios em jogos grandes, médios e pequenos. Em todos, sim, em todos eu vejo colegas sendo hostilizadas. Não é que elas sofram assédio, o que já seria um absurdo, elas sofrem violência mesmo. Já cheguei a ouvir a ameaça de estupro e não consigo achar isso normal.

Para quem prefere minimizar e rotular de forma míope que se trata de vitimismo (palavrinha feia), é importante lembrar que a profissão é regulamentada e trabalhar é – incrível ter de citar isso – um direito.

Sou pai, não de mulher, mas sou pai. Ter me tornado pai fez meus olhos se abrirem para o mundo e para as suas dores. Ao ver minhas colegas, várias delas bem amigas, senti um misto de orgulho com vergonha. O grito delas no mínimo incomoda e incomodar não pode ser considerado uma vitória, mas já é algo.

 



MaisRecentes

A primeira rodada da Premier League



Continue Lendo

A noite de Copa do Brasil foi também a noite dos passes errados



Continue Lendo

VAR do VAR



Continue Lendo