O que o mês mostrou sobre Thiago Larghi



Um mês representa muito pouco tempo para cravarmos qualquer tipo de análise no trabalho de um treinador. Um mês representa menos ainda quando o trabalho é de um treinador que carrega o status de interino e – com o rótulo de temporário – trabalha em um clube que optou por mudanças sensíveis na formação do elenco. Seria difícil para qualquer um.

Sim, Thiago Larghi tem sido o treinador do Atlético já há pouco mais de 30 dias e, por incrível que pareça, algumas ideias dele são muito fáceis de observar. Repito: é preciso levar em consideração que o pouco tempo de trabalho ajuda a iludir para o bem e para o mal.

Os números do Atlético com e sem Larghi em 2018 pedem uma interpretação. Para que a análise fuja dos óbvios resultados, vale a pena observar o que o campo tem mostrado. O campo revela ideias e os resultados muitas vezes iludem ou condenam de forma precipitada.

Com Oswaldo, o Galo jogou seis vezes. O time dele, reserva ou titular, usava com muita frequência o recurso (ou falta de) do cruzamento. Foram 151 em seis partidas. Vale uma explicação: o cruzamento é válido e está no contexto do futebol. No entanto, com defesas minimamente capacitadas e organizadas, a tendência é que eles peguem os zagueiros de frente e os atacantes buscando o espaço e o equilíbrio para a finalização.

O time treinado por Larghi vai aos poucos assumindo suas ideias. É perfeitamente normal que o início seja de busca de identidade, de assimilação de conceitos, de tentativa de aproveitamento de todo o tempo de treinamento para captação da ideia e menos tempo para aperfeiçoamento e ajustes. Nas primeiras partidas, o Galo de Thiago já dava sinais de que havia entendido ser melhor jogar com a bola no chão. É mais a cara do atual elenco.

Foram sete jogos e 117 cruzamentos. A média é de 16 por jogo. Bem inferior aos 25 da era Oswaldo. Perceba que não computei a derrota para a Caldense. Não seria justo. Thiago Larghi mal teve tempo para assumir a equipe e já encarou o desafio.

Nos dois jogos de Thiago Larghi na Copa do Brasil, ambos fora de casa, foram apenas 19 cruzamentos. Em dois jogos! Contra o Figueirense, em Florianópolis, foram onze cruzamentos. Na partida contra o Botafogo da Paraíba, o Galo cruzou oito vezes apenas. Para deixar mais claro ainda, o único jogo do Galo com Oswaldo de Oliveira teve  vinte cruzamentos.

Thiago Larghi talvez saiba se vai ficar ou sair. Talvez ele tenha sido avisado sobre os planos da direção, mas é muito claro, pelo menos nos números, que ele defende uma ideia, uma identidade de jogo. Os jogadores, os números também mostram, parecem ter comprado o plano do atual interino.

Apenas o tempo vai dizer se vai dar certo ou não, mas é bastante interessante perceber que alguém sabe o que está fazendo.



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