Por um futebol de todos e para todos



O Leganés entrou em campo contra o Real Madrid na semana passada e, mesmo em casa, saiu derrotado, de virada, por 3 a 1. A partida poderia significar uma retomada aos bons caminhos para o time do brasileiro Gabriel e dos marroquinos El Zhar e Amrabat, mas foi o Real, mesmo sem Cristiano Ronaldo, que venceu e confirmou o crescimento, ainda que tardio, no Espanhol.

A partida, adiada por causa da participação do Real no Mundial de Clubes, teve a clara manifestação do time da casa, o Leganés, contra a LGBTfobia. E não era só a faixa de capitão com o arco-íris. A decisão do clube endossa a campanha da cidade a favor da diversidade, respeito e igualdade no esporte. Sim, existe a campanha #LeganésJuegaConOrgullo é uma ação da cidade e o clube de futebol acompanhou e tomou como dele também.

Não foi a primeira vez e não vai ser a última. O Leganés tem escrito nas costas de seu segundo uniforme outra demonstração de seu engajamento: #NoalaviolenciadeGénero.

A semana também tem sido marcada por contundentes campanhas na Inglaterra. A Kick It Out, organização que trabalha no futebol diretamente com clubes, jogadores e torcedores contra todas as formas de discriminação lançou um vídeo com a participação de atletas de todos os 20 clubes da Premier League. A campanha estimula que discriminados denunciem e se fortaleçam.

Dá para ver o vídeo com os jogadores aqui https://www.youtube.com/watch?v=sdNKg_djon0

É muito certo dizer que o futebol tem dado passos, ainda que discretos e quase isolados, no caminho de uma sociedade mais tolerante. No entanto, até por reunir radicais míopes pela paixão, é também no futebol que a violência ultrapassa fronteiras. Um policial foi morto em Bilbao na semana passada em confrontos entre torcedores do Athletic e do Spartak Moscou. Aqui no Brasil todos nós sabemos que a violência nos estádios está logo ali.

Hoje mesmo, no Irã, 35 mulheres foram detidas quando tentavam assistir a um jogo de futebol, com a presença do presidente da FIFA, entre Esteqlal e Persepolis. Proibidas de entrarem nos estádios desde 1979, as mulheres tentaram ir ao jogo e fizeram várias campanhas durante a semana para que a proibição fosse revista.

É claro que a situação no Irã é complexa. É complexa culturalmente e politicamente, mas é claro também que as iranianas querem voltar ter seus direitos respeitados. O futebol, seja em campanhas contra qualquer tipo de violência e fobia ou seja em busca de dar direitos a quem não os têm mais, precisa, cada vez mais, se manifestar e não se permitir calar.

Alguém precisa representar as mulheres iranianas ou os discriminados na Espanha, Inglaterra e no Brasil. Seria ótimo se o futebol fosse um esporte de todos e não só dos brutos ou onde os intolerantes permitem ou não a entrada de qualquer um.

Que ontem, hoje e sempre o futebol seja palco de jogadas e de gols, mas que também seja para mim, para você e para todos. Até mesmo para quem não concebe ver futebol e reivindicações no mesmo lado.

 

 



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