Van Dijk é a maior demonstração de como está o mercado



Nem tem tanto tempo assim. Foi em julho do ano passado que Jurgen Klopp, em entrevista, declarou que fica incomodado com os absurdos valores das transferências que o mercado tem convivido.

Ao jornal Liverpool Echo, Klopp disse claramente que contratar um jogador por muito dinheiro é quase que ficar refém da contratação. Se o jogador contratado se machuca, o dinheiro vai pela chaminé.

O site Trivela, em 28 de julho de 2016, trouxe a tradução da fala de Klopp e alguns trechos deixam claro que ele não é favorável à gastança por ter ideias, filosofias diferentes. “Outros clubes podem ir ao mercado e gastar mais dinheiro e contratar os melhores jogadores, sim. Eu tenho que fazer as coisas de maneira diferente? Na verdade, eu quero fazer de maneira diferente. Eu faria diferente mesmo que eu pudesse gastar tanto dinheiro assim”.

Contextualizar é sempre importante e necessário. Klopp vinha de sucessivas temporadas em que a formação das equipes competitivas era a grande marca de seu trabalho. Ele fez isso no acanhado mercado do Mainz e no já mais agitado, mas menos agressivo, mercado do Dortmund. As cifras do mercado inglês ainda não deviam estar fervilhando os miolos do treinador.

E não é que ontem, pouco mais de um ano depois da entrevista, o mercado tremeu com a contratação do zagueiro holandês Van Dijk. O Liverpool, treinado, por Jurgen Klopp, investiu 75 milhões de libras no zagueiro que estava no Southampton.

Distante da liderança da Premier League, o Liverpool luta bravamente pela manutenção do quarto lugar e tem disputa pelas oitavas de final da Liga do Campeões contra o Porto em fevereiro. Um dos maiores problemas da equipe certamente foi a defesa. O gol e a defesa.

O ataque produz. Muito. Apenas o City, líder, marcou mais gols. A defesa decepciona. Apenas o Arsenal, dentre os gigantes, tem os mesmos números defensivos.

É certo que Van Dijk, por mais que tenha qualidades indiscutíveis, não vai resolver todos os problemas defensivos dos Reds. É igualmente certo que ele tem bola para dar mais segurança ao time.

A ida às compras, de forma tão ousada, pode representar uma sinalização bastante interessante: Klopp está se mexendo como gerente. Ao enfrentar o mercado e não permitir a saída de Coutinho na janela passada, o treinador alemão já indicou que queria montar um time forte. Ao negociar, por 60 milhões de libras, a chegada de Naby Keita para o meio do ano, Klopp acena que vai manter o time forte. No entanto, ao ceder, Klopp escancara que não é possível competir com ideias e treinamentos.

Van Dijk reforça a equipe já agora em janeiro, mas mostra também que a forma romântica que Klopp tinha do jogo de futebol já não existe mais.



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