Nada como uma noite de Libertadores



O que fazer em São Paulo em uma noite de final de Libertadores? De um lado estava um time argentino e do outro um gaúcho.

O que fazer em uma agradável noite de quarta, mas sabendo, pelo sotaque e pelas roupas que algo muito importante estava para acontecer. Algo que mudaria a vida de muitos e que de tempo em tempo faz o torcedor gargalhar, sorrir e amar como se o amanhã não existisse. Ele existe?

Os bares da Vila Madalena receberam muitos deles. E a correria dos minutos parecia promover a multiplicação deles. De todos os cantos do Rio Grande e com todas diferenças – que para alguns não existem – de sotaques. Nada como uma noite de Libertadores.

O Grêmio teria vida difícil contra o Lanús. Já teve vida dura na sua própria casa. Mas já tinha chegado a hora de o campeão aparecer.

O time Granate teria que sair um pouco mais para o jogo e o Grêmio já sabia disso e sabia que precisava não deixar os donos da casa confortáveis em campo.

Após um erro bobo de Gomez, Fernandinho desfilou na avenida aberta e marcou o primeiro. O que ele fez o torcedor gremista não conseguiria de forma alguma fazer. Não havia espaço em Porto Alegre e nem mesmo na Vila Madalena para correr com tanta liberdade.

O gol não só assustou, mas também obrigou o Lanús a se mandar. Os donos da casa teriam que atacar e mais espaços ofereceram na defesa. Luan, que tanto brilhou na temporada e que o Grêmio sabia que não poderia abrir mão na janela de transferências internacionais, foi outro que aproveitou a oportunidade e o espaço para marcar um senhor gol. Golaço. Sim, contanto com a permissividade que os zagueiros, mas especialmente abusando do talento individual e da concentração que o jogo pedia. Ele nem precisou driblar para fazer a pintura de gol que fez. Os adversários – um a um – tentaram, mas não conseguiram barrar a habilidade do camisa 7.

Óbvio que o segundo tempo seria mais tenso, mais pegado, disputado. Era o último segundo tempo da Libertadores 2017. O último segundo tempo do tri. Nada como uma noite de Libertadores.

Arthur, maior revelação da temporada, saiu e Michel entrou. O jogo já ficaria mais difícil. A postura dos donos da casa mudou. O Lanús passou a jogar na pressão, no campo de ataque. A defesa gremista respondia bem, mas ainda assim Sand marcou, de pênalti.

Ramiro, aos 38 do segundo tempo, recebeu cartão amarelo e logo depois um vermelho. O árbitro sabia que aquela era uma noite de Libertadores e sabia que não precisava ser detalhista, mas era noite de Libertadores. Nada como aparecer em uma noite de Libertadores.

O relógio cismava de não passar. O placar ainda era parceiro da razão e não havia motivos para sofrer. Só que a vida não é tão certinha assim. Nada como uma noite tensa e irracional de Libertadores.

Os minutos finais foram de mais atacantes da casa contra menos defensores gremistas. Um contra-ataque rápido com Fernandinho e Luan, aos 44, deve ter tirado o ar de todos os torcedores. É mesmo assim uma asfixiante noite de Libertadores.

O árbitro, aquele, sinalizou que queria ver a bola rolar por mais cinco minutos. Os últimos da Libertadores. O torcedor já deve ter se permitido tirar os olhos da televisão e deve ter se permitido lembrar do pai, da mãe, do amigo, do irmão gremista. Estar com ele e comemorar com ele é tudo o que o campeão queria. Nada como uma noite de choros, abraços e lembranças. Lembranças de Libertadores. Lembranças de quem já não pode mais comemorar, mas que merecia ser feliz em uma histórica noite de Libertadores.

O que fazer nas arquibancadas do La Fortaleza? O que fazer na agradável noite de São Paulo, gremista? O que fazer, além de sobreviver, na noite de Porto Alegre ou de qualquer cidade gaúcha? O que fazer, gremista espalhado pelo Brasil e pelo mundo?

A única coisa certa é que aguardada noite do título chegou.  Gargalhadas e lágrimas juntas assim como o preto, o branco e também o azul. Nada como uma noite – sem fim – de Libertadores.



  • Claudio

    Parabéns ao Gremio pela conquista da Libertadores, pq foi muito merecida!

    SRN!

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