A consagração dos visitantes



A rodada 33, ainda não terminada, mostrou que apenas Flamengo e Vitória venceram em casa. Repito que ainda faltam jogos, mas as vitórias dos visitantes ontem já representam uma nova marca na história dos pontos corridos desde 2006, quando a competição passou a ter 20 equipes.

Quais motivos levam os visitantes a ficarem mais assanhados fora de casa? Por quais motivos o fator casa tem feito menos efeito hoje em dia?

O futebol brasileiro, já há algum tempo, não conta mais com diversos jogadores sensacionais em cada clube. São poucos os dribladores, os que chamam o jogo e os que efetivamente decidem as partidas. Em um cenário de pouca qualidade e elaboração de jogo ofensivo, é inegável que nossos clubes passaram a entender melhor os comportamentos ideais para o jogo de neutralização, o jogo mais defensivo.

Sem craques e sem jogadores que desorganizam as defesas, os mandantes continuam pressionados e, muitas vezes, se desorganizam tentando vencer de qualquer jeito, com os zagueiros na área adversária ou com o volante desesperado fazendo a ultrapassagem à espera do olhar do lateral. O visitante, respeitando o fator casa, outras tantas vezes, espera apenas o momento certo para jogar no erro de quem deveria prevalecer e mata o jogo.

Claro que diversos outros fatores podem ajudar a explicar os motivos que escancaram um novo cenário no futebol brasileiro, mas é difícil conviver com a dura realidade de escassez de jogadores “quebradores das estratégias de defesa”.

Talvez o maior problema nem esteja nos jogadores e na formação deles. Talvez a falta de convicção de nossos dirigentes seja ainda mais grave.

Os técnicos e também os jogadores já sabem que se o time tropeçar repetidas vezes em casa, todos estarão em risco. Não que isso sirva para evitar a acomodação, na verdade, o que vemos é o desespero, a pressão por resultados que acaba com a organização em campo e com o planejado anteriormente.

Perder e ganhar estão no contexto, fazem parte do jogo. O que é necessário, e é para ontem, é que os treinadores e jogadores consigam achar espaço para o improviso, para o diferente. Não são os cruzamentos que vão resolver as partidas, mas sim o bom trabalho de aproximação, de toques curtos e rápidos, de facilitação do drible que vão destruir estratégias bem montadas de defesa.



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