A luta que nossos clubes podem comprar



A noite de Copa do Brasil teve emoção, algumas grandes defesas, apenas um gol e muito problema fora de campo. Já passou da hora de os clubes perceberem o poder que têm e de assumirem que podem mudar, interferir na sociedade.

A última pesquisa Lance/Ibope, publicada em maio de 2017, acirrou rivalidades, mas também ajuda a escancarar a influência que nossos principais clubes poderiam exercer, se se conscientizassem disso.

Segundo a pesquisa, as torcidas de Flamengo, Corinthians, São Paulo e Palmeiras superam o número de pessoas que moram da Alemanha. São 84,2 milhões de torcedores de apenas quatro grandes clubes de futebol no Brasil e somam quase dois milhões acima do número de alemães.

Se somarmos os números dos quatro acima citados aos torcedores de Vasco, Atlético MG e Cruzeiro, estaremos falando de cerca de 104 milhões de pessoas. Ou seja, cinco vezes uma Austrália. Ou França e Argentina somadas.

Somemos as sete maiores torcidas – estamos falando de 104 milhões de torcedores – aos torcedores de Grêmio, Inter, Santos, Fluminense e Bahia = 128 milhões de pessoas. Temos então um Japão de torcedores.

O potencial é gigante. Um clube, bem intencionado, pode influenciar toda uma geração. Um clube engajado em uma mudança social é capaz de mobilizar muita gente.

Sport e Cruzeiro fizeram recentemente ótimas campanhas de conscientização. O time de Recife comprou a briga para a necessidade de olharmos com bons olhos para a adoção tardia e o clube mineiro fez premiada campanha no dia internacional da mulher.

É passada a hora de saber utilizar o capital que nossos clubes têm. Já pensaram o que Atlético MG, Cruzeiro e América poderiam fazer, se juntos estivessem, contra o racismo em Belo Horizonte?

E Grêmio e Inter, se juntos pensassem no bem comum, mobilizassem Porto Alegre em uma cruzada contra a pedofilia?

O Rio poderia ser outro se Flamengo, Vasco, Fluminense e Botafogo lutassem juntos por saneamento básico em todas as favelas da cidade?

É claro que o poder público tinha que atuar mais, mas também é claro que nossos clubes poderiam fazer bem mais. Que não lutem por saneamento básico, mas que lutem por campanhas de vacinação, ou por mais exames de vista, doação de sangue…

O que não é possível aceitar é que novamente a violência tome conta da cidade. É inadmissível que pessoas sejam vítimas de emboscadas. Que injúrias racistas façam parte do cotidiano.

Recentemente – há cerca de um mês – a Rádio CBN consultou todos os clubes da Série A do Brasileirão e pouquíssimos têm atuantes departamentos de ação social. Alguns, perguntados se têm ou desenvolvem programas que estimulem o debate sobre racismo, chegaram a negar que exista racismo e, rumando contra a maré e contra a pergunta, começaram a falar mal do principal rival da cidade. Que vergonha!

Nossos clubes são grandes, mas poderiam ser enormes.

 



  • Alexandre Lambert Soares

    Bom artigo. Porém acho que só campanhas de conscientização cidadã ainda é pouco para o potencial que os clubes de futebol possuem. As escolinhas de futebol, podem ir muito além da preparação de futuros profissionais – organização básica de investimentos humanos e econômicos de um clube – estas escolinhas podem e devem preparar cidadãos. Apadrinhamento de escolas públicas que se situem perto dessas escolinhas com participação de diferentes profissionais, não só os ligados aos diversos esportes que o clube investe, e/ou queira investir, como ter equipe de assistentes sociais, de médico e dentistas e até programadores culturais, atuando não só junto ao potencial atleta para determinado esporte, como dando assessoria e assistência a família (se carente) dessa criança, pois quantos possíveis talentos esportistas e até artístico-culturais se perde devido aos desajustes sociais, psíquicos e econômicos de suas famílias, não sabemos – não sei da existência de nenhum estudo sobre este tema. Os clubes poderiam criar ONGs que seriam as responsáveis pelo projeto que teria como escopo, e até talvez como lema: mais que formando grandes atletas e artistas, formamos grandes cidadãos. Seria um trabalho maravilhoso que se somaria ao trabalho da educação formal dado pelas escolas públicas

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