Galo entre a cruz e a espada



“É um caminho sem volta”. A afirmação do atual prefeito de Belo Horizonte e possivelmente o maior presidente da história do Clube Atlético Mineiro, Alexandre Kalil, sobre o ressurgimento do Galo na disputa pelas principais competições, pode ter sido um equívoco.

Com folha de pagamento e elenco com status de Europa, a torcida do campeão mineiro viu seu treinador, em entrevista coletiva, pedir um voto de confiança no duelo válido pela Libertadores, na próxima quarta, contra o Jorge Wilstermann.

Quando Alexandre Kalil garantiu que a grandeza do Atlético havia sido restaurada, ele não falou com base em dados estatísticos sobre um futuro que nem ele e nem ninguém conhece. Era uma impressão, uma sensação.

A sensação inevitável quando Robinho perdeu o pênalti – da forma como perdeu – diante do Grêmio, com o placar adverso e na casa do adversário, é de que o ano se foi e a luta do Galo não vai ser pelas conquistas, mas pelo alívio.

O atleticano tem convivido com sensações nos últimos anos. Sensações que pareceram muito reais. Qual atleticano não teve a sensação de título de Libertadores quase dois meses antes do título se concretizar?

Qual atleticano não sentiu que o gol do Flamengo, marcado por Everton, na Copa do Brasil 2014 era apenas mais um filme repetido do que o torcedor já havia vivido contra o Corinthians?

A sensação, que pode trazer suspiros ou desespero, no momento fez acender o alerta. Sim, o time que poderia disputar tudo hoje passa a sensação de que joga para não cair.

O atleticano sofreu horrores aqueles dias de 2005 e 2006. Prometeram que isso não se repetiria, que o caminho havia sido aprendido, mas ninguém está imune ao erro. Ninguém.

Não é hora de cravar na testa de Rogério Micale ou até mesmo de Roger Machado o pior carimbo possível, mas é importante que a direção – bem diferente da época final de Kalil – entenda e assimile que o que foi visto em Porto Alegre não pode ser visto mais.

É triste ver nomes como o de Victor, Léo Silva, Marcos Rocha, Luan e até mesmo de Carlos César, sujeitos ao escárnio.

O Galo não é de um grupo de pessoas, mas o que se espera de um pequeno grupo que ‘cuida’ do Atlético é que se compreenda que o momento é de altíssima tensão.

A Libertadores marca um compromisso importante para o próximo meio de semana, mas a história do Clube é ainda maior que tudo isso. E, se o Galo passar, a sensação de desespero ainda não terá passado.

Falando um português bem claro, em 19 rodadas o time conquistou 23 pontos e vai precisar dos mesmos 23 sofridos pontos para respirar aliviado. É de alívio que falo.

Peço perdão aos colegas atleticanos. Não tenho o mesmo pudor que Luxemburgo teve no Flamengo, quando preferiu chamar de zona da confusão o que obviamente era a zona do rebaixamento.

 



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