Sai Roger e entra a interrogação



A quarta derrota em casa no Brasileiro foi a gota d’água que faltava para que Roger Machado caísse e o Galo ficasse sem treinador.

É impossível e desonesto não destacar que Roger levantou a taça do estadual, teve a melhor campanha da fase de grupos da Libertadores, está na Copa do Brasil e também na Primeira Liga.

É impossível e desonesto não destacar que o desempenho do time em campo não acompanhou a expectativa e nem mesmo alguns dos bons números do ano.

O futebol, em todo o mundo, é muito condicionado ao momento na tabela de classificação. No Brasil, a derrota exige não só explicação, mas, e especialmente, que o culpado seja exibido. Ainda que outro culpado tenha que ser exibido na próxima semana.

Roger, mesmo com ótimas ideias e classificação em todas as competições que disputou, não entregava tudo o que dele se esperava. O desempenho ofensivo caiu e a defesa não se mostrava tão acertada e equilibrada.

É claro também que é preciso perceber o momento de transição que o Clube Atlético Mineiro passa. Não o time, o clube.

Não precisa ser muito atento para observar que a lista de atletas inscritos na Libertadores mostra Alex Silva, Ralph, Rodrigão, Leonan, Bremer, Uilson, Yago, Jesiel, Cleiton e Gabriel. Todos atletas formados na base. Sem falar, claro, dos já vividos Rafael Moura e Marcos Rocha.

O elenco já experiente e caro está sendo mesclado com um sopro de juventude. E não é só em velocidade, “brilho nos olhos” e força física que os jogadores formados na base podem ajudar. O caixa do clube pode um dia agradecer.

O clube em transição deveria zelar pela manutenção de ideias. Talvez até em ideais. Uma mudança drástica pode fazer um processo interessante retroceder várias casas no tabuleiro do amadurecimento.

Se era para demitir, que demitissem. E não é difícil apontar os motivos para o desligamento. O grande problema é não ter a convicção de qual caminho deve ser trilhado.

A justificativa usada, a de que é preciso ganhar títulos, é vazia. Ganhar títulos é justificativa para muitos times e apenas alguns conquistam. É mais importante saber como conquistar e para conquistar é salutar ficar firme em planejamento, mesmo que isso implique que o tal título sonhado seja adiado para uma próxima temporada.

Para terminar, proponho uma reflexão: qual é o melhor o trabalho feito no Brasil? E o segundo melhor? Cada um tem a sua opinião, mas não dá para fugir muito de três nomes. Uns vão apontar o novato Fábio Carille. Outros vão com Renato Gaúcho e Jair Ventura. Perfis diferentes e bons desempenhos e resultados em comum.

Para Carille chegar a ser Carille foi necessário ele estar no clube há quase uma década e manter uma ideia, um modelo de jogo.

Para Renato apresentar o que tem apresentado o que foi necessário? Falei na semana passada com Marcelo Grohe e o que ele disse é quase consenso entre jogadores, analistas e torcedores gremistas. Renato aperfeiçoou ideias de Roger Machado.

Jair Ventura é estudioso, convincente em suas ideias, sério, focado e inteligente em apostar em um modelo de time mais reativo (que opta pelo jogo forte em contra-ataques).

Carille, Renato ou Jair conseguiriam fazer o elenco do Atlético render como rendem Corinthians, Grêmio ou Botafogo?

Não é de técnico que o Galo precisa. Precisa de técnico também.



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