Os bons sinais do novo Galo



A sequência de bons jogos do Atlético foi aumentada na noite de ontem. A partida valia para a definição de quem seria o primeiro do grupo 6, mas até mesmo o placar e a liderança do grupo merecem ficar em segundo plano.

O torcedor, em um primeiro momento, fez questão de estender o braço ao goleiro Victor. O histórico camisa 1 não foi ao jogo, mas se lá estivesse teria visto a manifestação de carinho quando o serviço de som anunciou o minuto de silêncio em homenagem ao seu pai. Um minuto de silêncio e palmas ao final.

Após o fim da partida e já com os três pontos no bolso, uma reflexão se tornou primordial: o modelo de jogo implantado pelo técnico Roger Machado é o responsável pelo crescimento do desempenho do time?

Vale lembrar. Campeão da Libertadores em 2013, da Copa do Brasil e da Recopa em 2014 e único time brasileiro a participar de todas as edições da Libertadores desde 2013, o Galo foi aos poucos perdendo a força e competindo menos. As velhas fórmulas, o jeito Galo Doido de ser, já não alcançavam os mesmos objetivos.

Fiz, recentemente em uma participação no programa Bola da Vez, da ESPN Brasil, uma analogia comparando o momento do Galo ao momento instável da vida que é a adolescência.

É linda a infância e é linda a adolescência. A criança feliz e faceira vai aos poucos cedendo espaço para o mesmo ser, mas um diferente ser. A correria desenfreada de uma criança ou de um adolescente já cede espaços para outras conquistas. É hora de crescer.

Os títulos baseados em talento individual e em correria para cima dos adversários em um Independência lotado já não chegam mais. Até mesmo o mando de campo havia deixado de fazer diferença na hora H. Corinthians e Grêmio perceberam bem isso.

Era chegada a hora de mudar, de crescer. Roger Machado sofreu as críticas que sabia que sofreria e respondia quase sempre o trabalho não era para aqueles três pontos, mas pela mudança de modelo de jogo. Não era uma adaptação a um esquema ou outro. Tudo teria que ser diferente.

Meticuloso, Roger foi ao campo. Amplitude, marcação zonal, espaço reduzido entre as linhas, oferecer lado do campo para pressionar. Não foram poucas as expressões que rasteiramente entram na ironia do futebolês, mas que podem ajudar a explicar as muitas mudanças citadas pelo treinador.

O Galo de ontem não foi o Galo Doido, mas foi intenso e quase adolescente para matar o jogo no primeiro tempo. O líder do grupo 6 trocava passes rápidos, curtos e em direção ao gol de forma convincente. Marcos Rocha e Fábio Santos abriam a marcação adversária se posicionando muito próximos da linha lateral do campo. Adilson protegia os zagueiros. Elias, em uma segunda linha, ditava o ritmo pela direita e tratava de recompor quando estava sem a bola. Yago ocupava o outro lado.

Robinho e Cazares se movimentavam. É óbvio que sem a bola eles têm mais dificuldade e são mais lentos, mas os dois mostravam boa vontade para fechar.

Victor, Giovanni ou qualquer outro goleiro atleticano já não é chamado a fazer milagres várias vezes no mesmo jogo. O Galo já é melhor protegido e preparado para envolver o seu adversário sem correr os desnecessários riscos que correu nos últimos anos.

E sim, é verdade que o Godoy Cruz teve desfalques e que o Sport Boys não é lá isso tudo. Não é dos adversários que falo. A observação é quase que restrita ao Atlético. É o velho Galo versus o novo.

Mas calma! É uma mudança que agora apresenta frutos legais, mas é cedo ainda. O time ainda vai ser surpreendido e mapeado pelos adversários. Vai errar. Errar de novo. Corrigir. Errar. Aprender com o erro e deixar de errar. Até se equilibrar e assimilar toda a mudança de modelo de jogo talvez muito ponto bobo seja deixado pelo caminho.

Entretanto, diferente da inevitável passagem da infância e adolescência para a maturidade, o futebol ainda oferece a opção de interromper o trabalho e costurar roupa nova com tecido antigo. Na minha visão, mesmo com tropeços e inevitáveis equívocos é um erro fazer voltar tudo o que já não rendia os títulos de ontem. Retroceder é errar. O Galo de hoje é melhor e mais confiável. E olha que o trabalho está apenas no início.



  • Wagner Carvalho

    Ótima análise! Parabéns!

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