Confiança e vitórias são aliadas de Carille no Corinthians



Reativo ou propositivo? A discussão sobre o estilo de jogo do atual Corinthians tem como intenção básica identificar traços mais marcantes do início de trabalho de Fábio Carille.

É fato que os números ajudam a construir a imagem de um time que se dá melhor quando a bola está com o adversário. O aproveitamento do Corinthians nos jogos em que o time teve menos posse de bola é de incríveis 88%. Com mais posse de bola, os números despencam para 42%

Ontem, em jogo válido pela Copa Sul-Americana, novamente o Corinthians teve menos a bola e também venceu. Pouco mais de 75% das vitórias em 2017 se deram da mesma maneira.

Perguntado em entrevista coletiva, Carille deixou claro que não se sente confortável com isso e destacou que o time precisa ter mais posse e ser mais criativo.

O último time do Corinthians a empolgar o torcedor foi o time treinado por Tite em 2015. Campeão brasileiro da temporada, o Corinthians foi se construindo e ganhando confiança com o passar dos jogos e o aumentar dos pontos.

O Corinthians de 2015 contabilizou 15 das 38 rodadas com um índice menor de posse de bola. A caracterização como time que propunha jogo se deu com o passar do tempo.

Nas primeiras 15 rodadas do Brasileirão 2015, o Corinthians teve menos posse de bola em oito jogos. Nas duas vitórias sobre o Cruzeiro, time que detinha os dois títulos anteriores, o Corinthians teve bem menos posse de bola e obteve duas vitórias. O segundo jogo, diante do seu torcedor, foi marcante pelos baixos números de posse de bola. O Cruzeiro saiu derrotado por 3 a 0, mas teve 62% de posse.

As duas marcantes vitórias sobre o Atlético MG, que foi vice de 2015, foram vitórias de um time que também trabalhou menos a bola, mas sabia bem as características do adversário e tratou de colocar em campo toda o conhecimento para fazer quatro jogos e não sofrer nem um.

O Corinthians de Tite não carregava o rótulo de ser reativo ou propositivo. Foi forte, competitivo e vencedor, mas muitas vezes não fez questão de ter a bola para envolver seus adversários. Fica muito claro que a confiança obtida pelos bons resultados e o tempo maior de convívio e assimilação de ideias produziram um time muito superior aos seus adversários nos momentos decisivos da competição.

Fábio Carille estava lá. O atual treinador do Corinthians fez parte da comissão técnica do time campeão de 2015. Ele era um dos mais importantes auxiliares que mais trabalhava o sistema defensivo da equipe.

Carille vai ter que conviver com os rótulos e vai ter também que trabalhar com maior ênfase a criatividade e o ataque do time. O estilo de jogo do Corinthians não é definitivo e os números de 2015 provam isso. A busca pelo melhor desempenho em campo é e deve ser constante. Nada impede de vermos uma mudança de conceitos. No momento, dar prioridade a uma maior organização e padrão defensivo representam passos corretos para que o time ganhe jogos e confiança para a temporada.

*Os números citados no texto são do Footstats.

 

 



MaisRecentes

Real convida o Barcelona ao divã



Continue Lendo

Um pouca da história dos técnicos estrangeiros no Brasil



Continue Lendo

Um jogão, cheio de erros, mas um jogão no Morumbi



Continue Lendo