Um clássico que nunca termina: Direitos x Deveres



O futebol brasileiro, no último domingo, viveu dias que merecem uma reflexão mais aprofundada. Nem falo da diferença aumentada do primeiro para o segundo colocado e muito menos da luta apaixonada pela permanência na elite. A reflexão, por incrível que pareça, passa muito mais pelo que aconteceu fora dos campos.

A Polícia Militar, atendendo a pedidos de uma Associação de Bairro e sugestão do Ministério Público, fechou as passagens que dão acesso ao estádio do Palmeiras. A alegação é de que as aglomerações favoreciam o comércio ilegal de bebidas, drogas e até mesmo roubos. Só mesmo quem estivesse com os ingressos do jogo poderia passar pelas imediações do estádio.

Entendo a chateação que é ser roubado e lamento que criminosos se aproveitem do fascínio que o futebol exerce, mas lamento mais ainda que o cidadão não possa mais andar livremente por onde deseja. Sim, é direito nosso ir ao bar que fica perto do estádio. É direito nosso ver o clima do jogo e até mesmo criar o hábito de beber cerveja nos bares mais próximos ao campo do jogo. É direito nosso ver todo amontoado em um minúsculo bar o jogo do time do coração.

E, se é direito nosso, é dever do Estado cuidar do cidadão que quer se divertir. Ele pode e deve querer sair de casa para rir do outro e com o outro. O cidadão, seja ele palmeirense ou não, não precisa andar com um ingresso na mão para passear na porta do estádio com o filho e criar na criança o desejo de um dia estar lá dentro com o pai.

Claro que vão surgir vozes contrárias, sempre surgiram. Se uns queriam liberdade para ir e vir, outros preferiam que não fosse assim. No entanto, é direito conquistado, regulamentado e a inversão de valores é clara. Se o cidadão tem que ficar em casa para que o crime diminua, está tudo completamente errado. Ele, eu e você temos o direito de sair e a segurança é obrigação do Estado.

E o que falar sobre a violência no Maracanã? O jogo entre Flamengo e Corinthians, as maiores torcidas do país, marcava a reabertura do palco do final da Copa e da última Olimpíada. O jogo foi bom, corrido, bem disputado e jogado. Entretanto, o noticiário policial acabou ganhando mais destaque.

É lamentável ver que torcedores partiram para cima de alguns poucos policiais que lá estavam para garantir a segurança. A cena em que uns dez ou quinze partem para cima de apenas um policial é triste, chocante e acima de tudo lamentável. Quem bateu e ameaçou o trabalhador em serviço, deveria ter sido preso imediatamente. E quem desenhou o planejamento de segurança no estádio também errou e deveria ser ouvido para tentar se explicar. Como tão poucos policiais estavam oferecendo segurança a tanta gente?

Fico imaginando a família daquele policial acompanhando aquilo tudo pela televisão. Cheguei a pensar nos filhos, se é eles existem, vendo o pai apanhando daquele jeito e correndo sérios riscos de vida. Ele , eu e você merecemos respeito. Ele estava em trabalho e foi agredido. Quem bateu, tem que pagar, tem que ser preso. A Polícia tem que identificar e se deslocar imediatamente para o local e lá mesmo, na hora do crime, prender quem bateu.

Não consigo achar normal e exemplar a ação da Polícia no pós jogo. Não consigo entender como correto o fato de não identificarem com os vídeos que o estádio têm e terem que prender no estádio quase 3 mil pessoas que nada tinham a ver com o caso. Não é justo ficar preso no estádio para que a polícia identifique quem é quem. Muita gente que lá estava não participou da confusão e do crime de agredir o policial. Aceitar  como correta a ação da polícia é aceitar o cárcere no estádio. Ou alguém imagina que todos que lá estavam sem camisa estavam de acordo com aquilo?

Se abrirmos mão de direitos conquistados e regulamentados há tanto tempo, aceitamos que é melhor retroceder. Se os torcedores erraram, que sejam presos os que cometeram o crime, mas quem nada tem com isso não pode ser confundido e ficar detido no estádio – nem que isso signifique a perda de dez ou quinze minutos. É dever da Polícia prender a pessoa certa e é direito do cidadão ir embora do estádio na hora que bem entender.

Não é nada aceitável também ouvir de jornalistas que a polícia tem mesmo que agir com energia. Ninguém, repito, NINGUÉM pode bater em alguém. Nem o policial pode apanhar e nem o cidadão. A justiça está aí é para punir mesmo. Agredir alguém é entregar o seu direito ao outro.



  • ILUSÃO 2011

    UM ABSURDO, UMA INCONSTITUCIONALIDADE, TRUCULÊNCIA. O CIDADÃO DE BEM TEM O DIREITO SAGRADO DE IR E VIR. O PALMEIRAS PRECISA TOMAR PROVIDÊNCIA PARA EVITAR NOVAS TRUCULÊNCIAS. O TORCEDOR MERECE SER RESPEITADO E O PALMEIRAS TEM ESSA OBRIGAÇÃO LEGAL. TEM QUE QUESTIONAR OS AUTORES DESSA TRUCULÊNCIA SEM NENHUM PRECEDENTE NO MUNDO.

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