Grêmio faz aniversário sem o brilho de Roger



Ele chegou como quem não queria nada. Gaúcho, mas tinha discurso de mineiro que come pelas beiradas. Pegou um time gigante e tinha um enorme desafio. O tempo foi passando e o padrão de jogo era facilmente percebido. O time dele sempre oferecia algo diferente e era nítido que o treino era bom. E vieram as vitórias, os tropeços e os muitos desafios e recomeços. Roger Machado fez o torcedor gremista sonhar e o torcedor gremista fez Roger acreditar em um projeto redentor. Sim, redentor.

As contas não estavam boas e a saúde financeira indicava cuidados. No entanto, como ter cuidados e continuar sendo o gigante que é? Como equilibrar o Livro Caixa e a tabela do campeonato? E para piorar a equação: como fazer tudo isso e ainda substituir um treinador experiente e histórico campeão tendo como experiência passagens pelo Juventude e Novo Hamburgo? O desafio de Roger não seria fácil, mas o caminhar foi feito com zelo no trabalho e olhos brilhantes, vivos e muito atentos.

Ontem, em Campinas, Roger e Grêmio se afastaram. A sequência era mesmo negativa e o grupo da frente parece estar cada vez mais distante. Roger, o treinador de brilho nos olhos e coração no trabalho, se viu sem forças para continuar e parou a caminhada. Logo ele que recebeu várias propostas para ganhar bem mais e optou pelo sonho do projeto gremista. Fim da linha. Fim do projeto. Entretanto, a história já está escrita e em todo canto e campo do país alguém falou da qualidade de jogo que aquele time dirigido por Roger Machado mostrou.

É irônico pensar que um dia depois da derrota para a Ponte Preta o clube celebraria 113 anos sem treinador. Ainda se fosse sem treinador até que tudo bem, mas o Grêmio vai ficar sem Roger e isso tem um peso ainda maior.



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