TV, patrocínios, estádio e altos salários: o fim da Ligue 1 é um golpe duro no PSG



“A temporada 2019-20 não poderá ser concluída”. Com essa frase, o primeiro-ministro francês Edouard Philippe deixou claro que a Ligue 1, o campeonato francês, não terá suas últimas 10 rodadas disputadas.

Após a Holanda dar o campeonato por encerrado, agora é a vez da França. Em maio a Liga deve se reunir para definir se haverá rebaixamento e campeão (o PSG tem 12 pontos de vantagem para o segundo colocado e um jogo a menos). Ainda que desportivamente encontrem um fim, economicamente a abreviação do torneio é um golpe duríssimo.

Antes de mais nada: se as autoridades entendem que do ponto-de-vista sanitário não é possível jogar, é preciso acatar a decisão e apenas lamentar. A saúde e a vida devem estar em primeiro lugar sempre.

Neymar y Mbappé, con el PSG

Fonte: Reuters

Com 27% do campeonato por jogar, as TVs que detém os direitos do torneio não quiseram pagar por um produto que não receberam e fizeram um acordo com a Liga. Não foi informado a quantidade de dinheiro que os clubes deixaram de ganhar. Neste caso, os pequenos tendem a ser os mais afetados, pois suas receitas dependem quase todas do dinheiro da televisão.

O PSG, principal potência do país, tem outros problemas. Há 50 dias sem jogar, os atletas aceitaram uma redução de 15% do salário durante o Estado de Emergência – que acaba em 11 de maio. Nos três meses seguintes, até a equipe voltar aos campos pela Liga dos Campeões (a previsão da UEFA é retornar o torneio em 7 de agosto), os jogadores poderão receber 100% de seus vencimentos caso não haja um novo acordo. Ou seja, o clube teria três meses de folha salarial cheia, mesmo sem ingressos. De acordo com o L’Equipe o salário anual dos jogadores chega a 371 milhões de euros.

Sem o dinheiro da TV, sem poder ganhar com o Parque dos Príncipes e talvez sem o dinheiro de seu patrocinador master. O clube de París é a quarta equipe da Europa que mais ganha dinheiro com a exploração de seu estádio. São €115M por ano e a tendência é que os estádios só voltem a receber torcedores quando haja uma vacina – algo que pode levar mais de um ano para acontecer.

No início do abril, a rede Accor Hotels, patrocinadora máster do clube, disse que não tinha intenção de pagar a segunda parcela anual do contrato, com vencimento em 30 de junho, caso o futebol não fosse retomado até lá. O valor é de 30 milhões de euros.

Perdas com TV, estádio, patrocínio e uma das maiores folhas salariais do mundo. O fim prematuro do Campeonato Francês pode mudar os planos e o rumo do PSG para as próximas temporadas.



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