Malcom, uma contratação desesperada e um problema a mais para o já confuso Dembelé



O Barcelona não precisava de Malcom. O que não quer dizer que se ele fizer 20 gols e 20 assistências na temporada eu vire um André Rizek (bem que eu gostaria, Rizek é ótimo). Mas entenda: o clube acaba de pagar 41 milhões de euros por um ponta de 21 anos que atua pelo lado direito do ataque. Já viu isso em algum lugar? Há um ano o Barcelona contratava Dembelé, 21 anos, um ponta que atua pelo lado direito do ataque. Gastou 140 milhões entre fixo e variáveis. A diferença é que Malcom é canhoto e Dembelé não tem muita certeza disso.

Com Malcom o Barça pode resolver o problema de não ter um jogador confiável para a posição – como Ousmane não demonstrou ser. No entanto, cria outro que é o que fazer com um cara de 140 milhões. Neste momento os dois são apostas e não é certo ter duas apostas na mesma posição. Um tem que ser um jogador pronto, de rendimento imediato e o outro sim pode ser visto como um talento a ser trabalhado para o futuro.

Além disso é provável que muitas vezes nem um e nem outro jogue. Duas apostas, 180 milhões de euros, no banco. Ernesto Valverde gosta de dar força ao meio-campo para liberar alguns jogadores. A formação mais coerente, pelo que o técnico mostrou na temporada passada, seria um meio-campo com Busquets e Arthur por dentro, Rakitic na direita e Coutinho na esquerda. Quando o time ataca, Coutinho fica muito perto de Messi e Suárez, formando um trio que é sustentado por jogadores de passe e consistência no meio-campo para suportar perdas de bola.

A entrada de Malcom ou Dembelé muda essa dinâmica. Rakitic joga por dentro, Arthur sai do time e Coutinho fica mais longe da área. Coutinho não dá tanto suporte e passe como os outros e a tendência é o time ter quase quatro atacantes, sobrecarregando Rakitic e Busquets e toda a defesa em contra-ataques.

A dupla de pontas é importante para jogos específicos, com campo para correr ou necessidade de abrir o campo contra defesas muito fechadas e times que apostem pouco por contragolpes. Boa parte dos adversários da Liga Espanhola que vêm ao Camp Nou para se fechar com 10 jogadores, por exemplo. Ainda assim, ambos têm dificuldade de trabalhar com espaços curtos para driblar e passar e o jogo de toque e aproximação da formação ideal citada acima parece o mais aplicável.

Malcom é uma aposta desesperada (basta ver como a negociação foi feita, com uma rasteira na Roma), de um clube que sabe que há incêndio, mas corre com a água sem saber onde está o fogo. Busquets segue sem um reserva, Rakitic fez 70 jogos na temporada passada e Semedo e Sergi Roberto apenas ocupam a lateral-direita.

Sem Paulinho e Iniesta era óbvia a necessidade de reforçar o meio-campo. No entanto o que o clube fez? Contratou uma aposta para competir com outra. E criou um problema a mais para o já confuso Dembelé.

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