Neymar, o grande perdedor da Copa



A Copa do Mundo é um alto-falante injusto. Tudo o que acontece em um torneio de 7 jogos em um mês, que ocorre de quatro em quatro anos, ganha proporções maiores que as devidas. Por exemplo, Leonardo foi considerado por muito tempo um jogador violento por conta da cotovelada em Tab Ramos, em 1994. Barbosa foi criticado a vida inteira por um gol em 1950. Cerezo foi o vilão de 1982 por inverter uma bola na frente da área. Cristiano Ronaldo era o cara que só quer se olhar no telão depois da Copa de 2010. Suárez já havia mordido Ivanovic na Inglaterra, mas a fama só chegou quando mordeu Chiellini.

Todos esses jogadores têm histórias muito maiores para serem reduzidos ao recorte injusto de uma Copa. Não queria que fosse assim e, pessoalmente, não dou a importância futebolística ao Mundial que a maioria dá. Acredito que as principais tendências táticas se desenvolvem em clubes, assim como o desempenho dos atletas é melhor medido no dia a dia. A Copa tem, evidentemente, toda a relevância como evento e como disputa, mas não para tirar conclusões. No entanto, é assim que acontece. Tudo que acontece nesse mês vira algo maior do que deveria.

E o que aconteceu com os maiores jogadores do mundo em 2018? Messi e Cristiano Ronaldo perderam, como sempre fizeram e como era esperado. Em times ruins, especialmente o da Argentina. No entanto, a dupla leva uma década no auge e não precisa mostrar mais nada a ninguém. Ainda há quem pense que existe espaço na Copa para fazer o que Maradona fez em 1986, Garrincha em 62 ou Pelé em 58. Enfileirar rivais e ganhar jogos sozinhos. Basta ver os jogos, os últimos campeões e os finalistas para entender que isso acabou e que o coletivo forte conta mais que nomes potentes.

Depois de Messi e Cristiano, de quem se esperava mais? Neymar. Era a sua Copa, do ponto-de-vista midiático. A primeira que o mundo o conhecia, após cinco temporadas na Europa e depois de se tornar o jogador mais caro de todos os tempos. 26 anos, auge técnico, milhões de seguidores, um time organizado, que se defendia bem, atacava bem, bons nomes para apoia-lo. Um lado esquerdo com Marcelo e Coutinho, enquanto Messi tinha Meza e Mercado pela direita, por exemplo.

E como Neymar deixa a Rússia? Com vídeos girando o mundo do atacante caindo e rolando. Crianças o imitam, comerciais se inspiram nele, adversários e técnicos reclamam, imprensa faz as contas de quanto tempo Neymar passa no chão. Após a eliminação do Brasil Neymar caído virou trocadilho para capas de jornais mundo afora. A Copa, esse alto-falante injusto, deixará essa imagem do brasileiro. Bom com a bola no pé, péssimo em todo o resto.

Existem três pontos diferentes na história.

1 – Neymar é um grandíssimo jogador. Dribla em velocidade, em curto espaço, finaliza bem, não se esconde do jogo e não se intimida. Seu futebol é indiscutível, ainda que saia da Copa com 2 gols e uma assistência em cinco jogos.

2 – Neymar recebe muitas faltas. Primeiro porque é difícil marca-lo, segundo porque provoca e consegue o que quer.

3 – Neymar exagera nas reações. Todo mundo sabe que não é para rolar tanto, gritar tanto e fazer tanto drama. A tentativa é de buscar cartões para os rivais, mas que pega tão mal para ele a ponto de quando é pisado no chão ser visto como o vilão da história.

Cristiano sofreu muito tempo com o rótulo de vaidoso e egoísta. Disse uma vez que as pessoas tinham inveja dele por ser bonito, rico e bom jogador. Começou a empilhar Ligas dos Campeões, gols decisivos, prêmios de melhor do mundo e não há quem não lhe reconheça como um gigante hoje.

Neymar já em 26 anos. Está longe de ser um menino, mas também fica longe de ser o melhor do mundo com as atitudes que tem. A imagem que deixa na Copa do Mundo é péssima e não apenas pela derrota, até porque a maioria vai perder.

Caso seja inteligente pode mudar a postura já na próxima temporada. Menos simulações, menos gritos e saltos, menos rolamentos. Não precisa mudar em quase nada o seu jogo, apenas as atitudes. Quem sabe assim o estrago à sua imagem causado pela Copa do Mundo não seja reduzido e o planeta não volte a trata-lo apenas como um excepcional jogador.

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