O inevitável saudosismo de quem perde Iniesta



Esta semana fui ao The Cavern, pub de Liverpool onde os Beatles começaram a se apresentar. Enquanto via um artista iniciante se esforçando para divertir a plateia, as paredes eram cheias de história dos momentos que aquele lugar havia vivido. Fiquei pensando quantas e quantas vezes as pessoas foram ali pensando que veriam surgir os novos Beatles.

É o mesmo sentimento que tenho agora, escrevendo este texto, sentado em frente ao Camp Nou. Iniesta deixará o Barcelona daqui a cinco jogos e por quanto tempo a torcida do Barcelona voltará aqui esperando ver algo parecido.

É saudosismo. Eu sei. Mas é impossível não ser saudoso diante de algo tão especial.

Depois dos Beatles vieram os Roling Stones, o U2, Madonna e não sei nem citar mais quantos sucessos. Antes de Iniesta tivemos Ronaldinho, Maradona, Cruyff e tantos outros apenas no Barça, quanto mais no futebol mundial. Quantos outros grandes não virão?

É a lei da vida. Todos sabemos. Mas é estranha a sensação de que Andrés não vai estar mais com a camisa 8 do Barcelona. Fica ainda pior se somamos que já não estão Xavi, Puyol, Valdés e que logo Messi, Piqué e Busquets também não estarão aqui.

Por mais que todo mundo saiba que o futebol não acaba aqui, todo mundo também sabe que um capítulo muito importante está se fechando. Quem lê isso e não tem nenhuma admiração pelo Barcelona, no mínimo, há de reconhecer. Quem gosta do clube sentirá algo parecido. Quando você está aqui, inserido no dia a dia, em tantas e tantas idas ao estádio, quando conhece o que é isso, é muito estranho. Parece que Iniesta decidiu sozinho tirar algo de todos e que não há nada a fazer que não seja lamentar.

Em algum tempo minha etapa aqui em Barcelona deve acabar (devo voltar para o Brasil, ir pra outro lugar, não sei. É outra história pensar que viver para sempre aqui é algo bom o bastante para ser real). Enfim, eu irei, mas aos que seguirão por aqui eu imagino o quanto será difícil. Olhar para a grama verde do Camp Nou, em um sábado qualquer de 2034 e lembrar de um domínio impossível ou uma saída sem espaço encontrada por Iniesta. Assim como quem vai ao Cavern e olha fixamente para aquele palco esperando para ver um novo Beatle.

A vida pode ser boa e será. O futebol vai continuar e até já continuou, porque com Coutinho o Barça estará bem. Só não me parece que será o mesmo.



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