Wenger sai merecendo respeito, mas sem deixar bom legado ao Arsenal



No futebol há duas formas de deixar um legado. Ou você ganha, ou inspira como ganhar. Mourinho, Guardiola e Ferguson marcaram as últimas décadas ganhando e inspirando. Marcelo Bielsa é um dos que inspira pelo estilo. Em 22 anos afrente do Arsenal, Arsene Wenger teve seus momentos.

A temporada 2003-04 merece ser emoldurada. Ganhar o título de forma invicta, envolvente, ofensiva, com jogadores que o próprio Wenger apostou quando poucos os conheciam. Foi seu terceiro título da Premier League em oito anos, o mais brilhante já visto na era moderna do torneio.

Porém 22 anos são muito tempo. Nas últimas 13 temporadas nada mais que três Copas e três Supercopas. O Arsenal não é um modelo de clube vencedor, não encorpou consideravelmente seu quadro de troféus nas duas últimas décadas e tampouco é um modelo de clube.

Nos últimos anos Chelsea e Manchester City cresceram de forma artificial com um aporte financeiro que os obriga a conquistas, é verdade. Mas o Arsenal também tem se visto superado por Tottenham, Liverpool, viu o Leicester ganhar a Premier League e a distância para o Manchester United se tornou gigantesca.

O modelo que parecia ser de seguir apostas e praticar um futebol ofensivo não deixou o Arsenal mais rico com vendas, mais vencedor ou fez outros buscarem o mesmo caminho.

Wenger merece ser homenageado pelo respeito e dedicação em mais de duas décadas dedicadas ao clube, merece ser reverenciado pelos feitos no início do anos 2000 e merece estar na história pelo título de 2004. Não vejo, no entanto, como dizer que deixa um legado a um clube que se acostumou a perder.

 



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