Roma não merecia o 4-1, mas mereceu o 3-0 e ainda ficou barato



Em 2017 eu estava no Camp Nou no dia 8 de março quando o Barcelona reverteu o 4-0 do PSG. Em 2018, no Olímpico de Roma, onde os italianos reverteram o 4-1 do Barcelona em 10 de abril. Duas grandes viradas com contornos diferentes e que desafiam clichês do futebol.

Foram jogos completamente diferentes – como todos são, aliás. No 6-1, os franceses pareciam temer o Barça. Gravaram um vídeo antes falando do tamanho do gramado do Camp Nou, que o tempo não passava nunca e ficaram amedrontados sem jogar contra um adversário que só ofereceu luta.

Na Itália foi diferente. O Barcelona está acostumado à pressão, aos grandes jogos e não pareceu intimidado. Pareceu, sim, não saber o que acontecia dentro de campo. A Roma era um furacão de pressionar, acreditar e não deixar que o time de azul respirasse.

No fim de semana o técnico Eusébio Di Francesco poupou alguns titulares diante da Fiorentina. Era um sinal que ele acreditava ser possível fazer três gols e não sofrer. O treinador falou em milagre na véspera do jogo. Nem foi tão milagroso. Foi natural. O 3-0 ficou barato e pelas chances criadas ele poderia ter acontecido antes dos 35 minutos do segundo tempo.

O futebol é o esporte mais traiçoeiro que há. Em um jogo de basquete um time faz 40 cestas. São 40 acertos que valem pontos. O time que ganha um jogo no vôlei faz mais de 100 pontos em uma partida. No tênis se disputam centenas de pontos até o vencedor ser definido. Em jogos de acerto é normal que o melhor sempre vença.

No futebol a coisa é o contrário. É um esporte de erros. São 1, 2, 3 “pontos” por jogo. O Barcelona chegou com a melhor defesa da competição, a Roma tinha o pior ataque entre os 8 quadrifinalistas, um vinha de vitória e outro de derrota. Porém, em um jogo de poucos pontos todos eles fazem a diferença. E por isso o favoritismo é mais teórico que em outros esportes.

No final, o melhor venceu. A Roma não mereceu perder por 4 a 1 em Barcelona, mas mereceu o 3 a 0 ou até mais na Itália. Di Francesco fez o certo ao acreditar tanto e certamente transmitiu isso muito bem aos seus jogadores.

Os gialorrossi seguirão como azarões, mas já provaram o que são capazes de fazer.



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