Técnico da Islândia vê seleção como realidade “Se somos uma surpresa, é para quem acabou de chegar”



Há dois anos a Islândia nunca havia jogado uma Eurocopa ou uma Copa do Mundo. Era uma seleção pequena e desconhecida até mesmo em seu continente. O sucesso recente faz o futebol no país levantar a cabeça e não querer ser visto como um “mascote” futebolístico.

O primeiro feito foi a classificação para a Euro passando duas vezes pela Holanda e em grupo ainda com Turquia e República Tcheca. No torneio disputado no meio de 2016 na França, conseguiu se classificar à frente de Portugal na primeira fase, venceu a Inglaterra nas oitavas-de-final e só foi cair para a França nas quartas. A coreografia barulhenta de sua torcida, repetida no campo pelos jogadores e a bravura do time chamaram a atenção do mundo.

Nas eliminatórias para a Copa do Mundo passaram em primeiro em um grupo com a Croácia de Modric, Rakitic, Mandzukic e Perisic. Estão em um grupo com a própria Croácia, Nigéria e Argentina. Muita gente considera o caminho da seleção de Messi difícil por ter a Islândia pela frente.

A recém-criada Liga das Nações terá em sua primeira divisão as 12 seleções mais bem ranqueadas da Europa e a Islândia está na elite. No evento de lançamento do torneio perguntei ao treinador Heimir Hallgrímsson até quando os islandeses serão considerados uma surpresa. Com bom humor, mas também ironia, o técnico deu o recado sobre sua equipe.

“Para alguns é uma surpresa. Estamos em um bom nível nos últimos 4 anos. Se somos uma surpresa, é para quem acabou de chegar. Sério, isso é bom. Acho que podemos manter esse nível e tomara que a gente siga surpreendendo as pessoas”.

A população da Islândia é de 334 mil habitantes. Menor que Ribeirão Preto, Caxias do Sul, Juiz de Fora ou Feira de Santana. Islândia quer dizer Ice Land, terra do gelo. E não é por acaso. Nos meses mais quentes do ano a média de temperatura é de 14 graus. O inverno é longo e rigoroso e não é comum que as poucas crianças de um país tão pouco povoado joguem futebol nas ruas, campinhos ou pátio de colégio. Isso só torna o feito de montar uma seleção que chega a uma Copa do Mundo, quartas-de-final de Euro ou se “intromete” entre as 12 do continente ainda maior.

O treinador explicou como é possível atingir esse nível.

“É muita coisa que precisai funcionar junta. Temos um bom trabalho com os jovens na Islândia, muitos jogadores jogando em outros países da Europa. Temos uma liga amadora na Islândia então a maioria dos jogadores atua no exterior, na Europa. Mas desenvolvemos bem os jogadores para que sejam bons o bastante para atuar em boas ligas. Não temos jogadores do calibre dos brasileiros, mas produzimos bons jogadores de grupo. Esse é um dos motivos”.

De fato, a liga islandesa é formada por 12 equipes e não são todos profissionais. Muitos precisam também manter outras atividades além do futebol. Todo o elenco que jogou a última Euro era formado por jogadores que atuam no exterior. No entanto o trabalho com os jovens é levado a sério e a formação tem sido satisfatória. Além disso, há investimento também em infraestrutura, com campos aquecidos e cobertos para que se possa praticar futebol também nos meses mais frios.

A Islândia ainda surpreende, apesar do discurso do técnico. Mas não é obra do acaso e sim de trabalho sério e consciente.



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