Recomeço de Pato será longe dos holofotes, badalação e até de aeroportos



Alexandre Pato volta a Europa para mais um recomeço. Aos 27 anos e com os gigantes Internacional, Milan, Corinthians, São Paulo e Chelsea no currículo, o atacante vai para sua aventura menos badalada. Longe de holofotes, do mundo da moda, dos grandes restaurantes ou do luxo. Nada a ver com Milão, São Paulo, Porto Alegre ou Londres.

Villarreal é quase um povoado. Cidade de 50 mil pessoas, um bairro de São Paulo. Situada na comunidade valenciana a cidade é praticamente um distrito da já pequena Castellon. Da estação de trem da cidade até o estádio El Madrigal se pode ir andando por 15 minutos e atravessar toda a cidade que não tem atrativos. Ali não chegam os trens bala de Madrid ou Barcelona e é preciso fazer a baldeação em Castellon. Aeroporto nem se fala. Valencia, a 80km de distância, é de onde decola o avião mais próximo.

Quase nenhum jogador do Villarreal vive em Villarreal. As cidades próximas, litorâneas são as preferidas pelos atletas. A loja do clube é pequena, não enche de turistas, não é uma febre e fecha durante a siesta pós-almoço. Entre 14h e 17h será impossível que alguém compre uma camisa de Pato na cidade onde ele jogará. Os funcionários vão almoçar, descansar e depois voltam para trabalhar. Não existe a megalomania de Barcelona e Real Madrid, suas megastores de três andares e funcionários que falam espanhol, inglês e chinês para atender os clientes do mundo inteiro.

O Villarreal não foi afetado pela crise espanhola e se orgulha de ter uma das melhores saúdes financeiras do país. O dono, um empresário do ramo da cerâmica, queria investir no Castellon nos anos 90. O negócio não saiu e o Villarreal ganhou alguém que o fizesse chegar à primeira divisão. São apenas 17 temporadas na elite espanhola. O único título de sua história é da terceira divisão, em 1970.

Ainda assim o time já foi semifinalista da Liga dos Campeões em 2006. Um pênalti perdido por Riquelme no último minuto impediu que o jogo fosse para a prorrogação. Riquelme, Forlan e Marcos Senna são as estrelas mais conhecidas que passaram pelo Submarino Amarelo. O brasileiro é o maior ídolo do clube e tem uma homenagem com uma porta com seu nome no estádio.

Quarto lugar no último Espanhol, o Villarreal disputa a fase preliminar da Liga dos Campeões em agosto. Tentará participar da maior competição do mundo pela quarta vez.

Pato não irá comer o pão que o Diabo amassou. Tampouco será capa de jornal diariamente na Espanha. Será normal se não notarem que mudou o penteado, fez a barba, tem uma nova namorada ou uma nova tatuagem.

Se o problema do atacante era pensar em mais coisas que o futebol precisava, terá tempo de sobra para pensar apenas em sua profissão no novo clube. Até porque, em Villarreal, não há muito mais o que fazer.

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