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Varejão está no melhor time da NBA. Agora vai?

por Thiago Perdigão em 26.fev.2016 às 15:59h

* Coluna publicada no diário LANCE! do dia 24 de fevereiro. E atualizada

Anderson Varejão está agora no elenco do Golden State Warriors, atual campeão da NBA e favoritíssimo ao título desta temporada. Está no elenco, porque não dá para saber se ele vai jogar.

Varejão tem uma característica diferente da que o Warriors joga. Mas isso não quer dizer que o brasileiro não terá função no time. Mas será em algumas situações bem específicas para aumentar o poder do garrafão. Mais defensivamente. Sobretudo nos playoffs. E possivelmente contra o San Antonio Spurs, talvez a única equipe capaz de vencer uma série contra Golden State. Mesmo assim, somente para a rotação com o pivô Andrew Bogut.

Isso quer dizer que a ida para o Warriors é ruim para Varejão? Na minha opinião, não. Por incrível que pareça, o brasileiro deve e já está tendo mais chances de jogar no Golden State do que tinha no Cleveland Cavaliers, também favorito a chegar à final da NBA deste ano.

Para o Warriors, além de uma mínima qualificada em seu elenco – que nem precisava, diga-se -, ganhou um jogador que conhece como poucos um provável rival da decisão. E qualquer vantagem é vantagem nesta fase do campeonato.

Claro que Anderson não é apenas um “espião”. Varejão ainda é um atleta capaz de jogar na NBA. Mas é normal algumas franquias desconfiarem dele, que conviveu com várias graves lesões nestes últimos anos e não conseguiu se firmar no Cavaliers, onde tinha moral tanto com os torcedores quanto com LeBron James, estrela maior e “dono” da companhia.

Varejão terá uma pequena chance de mostrar sua qualidade e vai chegar descansado para a Olimpíada. Ruim para a Seleção ele chegar sem ritmo de jogo? Não acho. É ruim ficar sem ritmo, mas Anderson deverá estar saudável para a Rio-2016. Ele ainda é fundamental para o time. E sem Splitter, será ainda mais. Aguardemos!

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Kobe: os últimos momentos de um ídolo que merece todas as homenagens

por Thiago Perdigão em 18.fev.2016 às 14:54h

* Coluna publicada no diário LANCE! no dia 18 de fevereiro

Kobe Bryant não é o maior jogador de basquete de todos os tempos. Não é o meu jogador favorito. Mas quem se importa com isso?

Kobe está em sua última temporada como profissional. Uma carreira muito vitoriosa de jogador que está na lista dos melhores da história da NBA tranquilamente. Fará falta para os fãs, não apenas do Los Angeles Lakers, mas do esporte. Não é fácil para qualquer Liga se recuperar de uma perda dessas. Mesmo que Bryant já esteja sofrendo com lesões há um tempo.

Kobe jogou, no último domingo, seu último All Star Game. Foi o mais votado para o evento. Homenagem justa da torcida para um craque. Como foram justas também as homenagens feitas dentro da quadra em Toronto. Feitas pela NBA, que fez questão de reverenciar o atleta por todos os seus feitos. E também as feitas pelos seus companheiros de profissão, que fizeram de tudo para elogiar Bryant sempre que possível durante todo o Fim de Semana das Estrelas.

Kobe tem o privilégio de ser homenageado ainda como jogador. Algo que é raro e belíssimo. Pena que são poucos os atletas tiveram o mesmo “tratamento” na carreira. E não foram poucas as vezes que Bryant foi lembrado durante esta temporada. Em quase todas as cidades em que se “despediu”, o camisa 24 do Lakers foi aplaudido pelos torcedores rivais, que deixaram de ser rivais por alguns minutos.

Kobe só não foi “homenageado” pelo Lakers, seu único time na carreira. Bryant merecia um time muito melhor do que o desta temporada – e das últimas também. O camisa 24 merecia, ao menos, uma equipe com qualidade de playoffs. E, quem sabe, vencer algum duelo. Mas o Lakers de 2015/2016 é bem fraco, talvez, o pior da era Bryant.

Kobe já avisou que não vem para a Olimpíada do Rio. Poderia se despedir com uma medalha de ouro, mas preferiu não se candidatar a uma vaga na seleção. Seria interessante vê-lo jogar mais uma vez em um time de altíssimo nível, se divertindo em quadra. A seleção americana deste ano tem tudo para ser uma das melhores de todos os tempos, sem dúvidas. Com Bryant, seria ainda mais forte. Mesmo com ele não estando em seu melhor momento.

Kobe, obrigado por tudo!

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Cam Newton deve aprender a lição rapidamente. E ele pode fazer isso…

por Thiago Perdigão em 09.fev.2016 às 14:49h

* Escrevi também sobre Peyton Manning aqui

Cam Newton foi o melhor jogador da temporada de 2015, recém-terminada. E não somente pelo prêmio de MVP ou pela ótima campanha do Carolina Panthers, o melhor time do ano até o Super Bowl do último domingo. Newton jogou em um nível poucas vezes visto nos últimos tempos. Os merecidos prêmios foram “apenas” o reconhecimento disso tudo.

O camisa 1 do Panthers alia muito bem a corrida e o passe. Quarterbacks corredores pareciam que seriam o futuro único da NFL. Mas essa tendência não se concretizou. Steve Young, Michael Vick, Russel Wilson e Cam Newton são alguns dos atletas com essas características que se destacaram. Young, na década de 1990, e Wilson, há dois anos, foram campeões e protagonistas.

Cam Newton pode, tranquilamente, entrar nesse grupo. Seu jogo evoluiu muito nos últimos anos. Perdeu a tendência de correr antes e lançar depois, o que ajudou muito. Quem corre se expõe demais e ganha de menos. O jogo aéreo é a melhor opção da NFL, e Newton é um bom passador. Em alguns momentos, consegue lançar no mesmo nível dos grandes. Como também é muito atlético, ele pode optar rapidamente por correr. Com jogo aéreo e terrestre “misturados” fica perto de imparável.

Mas o camisa 1 acordou ontem com a cabeça inchada. Foi mal no Super Bowl 50, até aqui o maior jogo de sua carreira. Algumas críticas são justificadas, mas não dá para analisar uma carreira inteira por isso. Newton, agora, precisa aprender com o que aconteceu no Levi’s Stadium. Precisa ler melhor defesas adversárias, entender a pressão e ser decisivo nas poucas chances em que tem a bola em sua mãos. E ele tem qualidade para isso. Depende dele…

Pessoalmente, não gosto da maneira como Cam Newton gosta de se mostrar. Sinceramente, ele ainda fez pouco na NFL para fazer tanta pose. Mas me parece que toda essa história de Super-Homem é um personagem que criou para se blindar. Só não pode acreditar tanto nele…

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O legado de Peyton Manning é maior do que qualquer título da NFL!

por Thiago Perdigão em 08.fev.2016 às 16:31h

Há pouco mais de dois anos, Peyton Manning sofria com críticas por sua má atuação em um Super Bowl. Hoje, é celebrado por uma conquista no mesmo palco. Como escrevi na época, um legado não pode ser medido por um jogo. Mesmo que esta seja a maior das partidas do futebol americano.

O legado de Peyton será eterno. Não importa se com um ou com dois anéis de Super Bowl, como ele tem desde o último domingo. Manning não foi o melhor em campo no Levi’s Stadium, em San Francisco. Não foi o melhor, como de costume em sua carreira, quase nunca nesta temporada, a provável última. Mas o Denver Broncos foi campeão. E é óbvio que vitórias e derrotas marcam um jogador. Mas Peyton Manning é mais do que qualquer derrota. Ou vitória. Ou título.

Foi ótimo ver o camisa 18 levantar o troféu Vince Lombardi no provável último jogo dele. Mesmo que o quarterback não tenha anunciado a aposentadoria, é possível que não o vejamos mais em campo.

Peyton não é o maior campeão. Apesar de ter talento para isso. Mas Manning é o quarterback mais velho a ganhar o Super Bowl, o único da posição a ganhar por dois times diferentes… números importantes e que são bem difíceis de se igualar.

A defesa do Broncos foi o destaque do jogo do último domingo, sem dúvidas. Von Miller, DeMarcus Ware & Cia. jogaram em um nível absurdo. Ganharam o jogo, sem nenhum exagero na análise.

Sorte de Manning que o elenco montado por John Elway tenha feito a diferença para o quarterback. Sorte de Manning que seu time tenha dado outra oportunidade para ele vencer. Mas a maior sorte é de todos que puderam jogar com Peyton. Que puderam torcer por ele. Que puderam vê-lo em campo (mesmo que da televisão).

O legado de Peyton Manning é ter ajudado a revolucionar o jogo da NFL. Ótimo que tenha parado no Super Bowl com um título. Mas ele já estava na história muito antes do dia 7 de fevereiro de 2016…

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NFL e Super Bowl cada vez maiores e mais internacionais

por Thiago Perdigão em 07.fev.2016 às 14:41h

* Coluna publicada no caderno especial do Super Bowl no L! do dia 7 de fevereiro

Finalmente chegou o dia. A 50ª edição do Super Bowl, o maior evento esportivo dos Estados Unidos – e um dos maiores do mundo – será realizada neste domingo no Levi’s Stadium, em San Francisco, na Califórnia.

Finalmente porque quando a AFL e a NFL se juntaram e criaram o Super Bowl, que nem tinha esse nome na época, pouca gente poderia imaginar que a final da Liga de futebol americano se transformaria no “monstro” que é hoje.

Como estamos em uma edição especial do jogo, o dinheiro gerado deve ser ainda maior do que o costumeiro. O comercial de 30 segundos custou cerca de US$ 5 milhões (quase RS 20 milhões), US$ 500 mil a mais do que em 2015. Isso porque a expectativa de audiência para hoje, lembrando que nos EUA não se festeja o Carnaval, é quebrar o recorde do ano passado, que teve cerca de 114,4 milhões de espectadores somente no país do evento.

E a tendência é que esse número realmente cresça, já que as audiências durante toda esta temporada da NFL foram superiores as da anterior. Os jogos de futebol americano foram as 12 maiores audiências da temporada de outono americana e esses números permaneceram ótimos em dezembro e janeiro. Como o Super Bowl tradicionalmente atrai até quem não é tão fã do esporte, fica fácil imaginar que teremos nova quebra de recorde na TV.

E a expansão do futebol americano só cresce. A internet ajudou muito nisso, já que permitiu que mais gente pudesse ter acesso aos jogos fora dos EUA. O modo como se acompanha o esporte é um pouco diferente da maioria, já que o fã quase nunca assiste só ao seu time favorito. Isso explica, por exemplo, porque no Brasil os números também tem sido positivos. Segundo dados da ESPN, que tem a exclusividade dos jogos para os canais fechados, mais de 500 mil brasileiros assistiram os playoffs desta temporada. Número significativo e que não para de crescer. E ainda há a audiência do Esporte Interativo, que também transmite.

É tão significativo que cada vez mais vemos a NFL olhar para o mercado do Brasil. Apesar de não ser uma novidade, agora são cada vez mais comuns posts da Liga em português nas redes sociais. Até uma campanha da conta oficial do Twitter convidou os fãs brasileiros que conhecem pouco o jogo a enviarem perguntas com a hashtag #NFLRookie para eles ensinarem alguns aspectos do esporte. Há pouco tempo, a NFL também lançou um bom vídeo em português que também tinha o objetivo de ensinar o fã iniciante.

Esse interesse chamou a atenção também do mercado publicitário. Gillette e Budweiser, por exemplo, são parceiras da Liga há muito tempo nos EUA. Nesse ano, passaram a anunciar também do Brasil. Vinculando as suas marcas à NFL.

Já há jogos regularmente na Inglaterra e no Canadá. Em 2016, a Liga voltará ao México (o maior mercado do futebol americano fora dos EUA). Os próximos destinos devem ser Alemanha e Brasil. O primeiro deve “surfar na onda londrina” e ficar com uma partida em breve. Já o plano da NFL envolve mesmo o Pro Bowl, o evento das estrelas que não emplaca mesmo nos Estados Unidos. Na minha opinião, a única chance de salvar o Jogo das Estrelas é internacionalizando-o. O futebol americano é cada vez mais mundial.

Especial Super Bowl 50: confira a capa do caderno do L!

por Thiago Perdigão em 05.fev.2016 às 16:31h

Pelo segundo ano consecutivo, o  LANCE! vai publicar um caderno especial de oito páginas com tudo sobre o Super Bowl 50. Este caderno será encartado com a edição do próximo domingo do diário. Neste material, teremos um campo com a escalação completa dos times, jogadas e explicações, dá até para destacar e guardar para acompanhar melhor o jogo. Além do papel, haverá ainda matérias especiais no site do L!, que também acompanhará o duelo entre Denver Broncos x Carolina Panthers em  Tempo Real.

O especial foi feito por mim, os repórteres Felipe Domingues e Thiago Ferri e diagramado por Luis Tupã e capa de Henrique Assale.

Aqui, a capa:

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Madden já ‘definiu’ seu vencedor para o Super Bowl. E isso é bem importante…

por Thiago Perdigão em 03.fev.2016 às 17:57h

* Coluna Made in USA publicada também no diário LANCE!

Se você já teve curiosidade de ver um jogo do Madden, popular simulador da NFL para videogames, com certeza ficou impressionado com a qualidade do game produzido pela EA Sports. Além dos gráficos, a preocupação com os atributos dos jogadores, sempre atualizados semana a semana, deixa o jogo ainda mais real. Isso criou uma tradição interessante, e muito importante, para a semana do Super Bowl.

Há 12 anos, a EA usa o Madden para simular o Super Bowl. Destas 12 “tentativas”, o jogo acertou nove. O primeiro erro foi em 2008, na quinta edição do evento da produtora. O game “previu” que o New England Patriots, invicto na temporada, ganharia do New York Giants. Mas o Giants conseguiu a maior zebra da história do Super Bowl. Jogo que nesta quarta, curiosamente completou oito anos. O segundo erro foi em 2011, quando o Madden apostou no Pittsburgh Steelers, mas deu Green Bay Packers. Na minha opinião, essa era uma final sem favorito. Há dois anos, o simulador disse que o Denver Broncos ganharia do Seattle Seahawks. Mas não foi isso o que aconteceu e o Seahawks sobrou contra o Broncos de Peyton Manning.

Na temporada passada, o Madden acertou que o Patriots ganharia do Seahawks. Mas além disso, cravou o placar (28 a 24) e que o touchdown da virada seria anotado por Julian Edelman. Um erro? O jogo disse que Tom Brady lançaria para 335 jardas e quatro touchdown, mas ele “só” conseguiu 328. “Imperdoável”, né?! (obviamente esta é uma ironia).

Para domingo, o Madden aposta na vitória do Carolina Panthers por 24 a 20, com Cam Newton como o MVP. Na simulação, fica claro que as defesas serão protagonistas no jogo. Justamente a minha expectativa para a final. Para mim, apesar de ataques fortes, as defesas de Broncos e Panthers são os setores mais decisivos. Das duas equipes. A de Denver é até um pouco mais talentosa, mas a de Carolina está jogando em altíssimo nível. Só é um pouco menos experiente e isso pode pesar.

Feita a simulação do Madden, quero deixar o meu palpite. Quebrei a cara, é verdade, ao apostar contra o Panthers nos dois jogos anteriores do playoff. Já escrevi aqui que este é um time melhor do que as pessoas pensam, mas pior do que a campanha mostra. Mesmo assim, jogou em um nível muito bom na pós-temporada contra ótimos times (Seahawks e Arizona Cardinals).

Apesar disso, acho que o Broncos vai levar essa. Apesar de Peyton Manning não confirmar, essa deve ser a última partida dele na NFL. E esse é um ótimo motivo para ele, e seus companheiros, se superarem. Manning será o jogador mais talentoso que estará no Levi’s Stadium no domingo. E ele ainda tem um pouco de lenha para queimar. É isso!

Abaixo, a simulação da EA Sports:

Peyton Manning e o ‘último rodeio’ de um mito da NFL

por Thiago Perdigão em 29.jan.2016 às 15:03h

* Coluna publicada no diário LANCE! do dia 27 de janeiro

Peyton Manning está, pela quarta vez em sua carreira, no Super Bowl. Pode ganhar o seu segundo título da NFL. O primeiro pelo Denver Broncos, que apostou muito na contratação do quarterback em 2012. Uma aposta porque a franquia sabia que teria o camisa 18 por pouco tempo em campo. Aposta no curto prazo, que deu resultado. Mas a equipe poderá ter problemas no futuro próximo, já que tem muitos veteranos caros.

Na semana passada, escrevi neste espaço sobre as virtudes de Manning. Há uns meses, elogiei a decisão do Broncos de poupar o quarterback, que estava lesionado, para deixá-lo pronto para os playoffs. Peyton não foi perfeito contra Pittsburgh Steelers e New England Patriots, é verdade. Mas fez o suficiente.

É bem claro que a defesa de Denver tem feito um grandíssimo trabalho, ajudando até a tirar o peso do camisa 18 e “facilitando” a sua vida. É o principar setor do time neste ano. E como costumam dizer por lá “defesas ganham campeonatos”…

Peyton Manning não é o jogador mais vencedor da história da NFL. E vai ficar longe deste posto. Apesar de ter quebrado quase todos os recordes individuais de um quarterback. Números que são importantes, é claro. Mesmo tendo a certeza que o atleta do Broncos trocaria todos esses números por mais alguns títulos.

Agora, Manning terá mais esses dias antes da final para “curtir” o momento. As duas semanas que precedem o Super Bowl são muito intensas. E inesquecíveis. O camisa 18 a vive pela quarta vez. E última. Ele ainda não confirmou, mas deve se aposentar. No último domingo, contra o Patriots as câmeras flagraram ele falando para o técnico Bill Belichick que este é o seu “último rodeio”. Pena…

A partir do dia 8 de fevereiro, a NFL será diferente. Mesmo se Manning não tiver ganhado seu segundo título. O Carolina Panthers, apesar de menos experiente, parece ser favorito neste momento. Peyton mudou o futebol americano e seu legado não será medido pelo número de títulos ou fracassos.

Outras lendas da Liga se aposentaram após vencerem um Super Bowl. Dos mais recentes, os defensores Ray Lewis, ex-Baltimore Ravens, e Michael Strahan, ex-Giants, dois jogadores Hall da Fama. Assim como John Elway, o “chefe” de Peyton atualmente, que passou por isso com o Broncos. A Liga segue, mas os fãs irão sofrer.

A aposentadoria com título seria um desfecho merecido para a carreira de um dos maiores jogadores da história. Mas Peyton Manning precisará jogar, e muito, para conseguir esse anel. O quarterback várias vezes não brilhou como o esperado nos playoffs. Mas quem se importa? É hora de se preparar para ver os últimos lançamentos, ouvir alguns “Omahas”, e admirar um dos maiores em ação.

Até logo, mito!

Twitter: @twitter

Brady x Manning: o último capítulo de uma rivalidade que não precisa de vencedores

por Thiago Perdigão em 21.jan.2016 às 15:13h

* Coluna publicada no diário LANCE! do dia 21 de janeiro e aumentada para este espaço

Quando Peyton Manning e Tom Brady entrarem no gramado do Sports Authority Field at Mile High, no próximo domingo, eles provavelmente escreverão o capítulo final de uma das maiores rivalidades da NFL. É bem verdade que os dois nunca mostraram animosidade dentro de campo ( não lembro nem de farpas trocadas), mas tudo o que envolveu o nome dos dois com certeza ficará marcado. Uma grande rivalidade técnica do esporte.

Manning, em casa pelo Denver Broncos, e Brady, pelo New England Patriots, terão a chance de mostrar quem ganhou a disputa entre os dois em playoffs. Mas só nesta fase, porque Brady terminará a carreira com mais títulos (atualmente quatro contra um), mais idas ao Super Bowl (seis contra três) e mais vitórias nos confrontos diretos (11 a cinco). Mas os dois se enfrentaram quatro vezes na pós-temporada, com dois triunfos para cada.

A carreira de Tom é muito mais vitoriosa do que a de Peyton, sem dúvidas. Isso o torna o maior jogador da história da NFL? Pode ser…

Eu não gosto muito de comparar. Acho esse “maniqueísmo” insuportável. E não é porque um é melhor do que o outro. Brady e Manning são dois dos maiores da história do esporte mundial. Ambos marcaram seus nomes. Mesmo que com habilidades e pontos fortes diferentes entre eles. Obviamente que eu tenho minha preferência, mas esse tipo de comparação é muito mais subjetiva do que objetiva.

Peyton é o jogador que mais revolucionou a posição de quarterback nos últimos tempos. A sua capacidade de ler a defesa adversária e mudar a jogada na linha de scrimmage são impressionantes. Ele, várias vezes, atuou mais como coordenador ofensivo do que o próprio técnico. A identificação de um duelo que favorece ao ataque é fundamental para se ganhar na NFL. E o camisa 18 foi mestre nisso. Quando o Indianapolis Colts o escolheu como primeiro atleta do draft de 1998 se esperava muito do QB. E ele entregou tudo. Em Denver, onde chegou em fim de carreira, ele também correspondeu, já que chegou a uma final e pode repetir o feito agora.

Tom não chegou à NFL com a mesma pompa. Foi escolhido na posição 199 (seis quarterbacks foram selecionados antes dele). Chegou para ser reserva do Patriots. Assumiu a titularidade em 2001 e foi campeão. Depois, mais três títulos. O que o coloca, ao lado de Joe Montana e Terry Bradshaw, como o quarterback mais vencedor de Super Bowls. Brady entregou mais do que se esperava. E não é “só” pelos títulos que o camisa 12 será lembrado. Ele é, talvez, o quarterback que melhor se adapta a ataques diferentes. O New England é marcado por ser vencedor, mas esse time mudou muito nos últimos tempos. Seus setores ofensivos foram diferentes. E Tom sobrou.

Peyton Manning é um dos quarterbacks mais completos da história. É talento puro. Verdade que não corre com a bola, mas os ataques montados para ele não pensavam nessa possibilidade. O quarterback móvel sempre pareceu uma tendência da NFL, mas a verdade é que ela nunca se consolidou. Tom Brady talvez não tenha o talento bruto do “rival”, mas sempre foi atuou em grande nível. E foi bem versátil, se daptando a várias formas de jogar. Além disso, é um vencedor nato. Nenhum outro quarterback na história chegou tantas vezes ao Super Bowl. E esse recorde pode aumentar.

Além do destaque técnico, ambos também vem de grandes polêmicas extra-campo. Brady ano passado foi acusado de participar do esquema que ficou conhecido como “Deflategate”, quando se descobriu que as bolas do ataque do Patriots estavam mais murchas do que o permitido, justamente na final da Conferência Americana contra o Colts. O caso todo foi meio estranho e a NFL puniu o camisa 12 de New England em quatro jogos de suspensão, depois revertida (escrevi sobre o caso). Manning também teve seu nome envolvido em uma grande polêmica neste ano. Segundo reportagem da TV Al Jazeera, Peyton teria usado hormônio de crescimento durante a recuperação de uma grave lesão em seu pescoço em 2011, ano em que ele não jogou e logo depois foi dispensado pelo Colts. Peyton foi bem taxativo ao rebater essas acusações.

Em campo, Brady começou com tudo nesta temporada. Comandou o Patriots em grande forma, sobretudo nos primeiros jogos. Mostrou muita qualidade. Já Manning não teve um ano tão bom. Chegou a jogar muito mal. Acabou afastado por conta de uma lesão. Para mim, o Denver acertou ao poupá-lo por um tempo de olho nos playoffs. O camisa 18 sempre foi a melhor chance de o time vencer em janeiro. E, mesmo não estando em seu melhor momento, mostrou contra o Pittsburgh Steelers que pode ser decisivo.

Peyton disputa, provavelmente, sua última temporada. Brady está perto disso. Privilegiados somos nós de podermos acompanhar isso. Hora de sentar e curtir. Sem precisar comparar…

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A NFL finalmente volta a Los Angeles. Mas e agora?

por Thiago Perdigão em 13.jan.2016 às 17:34h

Depois de longos 21 anos, a NFL está de volta ao segundo maior mercado dos Estados Unidos. Muito se especulou desde que Los Angeles perdeu o Raiders para Oakland em 1995. Mas agora a Liga finalmente decidiu que o Rams jogará em L.A. a partir de 2016.

(O curioso é que a saída do Raiders de Los Angeles é a primeira lembrança de mudança de time que tenho na memória. Na época, e com a experiência do Brasil onde isso não ocorria na época, me “embaralhou” a cabeça. Foi difícil entender como isso poderia acontecer.)

A decisão de mudar de sede não é puramente baseada em dinheiro, obviamente, mas a parte econômica é protagonista do caso. O Rams, junto com a prefeitura e outros parceiros, vai construir um complexo esportivo (não apenas um estádio), que custará US$ 1.8 bilhões (quase R$ 8 bi).

A NFL deve ter alguma participação no local. Não se sabe exatamente como. A tendência é que crie um equipamento sobre a Liga, não necessariamente um parque temático, mas algo perto disso.

O curioso é que o projeto conjunto de Chargers e Raiders (que assim como o Rams já foram de Los Angeles), que ficaria em Carson, foi o recomendado pelo comitê independente que analisou o caso. Mas durante a apresentação, o dono do Rams, Stan Kroenke – que também é dono do Denver Nuggets (NBA), Colorado Avalanches (NHL) e o Arsenal (ING) -, convenceu os outros donos da NFL a votarem pelo seu estádio, que ficará em Inglewood, subúrbio pobre de L.A.. Nessa hora sempre há a promessa de revitalização da região. Pode acontecer, mas só saberemos de fato em 2019, quando o estádio e arredores ficarem prontos. Por toda a experiência que temos aqui do Brasil, não dá para associar injeção de dinheiro a melhorias em qualquer parte de uma cidade.

Uma das desculpas usadas pelo Rams em seu relatório que explicava a vontade de deixar Saint Louis é que a cidade não comporta três times em grandes ligas. Além do Rams, tem o Saint Louis Cardinals (MLB) e o Blues Jackets (NHL).

É bem verdade que o Cardinals é a equipe favorita da cidade. E ser vencedora ajuda muito. O Rams teve dois ou três anos bom em St. Louis. E só. Mesmo que em dois desses anos tenham rendido dois Super Bowls (um título). É fácil pôr a culpa na falta de apoio de torcida para a construção de um novo estádio. Mas não adianta construir um equipamento caríssimo se não tiver interesse público nele. E a diminuição do número de torcedores tem a ver também com a bagunça que virou a franquia da NFL. É incrível a incompetência para se criar um bom time. Quando parece que vai, o Rams fica fraco de novo.

Sei que muita gente não gosta dessas mudanças, mas elas são normais nos EUA. Faz parte da cultura esportiva de lá. Só não aprovo o modo como os times usam essas possibilidades para negociar com as cidades. E a “perda” de Los Angeles terá um peso em futuras negociações, não há dúvidas. Muitas franquias se aproveitaram dessa possibilidade nos últimos anos.

Nos próximos meses isso ficará claro, já que o Chargers tem a opção de ir para L.A. ainda nesta temporada. Tem que decidir até março. Mas pode ainda deixar para o fim do ano e se mudar em 2017. Vai usar como arma para apertar San Diego, não tenho dúvidas. Se o Chargers ficar onde está, o Raiders, que foi quem mais se revoltou com a decisão pró-Rams, pode retornar a Los Angeles. Serão meses de muita pressão. Quem ficar em sua cidade, terá US$ 100 milhões disponibilizados pela NFL para a construção de uma nova casa.

San Diego já prometeu um fundo para ajudar na construção do novo estádio, de cerca de US$ 400 milhões. Mas vai submeter a proposta aos moradores. Levando-se em conta os valores gastos nessas arenas recém-inauguradas, esses montantes cobrem metade do valor necessário.

O Chargers tem uma história na cidade, é claro, mas há um problema de público. Não são poucos os jogos que não estão lotados. Quando a política do blackout (que só permitia o jogo ser transmitido para a mesma praça se os ingressos estivessem esgotados) estava ativa, não foram poucas partidas da franquia que foram “bloqueadas”.

Na minha opinião, a mudança do Chargers para L.A. é a que mais faz sentido neste momento. Seria um bom “recomeço” tanto para dentro quanto para fora de campo. Não seria de uma hora para outra, é claro, mas acho que seria bem interessante.

O Raiders ainda aguarda. O dono da franquia, Mark Davis, não gostou nada da decisão. Criticou muito a NFL. O time é o único da Liga que divide estádio com uma equipe de outro esporte, o beisebol. É inegável que o O.co Coliseum está bem abaixo de outras arenas americanas. Não é moderno. E faz mal ao negócio, já que há poucos camarotes e áreas que podem render muito dinheiro. E conforto aos torcedores. Dividir com o beisebol não é muito bom. E entendo a pressão do Raiders para sair de lá.

Os três times têm ligações com Los Angeles, isso é inegável. Raiders e Rams mais. Mas ligação afetiva é importante mais para os torcedores. Uma decisão dessas passa pouco pelo aspecto passional.

L.A. é um grande mercado, mas sempre perdeu seus times seduzidos por outras propostas. Não é automático ganhar dinheiro em um novo mercado, mesmo que enorme e ansioso pela volta do futebol americano. A Flórida é o exemplo claro disso, já que os times universitários fazem muito sucesso e os da NFL pouco conseguiram “surfar” nessa onda. Sobretudo o Jacksonville Jaguars, que não emplaca mesmo sendo “vizinho” do Florida Gators, um dos maiores sucessos do esporte americano.

A perspectiva em Los Angeles é boa, claro. Mas há um longo caminho antes de se comemorar qualquer coisa.

E você, caro leitor, aprovou? Queria quais time em L.A.?

Twitter: @thiago_perdigao