Feito de Victor Santos na Olimpíada de PyeongChang vai muito além do resultado



O paulista Victor Santos após concluir sua participação na Olimpíada de PyeongChang (Crédito: Christian Dawes/COB)

Existem duas maneiras de encarar o desempenho do jovem paulista Victor Santos na prova do esqui cross-country da Olimpíada de Inverno de PyeongChangna última sexta-feira (16).

Do ponto de vista pragmático, o 110º lugar de Santos, entre 118 concorrentes, pode ser definido como um desperdício de dinheiro. Os que analisam apenas o resultado em uma competição esportiva poderão argumentar da validade de enviar um brasileiro para uma Olimpíada e vê-lo terminar entre os últimos colocados, sem qualquer chance de brigar por um lugar no pódio.

Já um outro ponto de vista, mais otimista, verá a participação de Victor Santos como uma vitória. Para quem enxerga o esporte também como uma ferramenta de inclusão social, ver um rapaz que há cinco anos lavava carros na Cidade Universitária (USP), em São Paulo, além de fazer bicos como flanelinha, pouco importa a colocação nos Jogos da Coreia do Sul.

Ninguém aqui é ingênuo de imaginar que apenas a presença em uma Olimpíada irá mudar uma vida repleta de dificuldades como a de Victor Santos. Se atletas de modalidades com muito mais apelo no Brasil estão sofrendo com a recessão econômica pela qual passa o esporte olímpico nacional, que dirão os praticantes dos esportes de gelo e neve, com tradição zero em um país tropical.

Mas  é inegável que o valor da oportunidade dada aos meninos da favela São Remo, localizada ao lado da USP e onde Victor Santos morava, por um projeto social chamado Ski na Rua. Criado pelo ex-atleta olímpico Leandro Ribela, o “Ski na Rua” dava aos garotos a chance de praticarem o roller ski, que são esquis com rodinhas e que simulam os movimentos do esqui cross-country. É pouco? Pode ser. Mas pelas palavras do próprio Santos, tem um peso maior do que muitos que criticaram sua participação podem imaginar.

“Agora eu sou um atleta olímpico! Há dois anos que eu só pensava nisso. Ia dormir pensando nisso, acordava pensando nisso, treinava pensando na Olimpíada. Eu treino só há quatro anos. Comecei a treinar sério há dois. É muito pouco. Consegui chegar nas Olimpíadas, mas tem muitos objetivos que eu ainda quero alcançar no esporte”.

Palavras como estas valem muito mais do que um 110º lugar.

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