Vexame? Disso o basquete brasileiro entende



basquete Brasil x Argentina na Rio 2016

Leandrinho marca o argentino Ginobilli na Rio-2016: por enquanto, o Brasil está proibido de disputar qualquer evento internacional (Crédito: CBB)

A primeira vez que escutei a palavra “vexame” relacionada ao basquete brasileiro foi há 40 anos, quando a Seleção masculina ficou fora da Olimpíada de Montreal-1976 por não se classificar no Pré-Olímpico de Hamilton (CAN). Para quem tinha lido sobre as glórias dos dois títulos mundiais e três medalhas olímpicas conquistadas pela geração de Wlamir, Amaury, Rosa Branca e companhia, aquela eliminação me pareceu um absurdo. Mal sabia que coisas bem piores aconteceriam.

Já como jornalista, pude presenciar vários outros vexames: a campanha ridícula do 11º lugar no Mundial masculino de 1994; os 16 anos em que a seleção masculina ficou fora das Olimpíadas; o descaso com o trabalho de base nas seleções, especialmente no feminino; pagar pela vaga no Mundial masculino de 2014; a vexatória campanha dos times masculino e feminino na Rio-2016.

A lista é longa e eu poderia prolongá-la por mais algumas linhas. Nada, contudo, se compara à vergonha com a decisão tomada nesta segunda-feira pela Fiba (Federação Internacional de basquete), que suspendeu o basquete brasileiro das competições internacionais pelo menos até janeiro de 2017. Decisão que ressalta a incompetência administrativa da CBB (Confederação Brasileira de Basquete).

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Sob o comando de Carlos Nunes desde 2008, a CBB tornou-se uma massa falida, com dívidas que já ultrapassaram os R$ 17 milhões, segundo análise de seus balanços feita pelo jornalista Fabio Balassiano, do portal UOL. A bagunça é tanta que a Fiba cita ”pagamentos pendentes por tempo prolongado e situação financeira que não possibilita que opere normalmente”.

Nem mesmo um interventor da Fiba, o espanhol Jorge Luiz Saez, impediu que a CBB ampliasse a lista de vexames ao não enviar as seleções masculina e feminina sub-15 aos respectivos sul-americanos, afetando uma geração inteira de atletas.

O basquete brasileiro, que estava na UTI, agora precisa de um desfibrilador para poder renascer. De preferência, sem estes cartolas incompetentes e com uma nova CBB.

* Coluna publicada na edição desta quarta-feira (16/11) do LANCE!



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