Uma pedra no sapato de Nuzman



Coluna Diário Esportivo, publicada na edição de 13 de fevereiro de 2009 do Diário de S. Paulo



A ovelha negra do COB

Na semana em que os cartolas do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) fazem festa e batem bumbo pelo simples fato do Rio de Janeiro ter sido a primeira cidade a entregar no Comitê Olímpico Internacional (COI) o dossiê de candidatura para os Jogos de 2016, uma voz dissonante aqui no Brasil continua firme em sua luta para mostrar que tudo isso não passa de uma grande aventura. O advogado Alberto Murray Neto, de 43 anos, tornou-se nos últimos tempos uma grande pedra no sapato do presidente do COB, Carlos Arthur Nuzman, tanto em relação à candidatura para 2016 quanto à própria administração do esporte olímpico brasileiro. O mais irônico de tudo: Murray é membro do COB desde 1996.

“O que me deixa mais triste é que transformaram o Comitê num órgão realizador de eventos e gestor de candidaturas olímpicas. Não estão preocupados com o esporte brasileiro de fato”, afirma Murray, que até acha graça em ser considerado uma espécie de ovelha negra dentro da entidade. “Não tenho o rabo preso com ninguém”, garante o advogado, que tem o esporte em seu DNA: neto do ex-presidente do COB, Sylvio de Magalhães Padilha, integrou a equipe de atletismo do Pinheiros, formou-se em Estudos Olímpicos pela Academia Olímpica internacional, em Olympia, na Grécia, e é membro da Corte Arbitral do Esporte (CAS).

A aventura olímpica do Rio

Com toda esta experiência, Murray não tem o menor receio em afirmar, categoricamente, que a candidatura do Rio de Janeiro para os Jogos Olímpicos de 2016 está fadada ao fracasso. E alerta: até mesmo o presidente do COB sabe disso. “Tenho inúmeros contatos no COI, como o próprio Nuzman também, e todos afirmam que a candidatura do Rio sequer é citada como competitiva”, garante Murray. Ele aposta, inclusive, que a cidade carioca nem passará da primeira rodada de votação, no dia 2 de outubro, em Lausanne.

COI está de olho

Indignado com os gastos empenhados na candidatura — R$ 42 milhões foram liberados pelo Governo Federal no sonho de ganhar a sede de 2016 —, Murray tem enviado relatórios constantes a ninguém menos do que o presidente do COI, Jacques Rouge. Todos, é claro, com cópia para Carlos Nuzman. “O mais importante é que ele não enviou uma resposta protocolar. Afirmou que tem recebido os meus relatórios, que conhece o meu passado no esporte e que está muito atento à situação do Brasil.”

Onde estão as favelas?

Um detalhe “ignorado” pelo dossiê de candidatura carioca foi lembrado por Murray em mapa enviado à entidade. “Existem 39 favelas no entorno do Engenhão e do Maracanã. Elas não constam no dossiê. Nada contra as favelas, é claro, mas o que o COB irá fazer se o Rio for eleito a sede dos Jogos? Passar com um trator por cima de cada uma delas?”

Foto: O superintendente o COB, Carlos Luiz Martins, na entrega do dossiê da candidatura do Rio para as Olimpíadas de 2016

Crédito: Divulgação
A coluna Diário Esportivo, assinada por este blogueiro, é publicada às sexta-feiras no Diário de S. Paulo



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