Uma bizarra história do esporte brasileiro



Coluna Diário Esportivo, publicada na edição de 27 de fevereiro de 2009

O curioso caso do técnico demitido pela internet


Roberto Chiappini tem dedicado toda sua vida ao pólo aquático, primeiro como atleta e agora como treinador. E não se trata de nenhum exagero. Quando defendia a seleção brasileira, nos Jogos Pan-Americanos de Mar Del Plata, em 1995, sofreu uma sério corte na córnea durante a semifinal contra Cuba, após receber uma unhada de um adversário. Sem pensar duas vezes, e mesmo correndo o risco de ficar cego de um olho, assinou um documento assumindo toda a responsabilidade para atuar na decisão da medalha de ouro, quando o Brasil foi derrotado pelos Estados Unidos.

Como treinador, comandou a seleção brasileira feminina por mais de dez anos, a última vez no Pré-Olímpico mundial de 2008, quando a equipe tentou sem sucesso uma vaga nos Jogos de Pequim. Mas todo este currículo não sensibilizou a Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA), que no início deste ano simplesmente demitiu Chiappini do comando através de um comunicado pelo site da entidade, conforme o DIÁRIO mostrou em reportagem publicada há cerca de 10 dias, assinada por José Eduardo Martins. Mais do que incredulidade, o gesto da CBDA, comandada pelo eterno Coaracy Nunes, demonstra que a entidade vive na Idade da Pedra em termos de gestão esportiva. “Não custava nada o Coaracy passar a mão no telefone e falar que trocou de técnico. Pelo menos isso”, lamentou Chiappini ao DIÁRIO.

Falta de consideração
A pisada na bola da CBDA na demissão de Chiappini foi tanta que o atual treinador do Pinheiros soube que havia sido mandado embora ao ser entrevistado por um repórter de um site especializado em pólo aquático. Só então recebeu um e-mail de um diretor da entidade, agradecendo os serviços prestados. Um verdadeiro absurdo.

Dinheiro no cofre
A maior prova que dinheiro não significa excelência administrativa é a própria CBDA. A mesma entidade que demite um técnico pela internet recebeu mais de R$ 16,2 milhões somente de recursos provenientes da Lei Piva desde 2002, quando entrou em vigência.

Violência impune?
Os dirigentes que comandam a Liga Nacional de Basquete, gestora do NBB (Novo Basquete Brasil) precisam se manifestar urgentemente sobre a agressão do armador Espiga, do Joinville/Ciser, ao técnico Cláudio Mortari, do Pinheiros, ocorrida no último sábado (21). As imagens inclusive foram registradas pela TV. Só falta punir.

Sérvia dá o exemplo
O ex-pivô Vlade Divac, bicampeão mundial de basquete pela extinta Iugoslávia e que brilhou na NBA, atuando no LA Lakers e no Sacramento Kings, foi eleito para presidir o comitê olímpico da Sérvia. Será que vai demorar para o Brasil seguir o exemplo e colocar um grande ídolo no COB?

Foto: cena de “O Curioso Caso de Benjamin Button”, cujo belo e bizarro enredo inspirou esta bizarra coluna

A coluna Diário Esportivo, assinada por este blogueiro, é publicada às sextas-feiras no Diário de S. Paulo



  • Fico imaginando as justificativas do Coaracy, com aquele vozeirão e frases cheias de vazio. Vamos mal de homens e idéias…

  • Luizinho, além do vozeirão e das frases vazias, ainda têm os perdigotos (argh)

  • Sobre a pergunta de um ex-atleta na presidência do COB, acho que vai acontecer até o ano 2295.

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