Um campeão se faz nas derrotas também



“Segundo lugar é uma derrota para mim. Está faltando um pouco de treino. Precisamos ver o que fizemos errado neste semestre para corrigir no ano que vem.”

Não é todo mundo que demonstra o senso crítico que Cesar Cielo demonstrou neste Pan-Pacífico, torneio interncontinental de natação que, em um ano fraco em competições internacionais, atraiu uma parcela razoável da elite da natação mundial. Exceção aos nadadores franceses, que disputaram recentemente o Campeonato Europeu, estavam todos os grandes nomes reunidos em Irvine (EUA). Entre eles Cesar Cielo, bicampeão mundial nos 50 e 100m livres e recordista mundial dos 50m livre.

E as decepções nos resultados dos 100m (3º lugar) e 50m (2º), este último realizado neste sábado, mostraram um lado que ainda não conhecíamos de Cielo. O lado do perdedor – se é que um cara que fica entre os três primeiros em duas provas repletas de americanos, australianos etc pode ser chamado de perdedor.

Mas tudo isso é pouco para Cielo. Ele, melhor do que qualquer um, sabe que alguma coisa não foi feita da forma correta nesta temporada. Deu para ficar claro que estamos diante de um ídolo que não se conforma com pouco. Para Cielo, segundo é a mesma coisa que ultimo lugar.

Pode ser cruel, e com certeza isso se aplica em muitas situações no esporte brasileiro. Contudo, a impressão que ficou ao ouvir as palavras de Cesar Cielo é que um grande campeão não se constrói somente com elogios e oba-oba. Se alguma coisa está errada, é preciso deixar tudo claro. Sem constrangimentos e com senso crítico, acima de tudo.