Ufa! Cielo põe o dedo na ferida



Coluna Diário Esportivo, publicada na edição de 7 de maio do Diário de S. Paulo

Deveria constar de alguma cartilha para ídolos do esporte que não basta apenas fazer bem o seu trabalho, ganhar medalhas ou conquistar títulos. No meu mundo ideal, eles não poderiam se omitir em dar opiniões desagradáveis aos cartolas e nem se calar diante de decisões absurdas. Mas enquanto a maioria absoluta destas estrelas opta por manter uma postura alienada, eis que surge o nadador Cesar Cielo para dar uma chacoalhada neste quadro.

O campeão mundial e olímpico dos 50m livre sabe usar como poucos a força de suas conquistas para cutucar a estrutura da natação brasileira e também a CBDA (Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos). Logo depois de ganhar o ouro olímpico em Pequim-08, Cielo declarou em alto e bom som que a entidade que comanda a natação do Brasil pouco contribuiu para o seu sucesso.

Embora tivesse baixado o tom das críticas após brilhar no Mundial de Roma de 2009 quando ganhou os 50m e 100m livre , eis que Cielo voltou com carga total este ano. Contundente, bateu forte na decisão da CBDA em escolher a Unisanta para ser a sede do Troféu Maria Lenk. De forma correta e madura, Cielo diz não entender como se abre mão de um complexo aquático moderno como o Maria Lenk, que consumiu milhões de reais para receber as provas do Pan-2007, no Rio. “Algumas vezes, vejo que ainda estamos andando para trás”, disparou.

É somente com atitudes como esta de Cesar Cielo que a arcaica estrutura do esporte brasileiro irá mudar. Vida longa aos rebeldes com causa.

Foto: Satiro Sodré/CBDA

A coluna Diário Esportivo, assinada por este blogueiro, é publicada às sextas-feiras no Diário de S. Paulo



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