Tóquio-2020 não respeita a memória das vítimas de Fukushima



Neste sábado, em diversas partes do Japão foram feitas homenagens para as vítimas de uma das maiores tragédias do planeta. Em 2011, um terremoto de 9,0 graus de magnitude ocorreu nas costas da ilha principal de Honshu, a maior do arquipélago japonês. O tremor foi seguido de um tsunami que deixou um rastro de destruição e morte. Para completar o quadro, a onda gigante atingiu uma usina nuclear localizada na cidade de Fukushima, criando a pior crise atômica no planeta desde Chenobyl, em 1986.

Os números da tragédia, atualizados, dão conta de 18.446 mortos e desaparecidos em 12 distritos. Há ainda 123 mil pessoas deslocadas de suas casas em razão do desastre de Fukushima. Durante a eleição que definiu a sede da Olimpíada de 2020, muitos até acreditavam que o desastre de 2011 poderia abalar a candidatura japonesa, o que acabou não ocorrendo.

As homenagens às vítimas do tsunami acabaram revelando uma polêmica que envolve diretamente a organização dos Jogos de Tóquio-2020. Diversos desabrigados de Fukushima criticam duramente o governo chefiado pelo primeiro-ministro Shinzo Abe por querer acelerar o retorno dos moradores às suas residências. Motivo: normalizar a situação antes da próxima Olimpíada.

“Fugimos só para proteger nossos filhos e netos da radiação. Não posso aceitar isso e não consigo entender porque estamos nesta difícil situação, Não fomos responsáveis pelo desastre nuclear”, afirmou Miyako Kumamoto, do Comitê de organizações de vítimas da catástrofe nuclear, em uma conferência de imprensa antes das homenagens deste sábado.

Segundo a associação de sobreviventes, o governo não tem dado o apoio necessário às vítimas do desastre e, ao contrário, buscam uma reacomodação rápida para que tudo volte ao normal. “O governo quer mostrar ao mundo que o acidente de Fukushima foi resolvido antes da organização dos Jogos Olímpicos”, afirmou Hiromu Murata, outro representante do comitê das vítimas.

Depois de ver o vexame da acusação de plágio no logo oficial dos Jogos (que obrigou a fazer uma novo concurso) e ter que refazer o projeto do Estádio Olímpico, por estouro no orçamento, o comitê organizador de Tóquio-2020 está diante de um caso muito mais delicado. Todo bom senso é pouco em relação às vítimas do tsunami e do desastre nuclear de Fukushima.

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