‘Eu, Tonya’, tenta humanizar a imagem da ‘inimiga’ da América



A atriz Margot Robie, que interpreta o papel de Tonya Harding (Crédito: Divulgação)

Se você tem menos de 30 anos, certamente só conheceu com ajuda da internet um dos maiores escândalos do esporte, que envolveu as patinadoras americanas Tonya Harding e Nancy Kerrigan. Em janeiro de 1994, às vésperas da Olimpíada de Inverno de Lillehammer (Noruega), Kerrigan foi atacada durante uma sessão de treinamento. Não demorou muito para se descobrir que o marido de Harding e seu guarda-costas foram os responsáveis pelo ataque. O final da história foi severo com Harding, que fracassou na Olimpíada (terminou em 8º), enquanto Kerrigan levou a medalha de prata. Para piorar, o marido e o guarda-costas foram presos e ela foi banida da patinação por toda a vida.

Tonya Harding acabou com a imagem de grande vilã do esporte americano. Não sem uma boa dose de razão. Agora, será possível para as pessoas verem um outro lado desta história, com a chegada ao cinema do filme “Eu, Tonya” (I, Tonya), que será lançado no circuito esta semana. Dirigido por Craig Gillespie, tem atuações soberbas de Margot Robbie, no papel de Tonya (e concorre ao Oscar de melhor atriz) e Allison Janney (concorrente ao prêmio de melhor atriz coadjuvante), como a nada carinhosa mãe da patinadora. O filme também concorre ao Oscar de melhor edição.

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Nada mais apropriado do que lançar um filme tão polêmico como este durante a Olimpíada de PyeongChang. Pois mesmo 24 anos depois, é possível ficar dividido sobre o grau de responsabilidade de Tonya Harding em todo o caso. Talvez esse seja o principal objetivo do filme: tentar “humanizar” a patinadora diante da opinião pública. Atenuar sua imagem de vilã da América.

Vida infernal

É difícil não comprar uma parte deste argumento após os 120 minutos do filme. Rodado como se fosse um falso documentário, “Eu, Tonya” mostra que a vida da patinadora foi um inferno. Dona de um talento excepcional – foi a primeira americana da história a fazer o “triple axel” (três giros e meio no ar) -, Harding foi um produto de seu meio. Abandonada pelo pai quando criança, criada à base de falta de afeto, maus tratos e extrema rigidez por parte da mãe, sofreu com as agressões de seu marido. E ela as devolvia na mesma moeda. Dona de modos um tanto abrutalhados, a Tonya Harding do filme é uma pessoa que não é bem-vista totalmente pela comunidade da patinação, até por conta de sua família desestruturada. Essa busca desesperada por ser aceita é o que move a personagem.

É até possível que Tonya Harding realmente não soubesse do atentado armado pelo marido e seu guarda-costas no ataque à Nancy Kerrigan. Inocentá-la nem é o objetivo do filme, pois a patinadora foi julgada e condenada por obstrução da Justiça, coisa que ela mesma reconheceu. O grande mérito de “Eu, Tonya”, além das atuações espetaculares de Margot Robbie e Alisson Janney, talvez seja mostrar que a grande vilã do esporte olímpico americano também é uma vítima. Uma triste história que vale a pena ser vista.

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