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Time unificado da Coreia fará jogo de abertura do Mundial de handebol



Time unificado da Coreia de handebol masculino

Jogadores do time unificado da Coreia, que disputarão o Mundial masculino de handebol (Crédito: IHF)

Primeiro grande evento do calendário de 2019, o Mundial masculino de handebol terá um participante especial. O torneio, que será realizado na Dinamarca e na Alemanha a partir do dia 10, contará com um time unificado da Coreia. E não é só isso. O time, com jogadores do Norte e Sul, fará uma das partidas de abertura do Mundial, contra os alemães.

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Trata-se de mais um gesto dos dirigentes esportivos dos dois países em busca de uma união que ainda parece distante do ponto de vista geopolítico.

Incentivada pela IHF (Federação Internacional de Handebol), os cartolas das Coreias do Norte e do Sul anunciaram a formação do time unificado em novembro do ano passado.

O lado do Norte saiu melhor nesta composição, pois não havia conseguido se classificar para o Mundial. Os sul-coreanos tinham assegurado a vaga com a medalha de bronze nos Jogos Asiáticos de 2018.

Tecnicamente em guerra desde a assinatura de um armistício em 1953, as Coreias do Norte e Sul vivem há anos em um clima de alta tensão.

Em todo este período, não faltaram ameaças de reinício de um conflito, motivado em parte pela Guerra Fria entre as potências Estados Unidos e União Soviética, que apoiavam respectivamente os regimes do Sul e do Norte.

Também aumentou consideravelmente a temperatura política na península coreana o programa nuclear desenvolvido pelos norte-coreanos, atualmente comandados pelo ditador Kim Jon-un.

Só que 2018 marcou uma quebra de paradigma na crise das Coreias. E o esporte teve um papel fundamental nisso.

Primeiro, o desfile em conjunto das delegações dos dois países na abertura e encerramento da Olimpíada de Inverno de PyeongChang. No mesmo evento, uma equipe unificada de hóquei no gelo feminino também reforçou a sinalização de novos tempos.

Pouco ganho esportivo

Tecnicamente, não representou grande coisa. As meninas coreanas foram o saco de pancadas do torneio, perdendo todas as partidas que disputaram. O simbolismo do gesto, porém, valeu muito mais.

No Mundial de tênis de mesa, em abril do ano passado, na Suécia, uma decisão em conjunto dos dirigentes dos dois países optou pela formação de um time unificado no torneio por equipes feminino.  Ao invés de se enfrentarem nas quartas de final, avançaram para a fase seguinte.

Novamente, a estratégia teve mais valor político do que esportivo. Na semifinal, as coreanas foram derrotadas pelo Japão.

Antes do final do ano, dirigentes esportivos dos dois países confirmaram a intenção de intensificarem conversas para o lançamento de uma candidatura em conjunto para organizar a Olimpíada de 2032.

Além da Alemanha, o time unificado da Coreia terá outras pedreiras neste Mundial. Integrante do Grupo A, enfrentará a Rússia (12), a França, atual campeã (14), Sérvia (15) e encerrará sua participação contra o Brasil, no dia 17.

A IHF precisou fazer uma adaptação no regulamento para acomodar o time unificado da Coreia. Ao contrário dos 16 atletas que normalmente são inscritos, permitiu que a equipe fosse formada por 20 jogadores. Destes, quatro são do lado Norte da península.

Pelo menos no discurso oficial, um novo fiasco em termos esportivos não despertará maiores dramas entre os coreanos.

“Nosso objetivo final não é o resultado nas quadras, porém mostrar nosso espírito de equipe unificada para todo o mundo. Nossa mensagem de sucesso será mostrar ao mundo, através do handebol, a mensagem de paz da península da Coreia”, afirmou John Yoon, diretor de assuntos internacionais da federação sul-coreana de handebol.

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Autor

Marcelo Laguna

É jornalista desde 1984, quando fez a cobertura dos Jogos Olímpicos de Los Angeles dos estúdios da Rádio Gazeta, em São Paulo. Desde então, participou da cobertura de todas as Olimpíadas, sendo quatro delas “in loco”: Atlanta 1996, Sydney 2000, Londres 2012 e Rio 2016. Cobriu também dois Jogos Pan-Americanos (1995 e 1999) e diversos Mundiais de basquete e outras competições de esportes olímpicos. Fez parte do grupo fundador do Lance!, onde trabalhou como editor entre 1997 e 2000 e entre 2015 e 2016. Trabalhou também na revista Placar, Gazeta Esportiva, Diário Popular, site SportsJá!, portal iG, Diário de São Paulo e Folha de S. Paulo

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@MarceloLaguna