O brilho do taekwondo no Mundial e o sinal de alerta para o vôlei de praia



Os medalhistas do taekwondo do Brasil no Mundial de Manchester (Crédito: Divulgação/CBTKD)

Duas modalidades olímpicas do Brasil viveram um final de semana com realidades bastante distintas. Enquanto o taekwondo comemorava uma campanha histórica no Campeonato Mundial de Manchester (ING), o vôlei de praia somava decepções em mais uma etapa do Circuito Mundial da modalidade, desta vez em Itapema (SC). Uma situação incomum, tendo como base os resultados obtidos por cada um deles nos últimos anos.

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Vamos começar com a parte cheia do copo.

O taekwondo do Brasil fez em Manchester a melhor campanha de sua história em um Mundial. Nunca antes o país havia conquistado cinco medalhas em uma única edição do torneio.

Foram cinco conquistadas na Inglaterra. Duas de prata (Ícaro Soares, na categoria 87 kg, e Caroline Santos, 62 kg), e três de bronze (Paulo Ricardo Melo/ 54 kg, Maicon Andrade/ + 87 kg e Milena Titoneli/ 67 kg). Pela primeira vez desde 2005, o Brasil entrou na disputa pela medalha de ouro. Naquele mesmo ano veio a única medalha de ouro brasileira em mundiais, com Natalia Falavigna.

Quando se faz a comparação com o Mundial anterior, os feitos alcançados neste final de semana tornam-se ainda mais relevantes. Em 2017, na cidade de Muju (Coreia do Sul), o Brasil teve uma campanha muito fraca. O máximo que os lutadores brasileiros alcançaram foram duas presenças em quartas de final. Mais da metade da equipe feminina,por exemplo, foi eliminada logo na estreia.

Outra prova de evolução é que dois lutadores que só fizeram uma luta no Mundial de 2017 saíram com medalha este ano, Ícaro Soares e Milena Titoneli.

Bom lembrar que a CBTKD (Confederação Brasileira de Taekwondo) está na relação de entidades brasileiras que estão impossibilitadas de receber os recursos da Lei Agnelo/Piva, por integrar o cadastro do Cepim (Cadastro de Entidades Privadas Sem Fins Lucrativos Impedidas), pois são devedoras da União.

Crise na praia?

O lado vazio do copo está em uma das modalidades mais vencedoras do esporte olímpico brasileiro.

A última etapa do Circuito Mundial de vôlei de praia, que se encerrou domingo (19) em Itapema (SC), serviu para ligar o sinal de alerta em atletas e dirigentes. Pela primeira vez desde 2016, uma etapa brasileiro do Circuito não contou com uma dupla brasileira no pódio.

Se as mulheres não passaram das quartas de final, entre os homens nem isso aconteceu. Todas as duplas caíram antes.

A seca de bons resultados acontece justamente quando a corrida por vagas para a Olimpíada de Tóquio-2020 está em pleno andamento. No caso do masculino, uma verdadeira “dança das cadeiras” das principais duplas também vem tornando o cenário incerto. A parceria entre o campeão olímpico Alison e o campeão mundial de 2017, André Stein, foi desfeita em março, depois de pouco mais de um ano de duração. Em 2017, Alison havia rompido com Bruno Schmidt, com quem conquistou o ouro na Rio-2016.

O fato é que o ranking mundial da FIVB não tem hoje nenhum dupla masculina no top 10. Pedro Solberg e Bruno Schmidt são os que estão melhor classificados, em 14º lugar. No feminino, são três duplas brasileiras entre as dez do mundo, mas longe da liderança. A melhor colocada é a dupla Maria Antonelli e Carol, em sexto lugar.

Ninguém seria louco de dizer que o vôlei de praia do Brasil está em decadência. Continua forte e vai brigar por medalhas em Tóquio-2020. Mas a má fase atual merece ser vista com cuidado, para evitar decepções dentro da quadra na capital japonesa, daqui a pouco mais de um ano.

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