Se revogar a suspensão da Rússia, o COI perderá o respeito no combate ao doping



Nadezhda Sergeeva, atleta russa do bobsled, que deu positivo no exame antidoping em PyeongChang (Crédito: Reprodução)

A moça da foto que abre este post chama-se Nadezhda Sergeeva, atleta do bobsled. Ela é russa e usa uma camisa dizendo que não se dopa. Mas ela foi flagrada no antidoping na Olimpíada de Inverno de PyeongChang.

Parece até piada, mas novamente uma atleta da Rússia acaba tendo um exame positivo nestes Jogos. E lembrando que os russos presentes na Coreia do Sul estão com uma autorização especial do COI (Comitê Olímpico Internacional). Por causa do vergonhoso esquema sistêmico de doping no esporte da Rússia, o COI baniu o país da Olimpíada. Só autorizou a presença de 168 atletas russos sem nenhuma ligação com o doping.

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Sergeeva, de 30 anos e que antes de se dedicar ao bobsled praticava atletismo (era especialista no heptatlo), teve em seu exame detectada uma substância chamada trimetazidina.Trata-se de um estimulante que teria as mesmas características do meldonium, um conhecido vilão nos casos de doping dos russos, entre eles Maria Sharapova.

Nadezhda Sergeeva integrava a equipe feminina do bobsled, ao lado de Anastasia Kocherzhova. Elas terminaram apenas na 12ª posição. Mas tão logo saiu o resultado do exame, Stanislav Pozdnyakov, chefe da delegação da OAR (Atletas Olímpicos da Rússia, os autorizados pelo COI), criticou Sergeeva, chamando-a de “negligente”.

Este segundo doping russo em PyeongChang – o primeiro, anunciado no final de semana, de Aleksander Krushelnitckii, no curling – jogou uma bela batata quente nas mãos do COI.

É esperado para este sábado que o COI se manifeste a respeito de uma revogação da suspensão da Rússia. Com isso, ela poderia desfilar na cerimônia de encerramento com sua bandeira e seus uniformes tradicionais. Não foi feita nenhuma contestação oficial dos dois casos positivos de atletas russos. Inclusive o pagamento de uma multa de US$ 15 milhões, segundo a imprensa internacional, pelo escândalo do doping, teria sido paga. Tudo isso para não causar nenhuma “crise diplomática” com o COI e acabar com a suspensão.

A experiência em relação à postura de dirigentes, não importa de onde sejam, exige cautela. Não ficarei surpreso se o alemão Thomas Bach, presidente do COI, aparecer sorridente em alguma coletiva e anunciar o fim do gancho aos russos.

Se isso acontecer, o COI perderá completamente o respeito da comunidade esportiva mundial em relação ao combate ao jogo sujo do doping.

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