As ‘verdades’ de Cabral e a imagem abalada de dois heróis olímpicos



Imagem aérea do Parque Olímpico da Barra da Tijuca, palco da Rio-2016 (Crédito: Renato Sette Camara/Prefeitura do Rio)

Para usar uma expressão bem comum nas redes sociais, causou surpresa em zero pessoas o depoimento do ex-governador Sérgio Cabral ao juiz Marcelo Bretas, na 7ª Vara Federal Criminal. Condenado a quase 200 anos de prisão em mais de 20 processos, Cabral é peça-chave na investigação de pagamento de compra de votos para que o Rio de Janeiro fosse eleita sede da Olimpíada de 2016. Nesta quinta-feira (4), ele admitiu que pagou US$ 2 milhões (cerca de R$ 7,5 milhões) para assegurar nove votos na eleição realizada em 2009.

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Como eu disse na primeira linha deste post, nenhuma surpresa nas palavras do ex-governador do Rio de Janeiro. Ele só confirmou as investigações da Operação Unfair Play (Jogo Sujo). O trabalho em conjunto dos ministérios públicos do Brasil e da França apontou que o ex-presidente da Iaaf (Associação das Federações Internacionais de Atletismo), Lamine Diack, recebeu propina para assegurar os votos necessários à vitória da candidatura do Rio.

Se as “informações” de Cabral só confirmaram as apurações dos promotores brasileiros e franceses, também confirmaram o conhecimento de todo o esquema do ex-presidente do COB (Comitê Olímpico do Brasil), Carlos Arthur Nuzman. Foi ele quem deu a “dica” de Diack, um dos mais influentes membros do COI (Comitê Olímpico Internacional), estaria aberto a “vantagens indevidas”, nas palavras do próprio Cabral.

Para quem não se lembra, a revelação do caso fez com que Nuzman fosse preso e, mesmo antes de ser solto, renunciou à presidência do COB, enterrando sua carreira no esporte.

Mas a grande novidade no depoimento de Cabral foi ele ter implicado na trama dois gigantes da história olímpica. Segundo o ex-governador, o ucraniano Serguei Bubka e o russo Alexander Popov também teriam recebido propina para votar a favor do Rio na eleição de 2009.

Uma bomba que vai abalar os corredores da cartolagem olímpica em Lausanne nos próximos dias, certamente.

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Já se sabia do envolvimento do namíbio Frank Fredericks, medalhista nos 100 m e 200 m em Barcelona-1992 e Atlanta-1996. Ele é acusado de ter recebido US$ 300 mil no dia da eleição e desde 2017 está suspenso pela Iaaf. As acusações sobre Bubka e Popov, caso sejam verdade, mostram que a corrupção dentro do movimento olímpico era pior do que se poderia imaginar.

Bubka foi o maior nome da história do salto com vara. Bateu o recorde mundial da prova 35 vezes. Como atleta da extinta União Soviética, foi medalha de ouro em Seul-1988. Tem cargo na diretoria da Iaaf, tendo sido o vice-presidente na gestão Diack.

Popov foi um dos maiores velocistas da natação mundial, sendo dono de nove medalhas olímpicas, quatro delas de ouro. Ele integrou a comissão de avaliação para as Olimpíadas de 2016, sendo depois escolhido para integrar a coordenação da Rio-2016.

Difícil um homem com os conhecimentos nos meandros da corrupção como Sérgio Cabral ter inventado a participação de Bubka e Popov. Será importante que os dois tenham provas suficientes de sua inocência. Só assim eles evitarão que as brilhantes histórias que construíram no esporte não acabem na lata do lixo.



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