Sempre vale a pena recordar as lúcidas palavras de Adílson Nascimento



Nesta terça-feira, quando se completa uma semana da morte do ex-pivô da seleção brasileira Adílson Nascimento, resolvi resgatar aquela que, provavelmente, foi uma de suas últimas entrevistas. No dia 10 de outubro do ano passado, escrevi a coluna Diário Esportivo baseada em uma conversa que tive ao telefone com Adílson.

Poucos dias antes desta conversa, ocorrera o jogo-beneficente em Campinas para arrecadar fundos ao seu tratamento contra o câncer, que já o deixava bastante debillitado, a ponto de ter visto a partida de uma cadeira de rodas. Mesmo assim, Adílson mostrou naquela entrevista a velha lucidez e veemência ao analisar os problemas do basquete brasileiro, da mesma forma que sempre se comportou ao longo de sua vitoriosa carreira.

Acompanhe abaixo os trechos da coluna Diário Esportivo, com Adílson Nascimento:

De volta para o futuro

O ginásio do Tênis Clube de Campinas viveu uma tarde de pura nostalgia no último sábado. Como se tivesse entrado no DeLorean voador de Marty McFly e do Dr.Brown do inesquecível filme “De Volta para o Futuro”, parte da geração de ouro do basquete brasileiro retornou às quadras, mesmo que por poucas horas, naquele 4 de outubro. Alguns quilinhos a mais e muitos fios de cabelo a menos, todos se uniram por meio da bola laranja em torno de duas causas nobres: ajudar a arrecadar fundos para o tratamento de saúde do ex-pivô da seleção brasileira masculina, Adílson Nascimento, e tentar tirar o basquete nacional do fundo do poço.

O primeiro objetivo foi alcançado. Organizado por amigos da família de Adílson, o evento “Bons Tempos em Quadra” foi um sucesso. Com estrelas como Oscar Schmidt, Marquinhos e Pipoka, entre outros, o público pôde matar a saudade de seus ídolos e ao mesmo tempo dar uma força para o tratamento de saúde de Adílson que, muito emocionado, acompanhou o amistoso em uma cadeira de rodas. Já encontrar uma solução para o basquete brasileiro sair de sua crise ainda está longe acontecer.

“Olha, enquanto não existir união entre as pessoas que fazem parte do universo do basquete brasileiro, não chegaremos a lugar nenhum”, diz o próprio Adílson Nascimento, que estava, em suas próprias palavras, “divorciado” da modalidade, mas ficou sensibilizado ao ver a seleção masculina mais uma vez fora das Olimpíadas. “Sinto que esta garotada que está atuando no exterior não tem o mesmo envolvimento da minha geração tinha. Sou do tempo em que a gente defendia o Brasil pelo amor à camisa.”

Exemplos do passado
Com mais de três décadas dedicadas ao basquete, Adílson tem autoridade suficiente para botar o dedo na ferida. E garante que o caminho para a modalidade começar a se reerguer pode estar em seu próprio passado glorioso. “Temos que aproveitar as coisas boas que os jogadores do passado têm a oferecer. Atletas como Oscar, Marquinhos, Carioquinha, Hélio Rubens, Nilo e Fausto, entre outros, teriam muito a contribuir neste processo. Precisamos apagar os problemas do passado e começar a trabalhar o mais rápido possível”, garante Adílson Nascimento.

Perdão a Iziane
Adílson não poupou nem mesmo o basquete feminino. Para ele, o técnico Paulo Bassul deveria ter levado a ala Iziane às Olimpíadas de Pequim. “Reconheço que ela foi muito indisciplinada, mas quem acabou punido de fato foi a seleção brasileira. Já vi jogador fazer coisa muito pior e depois a crise se resolvia dentro do grupo.”



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