Rodízio de cidades? Uma sugestão para a escolha de futuras sedes olímpicas



Cada vez mais o COI vem enfrentando dificuldade na escolha de sedes olímpicas ( Crédito: Divulgação/Rio 2016

Um artigo publicado na edição online deste domingo (10) do jornal americano USA Today coloca uma sugestão polêmica para aquele que se tornou um verdadeiro tormento na vida do COI (Comitê Olímpico Internacional): a escolha de sedes da Olimpíada.

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Nos últimos anos, seja para a edição de Verão ou Inverno, a eleição da cidade-sede passou a ser um estorvo.

Não são poucas as cidades que realizam pesquisas de opinião ou plebiscitos para decidir sobre uma possível candidatura. Ao menos em países que vivem regimes democráticos estáveis e com economia forte, o resultado é sempre uma rejeição.

Só que a articulista Christine Brennan, colunista do USA Today e comentarista de esportes da ABC News, jogou na mesa uma proposta que pode até soar elitista, mas merece uma reflexão. Por que não começar a criar um rodízio de cidades que já receberam as Olimpíadas recentemente?

Um dos principais pontos defendidos pela Agenda 20+20, lançada pelo presidente do COI, o alemão Thomas Bach, é justamente tornar os Jogos Olímpicos sustentáveis. Do jeito que a coisa caminha, não há como manter otimismo sobre o surgimento de novos candidatos a receber a festa olímpica.

A cada edição, o custo da Olimpíada vem se tornando proibitivo. E após cerca de 20 dias, um pouco menos, depois que atletas e torcedores de outros países vão embora, a conta que fica para os anfitriões é bem salgada – quando não impagável. Está aí a Rio-2016 que não me deixa mentir, cujo custo final ainda não se conhece, mas em compensação tem uma dívida reconhecida de R$ 420 milhões.

Veja imagens das futuras arenas em Tóquio-2020, Paris-2024 e Los Angeles-2028

 

A proposta de Brennan é polêmica e pode soar elitista. Mas traz um ponto para a discussão. Segundo ela, chegou o momento de o COI reconhecer que o modelo atual está esgotado. A partir disso, ela propõe um rodízio entre cidades que organizaram Jogos Olímpicos recentemente e, por isso, teriam aqueles “elefantes brancos” em condições de voltar a receber o evento.

Sua sugestão é que este rodízio comece a partir dos Jogos de 2032, que poderiam ficar com Sydney. A edição de 2036 seria destinada a Londres (aliás, já se falou numa possível nova candidatura londrina há cerca de dez dias). Para 2040, uma cidade da África, continente que nunca recebeu os Jogos, poderia ser convidada. Em 2044, o rodízio seria retomado com Tóquio, Paris ou Los Angeles, e assim por diante.

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O mesmo sistema de escolha de sedes seria aplicado aos Jogos de Inverno, com as sedes alternando-se entre Vancouver ou outra cidade canadense; uma parceria de cidades na Noruega ou na região dos Alpes; alguma cidade no Japão ou Coreia do Sul; alguma cidade americana.

Para defender sua tesa, a colunista do USA Today argumenta que sem o fardo financeiro para organizar Jogos onde eles já ocorreram recentemente, haveria uma enorme economia para o evento. E este dinheiro economizado, inclusive pelo COI, poderia ser aplicado em um “fundo olímpico” que ajudaria a cidades que nunca organizaram uma Olimpíada a ter a sua chance de receber os Jogos.

Pode ser uma utopia, mas é uma proposta concreta para escolha de sedes. E também resolveria um problema que pode se tornar insolúvel nos próximos anos. Melhor do que o COI, que adora belos discursos, mas com ações na prática pouco efetivas em favor da sustentabilidade das Olimpíadas.



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