Rio-2016, os Jogos da incerteza



As obras parecem intermináveis no velódromo olímpico do Rio (Crédito: Jonas Moura)

Faltam 64 dias para a abertura dos Jogos Olímpicos Rio-2016 e o natural seria que um clima de expectativa positiva estivesse tomando conta do país, que receberá a primeira edição da festa olímpica na América do Sul. Só que a tal “expectativa positiva” também divide espaço com um sentimento de incerteza sobre o que teremos pela frente a partir de 5 de agosto. E nem tudo tem a ver com questões ligadas diretamente à organização da Olimpíada. Abaixo, uma pequena lista dos motivos que deixam um grande ponto de interrogação no ar sobre a Rio-2016:

1) Afinal, o velódromo ficará pronto a tempo? A foto que abre este post, de autoria do companheiro Jonas Moura do Lance!, foi registrada no último dia 26 de maio, data do confronto entre Flamengo e Bauru pelo NBB. O velódromo olímpico, a obra mais atrasada entre todas as arenas que irão receber as competições da Rio-2016, continua rendendo dores de cabeça aos organizadores dos Jogos. O próprio presidente do comitê, Carlos Nuzman, assegurou que a área da pista está pronta, mas a verdade é que as imagens externas deixam uma impressão muito ruim. Para piorar, na última segunda-feira (30), o prefeito Eduardo Paes anunciou o rompimento de contrato com a construtora Tecnosolo, que vinha enfrentando problemas financeiros. A UCI (União Ciclística Internacional), no mesmo dia, emitiu um comunicado de seu presidente, Brian Cookson, que declarou estar “extremamente preocupado” sobre o ritmo das obras e alertou que o “tempo está se esgotando”.

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2) O medo do Zika: Na semana passada, um grupo de 150 cientistas enviaram uma carta aberta à OMS (Organização Mundial da Saúde), pedindo o adiamento ou transferência dos Jogos Olímpicos de 2016, por conta do surto do vírus Zika, que já afetou cerca de 1,5 milhão de pessoas no país. Segundo os cientistas, “Toma-se um risco desnecessário quando 500.000 turistas estrangeiros, provenientes de todo o mundo, se dirigem aos Jogos e se expõem à cepa, antes de voltar aos seus países, onde a infecção pode se tornar endêmica”. A OMS disse que a situação está sob controle e descartou fazer qualquer recomendação de adiamento. Mas o temor pelo Zika segue forte. Na última segunda-feira, o espanhol Paul Gasol, principal jogador da forte seleção de basquete da Espanha, disse que pode abrir mão de sua participação na Rio-2016 por causa da epidemia do vírus.

3) A sombra do doping: Depois que foi desvendado o maior escândalo de acobertamento de doping da história do esporte mundial, que terminou inclusive com o banimento da Rússia das competições de atletismo na Rio-2016, iniciou-se uma campanha intensa em busca de um esporte mais limpo, liderada pelo COI (Comitê Olímpico Internacional) e a Wada (Agência Mundial Antidoping). Para isso, estão sendo feitas revisões em diversos exames dos Jogos de Pequim 2008 e Londres 2012.  E não é que descobriram que 14 atletas  competiram dopados em 2008 e que nada menos do que 23 também usaram substâncias proibidas em 2012? Segundo o COI, que ainda não divulgou os nomes dos atletas, eles já estão afastados da Rio-2016. Será que alguma grande estrela do esporte mundial estará nesta lista?

4) Ingressos vão encalhar? Uma ação que a princípio seria bacana traz a reboque um alerta preocupante em relação à venda de ingressos da Rio-2016. Na última segunda-feira (30), a prefeitura do Rio de Janeiro anunciou que irá comprar e distribuir cerca de 500 mil ingressos dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos, a um custo de R$ 5 milhões, voltados para estudantes, pessoas com deficiência e servidores municipais. O problema desta ação positiva é que dos 2,5 milhões de bilhetes da Paralimpíada que estarão à venda, cerca de 70% foram comprados pela prefeitura. Ou seja, o risco de encalhe existe e é real. Tanto que o Comitê Rio-2016 iniciou um forte trabalho para divulgar o evento, que acontecerá após a Olimpíada, com abertura marcada para 7 de setembro.



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