Reflexões (sem pachequismo) sobre o brilhante e manchado título do vôlei




Jogadores e integrantes da comissão técnica do Brasil comemoram o título na Itália/Crédito: FIVB

Seria chover no molhado falar sobre as qualidades do vôlei brasileiro, que neste domingo se consagrou com a seleção brasileira masculina, que conquistou, de forma brilhante, o tricampeonato mundial masculino, ao derrotar Cuba de forma impiedosa por 3 sets a 0. Um resultado que sacramentou o vôlei como o segundo esporte do Brasil, em termos de conquistas e também em popularidade. Afinal, depois do futebol, só mesmo o vôlei obteve tantas conquistas internacionais, às quais somam-se três medalhas de ouro olímpicas (duas no masculino e uma no feminino).

Isto posto, é necessário que se faça uma reflexão muito realista e despida de qualquer sentimento pachequista (quer saber mais sobre os pachecos? Leia aqui). Daqui a 50 anos, quando alguém escrever sobre a história do Campeonato Mundial masculino de vôlei, lembrará da brilhante conquista do tricampeonato brasileiro em 2010. Mas também precisará citar que neste ano, a seleção comandada pelo competente técnico Bernardinho entregou um jogo para a Bulgária com o objetivo de pegar uma suposta chave mais fácil e assim ter sua vida facilitada ao longo do torneio.

Embora os xiitas da objetividade esportiva argumentem que o Brasil usou apenas das mesmas armas dos rivais diante de um regulamento estúpido e que permitia marmeladas, o fato é que o título brasileiro ficou manchado. Gostem ou não os pachecos, goste ou não o próprio Bernardinho, que ao melhor estilo “Vocês vão ter que me engolir”, eternizado por Zagallo na Copa América de 1997, deu uma cutucada em quem ousou criticar sua escolha deprimente. “É fácil ficar de fora, na frente do computador, escrevendo. Tem que viver isso aqui para poder julgar”.

Uma tola lição de moral de uma pessoa vencedora, sem dúvida, mas que não suporta críticas, a ponto de escolher até para quem quer dar ou não entrevistas e que se julga no direito de ligar para editores de jornais e reclamar de uma postura mais dura de algum repórter. Este mesmo competente Bernardinho jamais terá a coragem de admitir publicamente aquilo que o líberto da seleção, Mario Júnior, reconheceu. “O momento mais difícil foi entregar o jogo contra a Bulgária. No começo, eu não consegui. Não sabia como fazer, nunca tinha feito isso na minha vida antes. Jogamos de acordo com as regras do campeonato”.

O Brasil tem o melhor vôlei do mundo e já faz tempo. Uma hegemonia que irá demorar muito para ser quebrada. Mas que ninguém se esqueça: este título mundial foi manchado pelas cores da maracutaia. Goste ou não a turminha pacheca do vôlei.



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