A reconstrução do basquete brasileiro será pior do que se imaginava



Mais um vexame do basquete brasileiro: Georginho não consegue impedir que o mexicano Guitierrez faça mais dois pontos (Crédito: Fiba Américas)

Acabo de assistir o VT da derrota do Brasil para o México na Copa América masculina de basquete, em Medellín (COL). Foi um exercício de masoquismo. A atuação patética do time brasileiro, abatido de forma inapelável pelo quinteto mexicano por 99 a 76, foi irritante. A ponto de deixar indignado o sempre otimista narrador André Henning, do canal  Esporte Interativo, que transmitiu o jogo.

O resultado terá consequências imediatas e a longo prazo para o basquete brasileiro, que tenta se reconstruir após a gestão de terra arrasada do ex-presidente da CBB (Confederação Brasileira de Basquete), Carlos Nunes. A imediata é que a Seleção Brasileira está eliminada da competição. Neste domingo, o Brasil encara Porto Rico, a partir das 17h30 (horário de Brasília), encerrando sua participação. Só que a vitória diante dos porto-riquenhos é fundamental para evitar um problema ainda maior no futuro da Seleção.

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Esta Copa América serve também de qualificatório das Américas para os Jogos Pan-Americanos de Lima-2019. Ao todo, estão em disputa sete vagas. Serão dos vencedores dos três grupos do torneio (México já está classificado) e da Argentina (país-sede da fase final) e das três das quatro melhores equipes por índice técnico.

Ou seja, depois de ter vencido a Colômbia na sexta-feira por apenas dois pontos (76 a 74) e levado uma sova de 23 pontos dos mexicanos, existe uma bela chance do Brasil estar fora do Pan-2019.

Sabe o que isso significa? Nunca na história dos Jogos Pan-Americanos o basquete masculino deixou de participar. Se esportivamente falando o Pan nem de perto tem a relevância daquele em que Oscar, Marcel & Cia derrotaram os EUA em Indianápolis-1987, não participar seria um total vexame.

Politicamente falando, a nova gestão do presidente Guy Peixoto teria ainda um belo desgaste com o COB (Comitê Olímpico do Brasil) em ver suas duas principais seleções fora de competições importantes: o feminino, já está eliminado do Mundial de 2018, na Espanha. O masculino, veria o Pan de 2019 de  casa. Bom lembrar que o COB é quem cuida da distribuição das verbas da Lei Agnelo/Piva e um desempenho ruim das seleções de basquete pode influenciar em um repasse menor para 2018, pelos atuais critérios de “meritocracia” impostos pela entidade.

Indisciplina indesculpável

Como tudo que está ruim sempre pode piorar, um lamentável episódio de indisciplina tornou a derrota para o México ainda mais vergonhosa. Relato do jornalista Colin Foster, do site “Basquete360”, que cobre a Copa América em Medellín, mostrou que o ala Bruno Caboclo recusou-se a voltar à quadra no segundo quarto. Por mais que o técnico Cesar Guidetti e o gerente técnico Renato Lamas insistissem, Caboclo permaneceu irredutível. Após o jogo, o dirigente admitiu que houve o ato de indisciplina e informou que o ala estava afastado da Seleção por tempo indeterminado e retornando ao Brasil.

É bom repetir para ficar bem claro: Bruno Caboclo RECUSOU-SE a voltar à quadra em um jogo da Seleção Brasileira. Simplesmente inacreditável.

Caboclo, que jamais se firmou no Toronto Raptors, da NBA e ainda tem uma história para construir no basquete nacional, repetiu uma triste tradição de jogadores birrentos que se recusam a entrar em quadra por motivos diversos. Foi assim com Iziane, foi assim com Nezinho. Agora, com Caboclo.

A reconstrução do basquete brasileiro será mais complicada do que se imaginava. Sem dinheiro, sem talentos, eliminado de torneios importantes e com jogadores sem respeito à camiseta da Seleção.

Triste acompanhar o basquete brasileiro atualmente.

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  • Isto é reflexo de certo.modo da:
    a. Monocultura do Futebol na mídia q domina todas as atenções. ( Apesar do crescimento do NBB, já percebemos um longo caminho pela frente)
    b. Verdadeiras Eras ditatoriais de dirigentes ultrapassados e barrigudos em federações ( ainda hoje) q impedem a atualização é renovação.
    c. Falta de estímulo na base e escolas para criar novas oportunidades aos jovens de encarar o basquete como futuro profissional.

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