Rafaela Silva precisa de um O-soto-gari para ser absolvida



Rafaela Silva exibe a medalha de ouro no judô do Pan de Lima, que perdeu por causa do doping (Crédito: Wander Roberto/COB)

Um dos golpes mais básicos do judô é o O-soto-gari. Simples, porém mortal. O judoca capricha na pegada no quimono do rival, ao mesmo tempo em que desloca seu pé esquerdo ao lado da perna direita do oponente, jogando o peso em direção ao tatame.

Se bem aplicado, é ippon na certa. Foi com essa técnica, por sinal, que Rogério Sampaio venceu a maior parte de suas lutas na conquista da medalha de ouro na Olimpíada de Barcelona-1992, na categoria 65 kg.

Mal-comparando, é possível dizer a campeã olímpica Rafaela Silva precisará de um belo O-soto-gari para reverter a punição de dois anos por doping aplicada pela IFJ (Federação Internacional de Judô). Se confirmada pela CAS (Corte Arbitral do Esporte), para a qual irá recorrer, significará adeus à sua participação nos Jogos Olímpicos de Tóquio-2020.

+ O blog está no Twitter. Clique e siga para acompanhar
+ Curta a página do blog Laguna Olímpico no Facebook
+ O blog também está no Instagram. Clique e siga

A decisão da IFJ, anunciada nesta sexta-feira (24), teve o impacto forte no judô brasileiro. Medalha de ouro nos 57 kg na Rio-2016, Rafaela Silva era apontada ao longo deste ciclo olímpico como uma das principais esperanças de pódio na modalidade para o Brasil nos Jogos de 2020. Ela e Mayra Aguiar eram apostas certas em todas as prévias, inclusive as feitas dentro do COB (Comitê Olímpico do Brasil).

Até que veio o Pan-Americano de Lima-2019. Foi quando a universo de Rafaela começou a ruir.

Foi justo na competição em que conquistou uma medalha de ouro que nunca havia obtido, veio a notícia do bizarro doping que lhe custou o título pan-americano. Bizarro pela alegação que ela apresentou em sua defesa: ter tido contato com um bebê que havia tomado um medicamento com a substância fenoterol, que aparece em remédios para asma. A forma de contágio foi igualmente bizarra. O bebê teria beijado o nariz da judoca  na véspera do embarque para Lima.

Tantas bizarrices não foram aceitas pelos dirigentes da IJF, que aplicaram uma pena de dois anos.

VEJA TAMBÉM:

Crise do doping no esporte do Brasil merece tratamento de choque 
Falta de autorização médica pode complicar Jorge Zarif em caso de doping 
Doping triplo acende sinal de alerta no esporte olímpico do Brasil

Agora, Rafaela Silva será defendida por um advogado especialista em livrar atletas de penas pesadas por doping, Marcelo Franklin. Foi ele quem conseguiu inocentar Cesar Cielo, Ana Claudia Lemos, Etiene Medeiros, entre outros. Em contato com o blog na noite de sexta-feira, ele não quis adiantar qual será sua linha de defesa, pois ainda precisa tomar pé de todo o processo. Mas mostra confiança de que terá sucesso.

“Temos 21 dias para recorrer. Haverá uma audiência com a atleta e testemunhas. Entrar num caso agora para reverter uma decisão ruim anterior nunca é o ideal. Mas eu nunca entraria num caso destes se não achasse possível reverter”, afirmou.

Para complicar, a judoca brasileira terá que superar a cruzada antidoping que a Wada (Agência Mundial Antidoping) tem feito. Além disso, a CAS não costuma modificar penas nestas condições. Mais do que nunca, só um O-soto-gari daqueles bem dados conseguirá livrar Rafaela Silva para buscar o bicampeonato olímpico em Tóquio.