PyeongChang tem saldo positivo e salva imagem da Olimpíada de Inverno



Explosão de fogos de artifício na cerimônia de encerramento da Olimpíada de PyeongChang (Crédito: François-Xavier Marit/ AFP)

O fim da Olimpíada de PyeongChang, neste domingo, mostrou, em na alegre e colorida cerimônia de encerramento, uma vitória dos próprios Jogos de Inverno. A cerimônia, que a exemplo do que ocorreu na abertura, mostrou os atletas das Coreias do Norte e Sul desfilando juntos, foi um belo resumo de um evento que serviu para resgatar um pouco da imagem arranhada do evento. As dezenas de casos de doping em Sochi-2014, em maioria absoluta protagonizados por atletas da Rússia, causaram danos que ameaçaram até o futuro do movimento olímpico.

Abaixo, alguns pontos que resumem para mim o que foram estas divertidas madrugadas e manhãs (no horário de Brasília) acompanhando os ótimos Jogos de PyeongChang.

Diplomacia via esporte

Delegações das Coreias do Norte e Sul desfilam juntas na cerimônia de abertura (Crédito: COI)

Se na política externa um tratado de paz entre Seul e Pyonyang ainda está longe de acontecer, um fato é inquestionável. A Olimpíada de Inverno diminuiu um pouco a tensão entre os dois países. A via da diplomacia foi decisiva não apenas para assegurar a presença da Coreia do Norte nos Jogos como obteve algo que não ocorria desde a edição de Turim-2006. O desfile em conjunto de atletas norte-coreanos com os da anfitriã Coreia do Sul, tanto na abertura quanto no encerramento, foi marcante. Aos olhos do mundo, caiu muito bem a criação de uma equipe unificada de hóquei no gelo feminino da Coreia. Se esportivamente foi um fiasco (perdeu os cinco jogos que disputou), deixou uma imagem de esperança para quem acredita na força do esporte.

Mulheres recordistas

Ireen Wust comemora a vitória nos 1.500 m da patinação de velocidade (Crédito: Mladen Antonov/AFP)

Duas atletas deixaram em PyeongChang seus nomes na história dos Jogos de Inverno em relação ao número de medalhas conquistadas. Na patinação de velocidade, a holandesa Ireen Wust tornou-se a protagonista em número de pódios na modalidade, com 11 no total, sendo três nos Jogos de 2018. Já Marit Bjoergen, da Noruega, dona de cinco pódios (duas de ouro, uma de prata e duas de bronze), consagrou-se como a maior atleta, entre homens e mulheres, em número de medalhas nas Olimpíadas de Inverno, 15 no total.

Da UTI ao pódio olímpico

O canadense Mark Morris construiu em PyeongChang construiu uma das mais sensacionais histórias de superação desta Olimpíada. Atleta do snowboard, durante um treino no ano passado errou um salto e acabou parando em três árvores. Foi para a UTI com 17 ossos quebrados, pulmão e baço em colapso, além de várias fraturas. Menos de um ano do acidente, conquistou a medalha de bronze no snowboard slopestyle.

Ouro em dois esportes

A checa Ester Ledecká ficou famosa nesta Olimpíada pela competência em duas modalidades diferentes! Ela contrariou todos os prognósticos ao conquistar o ouro na prova do esqui alpino super G, quando até a própria Ledecká ficou surpresa com o resultado. Dias depois, em sua especialidade, voltou a vencer, desta vez no snowboard paralelo slalom gigante. É a primeira mulher a ganhar dois ouros em modalidades diferentes na mesma Olimpíada.

O “Homem de Ferro” sul-coreano

O sul-coreano Yun Sung-Bin e seu capacete inspirado no Homem de Ferro (Crédito: AFP)

Dominado normalmente pelos Estados Unidos, Grã-Bretanha e Canadá, o skeleton viu um campeão asiático no masculino. Quis o destino, vejam só, que fosse um sul-coreano. Yun Sung-Bin, com seu capacete pintado como o do personagem dos quadrinhos “Homem de Ferro”, havia sido apenas o 16º em Sochi-2014.

Suspensão mantida aos russos

Nadezhda Sergeeva, atleta russa do bobslead, que deu positivo no antidoping em PyeongChang (Crédito: Reprodução)

Banida da Olimpíada deste ano pelo sistema organizado de doping descoberto no país, a Rússia pôde ter representantes em PyeongChang após um acordo com COI (Comitê Olímpico Internacional). Todos deveriam ter um histórico limpo de doping, competir sob bandeira neutra e com o estranho nome OAR (Atletas Olímpicos da Rússia). E não é mesmo sob esta “quarentena” os russos conseguiram aparecer em dois casos positivos na Olimpíada?

Nos bastidores, os dirigentes russos negociavam para que a suspensão fosse retirada na cerimônia de encerramento. O plano era que a delegação desfilasse neste domingo com sua bandeira e seus uniformes tradicionais. A pressão após os dois casos positivos foi tanta que o COI acabou resolvendo manter o gancho. Já se fala, porém, que a suspensão será revogada nas próximas semanas.

Evolução do Brasil

A brasileira Isadora Williams não conseguiu repetir a boa atuação do programa curto (Crédito: AFP PHOTO / Roberto SCHMIDT)

Sem nenhuma expectativa de pódio, o Brasil teve uma participação na Olimpíada de PyeongChang que pode ser classificada de boa, sob a ótica da falta de tradição do país. Em duas modalidades, os brasileiros alcançaram os melhores resultados na história olímpica. O mais destaque coube à Isadora Williams, da patinação artística, que chegou ao programa livre, que na prática é quando ocorre a disputa de medalhas. Foi a primeira vez que uma patinadora latino-americana chegou a esta fase.  O 24º (e último) lugar na final, por conta de falhas em sua apresentação, não diminuiu a importância do feito.

O quarteto do bobsled também alcançou na Coreia do Sul o melhor resultado do país  na história dos Jogos, terminando em 23º lugar. Ficou um sentimento de frustração por não alcançar o objetivo inicial, que era ficar entre as 20 melhores equipes .

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