Punição do COI ao doping da Rússia pode ter incluído acordo contra boicote



O símbolo que os atletas russos liberados pelo COI utilizarão em seus uniformes durante os Jogos de PyeongChang-2018

Nesta semana, o COI (Comitê Olímpico Internacional) divulgou como serão os uniformes dos atletas da Rússia liberados para competir na Olimpíada de Inverno de PyeongChang-2018. Os atletas sem histórico de doping participarão dos Jogos, mas não sob a bandeira russa. Eles competirão sob bandeira neutra, sem direito a hino no caso de pódio e tendo nos uniformes o símbolo OAR (Atleta Olímpico da Rússia, na tradução do inglês). A concessão foi feita após a histórica punição aplicada pelo COI, em razão do esquema de doping sistêmico patrocinado pelo país, após análise de um relatório de uma comissão da entidade.

O que tem ficado claro nos bastidores do movimento olímpico é que o castigo aplicado pelo COI teve também uma boa dose de negociação para impedir um boicote do próprio governo russo para a Olimpíada de Inverno.

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Não é segredo que a Rússia nunca assumiu sua parcela de culpa no caso do programa de acobertamento de doping promovido pelo comitê olímpico russo. Às vésperas da Rio-2016, a Iaaf (Associação das Federações Internacionais de Atletismo) anunciou o banimento da Rússia do atletismo nos Jogos. A decisão provocou reação imediata do governo russo, com declarações pesadas da recordista mundial do salto com vara, Elena Isinbayeva, e até do presidente Vladimir Puttin.

Desta vez, diante de uma punição bem mais pesada, nem uma palavra foi dita. Pelo contrário, Puttin chegou a declarar que incentivava a presença dos atletas em PyeongChang.

A tese do acordo anti-boicote foi levantada pelo site Inside the Games. A publicação lembrou que a colocação da palavra “Rússia” é um indício de que o COI pesou bem a possibilidade de ter que encarar um boicote, algo que convenhamos, não tem mais lugar no movimento olímpico. Outro ponto é que o símbolo que os russos irão utilizar é diferente do “Atletas Olímpicos Independentes”, que normalmente é usado para atletas cujos comitês olímpicos nacionais estão suspensos pelo COI. Será assim com o Kuwait na Olimpíada de Inverno.

Diante dos 46 casos de doping de atletas russos descobertos após os Jogos de Sochi-2014 (confira a lista completa atualizada aqui), além de tudo o que a comissão independente da Wada já havia divulgado no famoso Relatório McLaren, o COI precisava dar uma resposta forte. Mas tomou cuidado político para que a dose da punição não trouxesse um prejuízo maior à Olimpíada de 2018.

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