Afastamento de presidente da Aiba deve assegurar boxe olímpico em Tóquio



Acusado de ter ligações com a máfia asiática, Gafur Rakhimov não irá comandar mais o boxe olímpico mundial (Crédito: Divulgação)

O grande ponto de interrogação sobre a presença do boxe olímpico nos Jogos de Tóquio-2020 foi encerrado nesta sexta-feira (22). Em um comunicado de 31 linhas no site da Aiba (Associação Internacional de Boxe), o uzbeque Gafur Rakhimov anunciou seu afastamento na presidência da entidade. O ato deverá ter como efeito cascata a garantia da presença do boxe nas próximas Olimpíadas.

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No comunicado, Rakhimov lamentava que apesar dos esforços, as discussões em torno de “questões políticas” colocassem em risco todo o progresso feito pela Aiba. “Por isso, informei ao Comitê Executivo da Aiba a minha intenção de me afastar do cargo de presidente, de acordo com os estatutos, e que seja empossado um presidente interino”, afirmou o cartola uzbeque. Foi convocada uma reunião via teleconferência neste final de semana com o comitê executivo para definir o nome presidente da entidade.

A queda de braço que culminou com a renúncia de Rakhimov teve como grande vencedor o COI (Comitê Olímpico Internacional). A entidade, comandada pelo alemão Thomas Bach, era a principal opositora à permanência do dirigente, até por uma questão profilática. O COI tinha até urticária ao pensar em associar sua imagem a alguém com suspeitas de ligação com a máfia asiática.

Desde o ano passado, quando assumiu a presidência interina da Aiba, Rakhimov enfrentava resistência nos gabinetes do COI. O Departamento de Tesouro dos Estados Unidos havia emitido um relatório apontando o cartola uzbeque comandando uma organização criminosa chamada “Os Ladrões”, no continente asiático. O grupo teria envolvimento  com extorsão, lavagem de dinheiro, roubo e suborno.

Momento delicado

O detalhe é que Rakhimov havia assumido a Aiba em um momento extremamente delicado. O antigo presidente, o taiwanês C. K. Wu, foi afastado por má gestão financeira. Na Olimpíada Rio-2016, ocorreram diversas denúncias de resultados arranjados, com envolvimento de árbitros e até mesmo boxeadores.

A situação estava tão delicada para o boxe olímpico que o próprio Thomas Bach, no final do ano, precisou se pronunciar assegurando que a modalidade estaria em Tóquio-2020, mesmo que tivesse que ser organizada por outra entidade. Apesar das palavras do dirigente, até agora o sistema de qualificação para a Olimpíada não foi anunciado oficialmente.

A possibilidade do boxe ser rifado da próxima olimpíada movimentou a comunidade da modalidade. Medalha de ouro em Atlanta-1996, o ucraniano Wladimir Klitschko chegou a propor que a AMB (Associação Mundial de Boxe), uma das entidades mais importantes do boxe profissional, passasse a cuidar da modalidade olímpica.

A saída política encontrada pela Aiba, com a renúncia de Rakhimov, pode mesmo ter salvo o boxe olímpico nos Jogos de Tóquio.

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