Precisamos falar sobre Ryan Lochte



O nadador Ryan Lochte está liberado para voltar a competir. Sim, lembra dele?

Dono de seis medalhas de ouro olímpicas, aquele cidadão de cabelos descoloridos cumpria uma suspensão de dez meses, imposta pelo escândalo que o americano protagonizou na Olimpíada Rio-2016. O motivo? No dia 14 de agosto do ano passado, ao lado de outros três colegas de equipe (Gunnar Bentz, Jack Conger e Jimmy Feigen), Lochte voltava de uma balada e se envolveu em uma confusão num posto de gasolina, durante os Jogos.

Ao chegar na Vila Olímpica, com o sol já dando o ar da graça, inventou uma história de que tinham sido assaltados e sequestrados. As imagens das câmeras de segurança, junto com a de uma outra no posto de gasolina, jogaram a cascata de Lochte na lata do lixo. Em questão de poucos dias, todos confessaram a mentira.

Mentor da armação, Ryan Lochte levou a pior. Pegou um gancho de dez meses, por decisão do Comitê Olímpico americano (Usoc), Federação Americana de natação (USA Swimming) e até do COI (Comitê Olímpico Internacional).

Neste período, Lochte perdeu patrocinadores, ficou sem a ajuda de custo da federação americana e teve que se virar para trabalhar sua imagem. Participou da edição americana do programa “Dançando com as Estrelas” e comemorou a chegada do primeiro filho.

“Foi uma longa suspensão, mas acabou. Eu aprendi e me tornei um homem melhor…agora vamos a 2020 #2020ÉParaVocêCaiden”, escreveu Lochte em sua conta no Instagram. Na mensagem, fez referência o filho Caiden e aos planos de buscar uma vaga na equipe americana para a Olimpíada de Tóquio-2020.

Ele obviamente não disputará o Mundial de Budapeste (HUN), que começa em duas semanas. Não se discute o direito de alguém exercer sua profissão, isso é claro. Além disso, voltará às piscinas um dos maiores nadadores de todos os tempos e as 12 medalhas olímpicas (além das seis de ouro, três de prata e três de bronze) demonstram isso.

O que é bem diferente de discutir a questão moral. E neste ponto, o brasileiro não tem motivo algum para pegar leve com Ryan Lochte.

A mentira contada pelo americano de forma irresponsável colocou naquele momento a imagem do Brasil ainda mais em cheque. Para quem não se lembra, o foco da imprensa internacional, até com certa dose de razão, era ficar atento a todo e qualquer deslize na organização brasileira nos Jogos. Já havia sido assim com o caso dos alojamentos mal-acabados da Austrália na Vila Olímpica. E com esta enorme lupa, a mídia ficou horrorizada com a notícia de um campeão olímpico assaltado à mão armada.

O horror com a cascata do “Lochtegate”, como o escândalo foi batizado, jamais será esquecido. Se o retorno do atleta à natação pode ser festejado, moralmente Ryan Lochte está longe de ser perdoado, ao menos entre o povo brasileiro.

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