Porque o Mundial de piscina curta traz otimismo à natação do Brasil em Tóquio



Equipe brasileira do revezamento 4 x 200 m comemora o ouro no Mundial de piscina curta da China (Crédito: Satiro Sodré/CBDA)

Admito que tenho uma certa bronca com estes Mundiais de piscina curta e a supervalorização que se dá aos seus resultados no Brasil.

Já esclareço que não faço nenhum juízo de valor das conquistas ou menosprezo a importância que medalhas ou recordes tenham na vida destes nadadores. São títulos e medalhas mundiais. Ponto. Seus ganhadores têm o direito mais do que justo de comemorar.

Só me incomoda que muitas pessoas – normalmente os pachecos que acompanham o esporte olímpico a cada quatro anos – façam aquela equivalência traiçoeira. “Ah, ganharam na piscina curta, logo são favoritos na Olimpíada”.

Lamento informar, mas não é assim que a banda toca.

A começar, pelo próprio tamanho da piscina. O Mundial de Hangzhou (CHN), encerrado no último domingo, foi disputado em raias de 25 metros de comprimento. Nos Jogos de Tóquio-2020, a distância será de 50 metros. Além disso, nem sempre os Estados Unidos, a grande potência da natação mundial, costuma comparecer com sua força máxima, o que pode causar distorções.

O que não impede os americanos de quase sempre terminarem a competição na liderança do quado de medalhas. Até com certa folga, na maioria das vezes.

Há ainda a “tradição” brasileira em subir ao pódio em provas nas distâncias não olímpicas.

Isto posto, é importante ressaltar que não poderia ter ocorrido nada melhor para a natação brasileira do que as oito medalhas (duas de ouro) conquistadas pela natação do Brasil no Mundial de piscina curta da China.

Incoerência?

Não, o blogueiro não perdeu o juízo. Nem está sendo incoerente.

Após uma campanha tenebrosa na Rio-2016, quando passou em branco e sem medalhas, viver uma terrível crise política, com a deposição (e prisão por um período) do antigo presidente da CBDA, a natação brasileira está se renovando.

E foi justamente o resultado na China que vem comprovar isso. Destas oito medalhas, pelo menos três delas poderão ter uma influência muito positiva no desempenho na Olimpíada de 2020.

O ouro no revezamento 4 x 200 m livre (prova que está nos Jogos Olímpicos) foi um resultado extremamente importante. Primeiro por ter deixado para trás os times favoritos da Rússia e da China. Depois, pela conquista ter vindo com um recorde mundial (6min46s81).

Outro ponto alentador foi a idade do quarteto brasileiro. Talentosos representantes da nova safra da natação nacional, Luiz Altamir (22 anos), Fernando Scheffer (20), Leonardo Santos (23) e Breno Correia (19) impressionaram pela forma corajosa com que encararam a prova. O grupo foi completado por Leonardo de Deus (27), que disputou as eliminatórias.

Altamir e Scheffer já tinham impressionado na temporada de piscina de 50 m. Especialmente Scheffer, que chegou a ter o nono melhor tempo do mundo nos 200 m livre.

Brandonn Almeida (21) foi outro da nova geração que brilhou na China, com a medalha de bronze nos 400 m medley

Os bronzes conquistados por Etiene Medeiros, nos 50 m livre, e Daiane Dias, nos 100 m borboleta, ambos com quebra de recorde sul-americano, também demonstram que a natação feminina também pode sonhar mais alto neste ciclo olímpico.

Os frutos deste Mundial de piscina poderão ser colhidos sim daqui a um ano e meio, em Tóquio-2020.

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